Carlos Amaro

Carlos Amaro de Miranda e Silva

Carlos Amaro de Miranda e Silva (Chamusca, Chamusca, 3 de julho de 1879Pena, Lisboa, 8 de Julho de 1946) foi um poeta, dramaturgo, jornalista e político republicano português.[1]

Biografia

Era filho do alfaiate José Amaro da Silva e de Maria da Glória de Miranda, ambos também naturais da Chamusca.[2]

Fez o curso liceal em Santarém, frequentando seguidamente a Escola de Agronomia de Lisboa, curso que foi forçado a abandonar em 1896, por ter sido preso na cadeia do Limoeiro, com outros estudantes republicanos, por motivos políticos. Mais tarde, vem a matricular-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde conclui o curso em 1907. Foi um dos fundadores do Clube dos Estudantes Republicanos José Falcão, de que foi também presidente. Fundou e colaborou no jornal académico A Pátria, que se publicava em Coimbra.

Posteriormente, fixa-se em Lisboa tomando parte activa na divulgação das ideias republicanas. Proclamada a República, é eleito deputado às Constituintes.[3] Veio a ser militante do Partido Unionista. Desempenhou o cargo de Conservador do Registo Civil do 3.º Bairro de Lisboa.[4]

A 20 de maio de 1911, casou civilmente em Lisboa com Henriqueta Augusta Correia (Chamusca, Chamusca, c. 1879), doméstica, filha de João Maria Correia e de Maria José Garrido Correia, ambos também naturais da Chamusca. Foi padrinho de casamento o então ministro do Fomento e fundador do Partido Unionista, Manuel de Brito Camacho.[5] Deste casamento nasceu Maria Henriqueta Correia de Miranda (Pena, Lisboa, c. 1915), casada com o artista Joaquim Rodrigo.[6]

Colaborou em diversos jornais, entre os quais, A republica portugueza[7] (1910-1911), A Luta, República e Capital, sendo a sua última colaboração conhecida, no Diário de Lisboa, usando o pseudónimo de Frei Carlos. Também se encontra colaboração da sua autoria na revista Contemporânea[8] [1915]-1926. Considerado poeta delicado, escreveu Castelos em Espanha, ensaio, e as peças Cena Antiga e Entre Dois Beijos, representada em Coimbra, São João subiu ao Trono, em três actos, representada em Lisboa e Cabra Cega, estreada em Setembro de 1935. Foi ainda crítico de Arte e de Teatro e colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Morreu vítima de neoplasia do fígado a 8 de julho de 1946, em sua casa, no Campo dos Mártires da Pátria, n.º 23, 3.º andar, freguesia da Pena, em Lisboa. Foi sepultado no Cemitério do Lumiar.[9]

Referências

  1. «Carlos Amaro». Biblioteca Municipal da Chamusca, Ruy Gomes da Silva. Consultado em 31 de janeiro de 2013 
  2. «Livro de registo de batismos da paróquia da Chamusca (1879)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Santarém. p. 29, assento 75 
  3. «DIÁRIO DA CAMARA DOS DEPUTADOS». Assembleia da República. 11 de março de 1912. Consultado em 31 de janeiro de 2013 
  4. «Conservatória do Registo Civil / Licenças» (PDF). Diário da República nº 198, pág. 2931. 17 de agosto de 1912. Consultado em 31 de janeiro de 2013 
  5. «Livro de registo de casamentos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1911-04-01 - 1911-08-17)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 81v e 82, assento 85 
  6. «Livro de registo de casamentos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1934-07-29 - 1934-11-15)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 412 e 412v, assento 412 
  7. Pedro Mesquita (21 de Junho de 2012). «Ficha histórica:A republica portugueza : diario republicano radical da manhan (1910-1911)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  8. Contemporânea [1915]-1926 cópia digital, Hemeroteca Digital
  9. «Livro de registo de óbitos da 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1946-01-01 - 1946-08-11)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 173, assento 346