Carlos Alberto de Oliveira (pintor)
Carlos Alberto de Oliveira (Novo Hamburgo, 1951 — Novo Hamburgo, 2013), apelidado Carlão, foi um pintor e professor brasileiro.
Biografia
Filho de um operário de curtumes e de uma empregada doméstica, foi funcionário dos Correios e depois ingressou no serviço público municipal em Novo Hamburgo,[1] trabalhando e dando aulas no Atelier Livre Municipal até aposentar-se.[2] Na década de 1980 foi coordenador do Museu do Calçado.[3]
Interessado em arte desde jovem, começou a trabalhar seriamente neste campo em 1973.[4] Entre 1977 e 1979 participou do Movimento Casa Velha, que procurava dinamizar o circuito artístico no Vale dos Sinos. Em 1987 ingressou na Escola de Belas Artes da Feevale, estudando desenho e pintura por dois anos.[5]
Fez sua primeira participação em exposições em 1974, no Centro de Pesquisa de Arte de Novo Hamburgo, depois participou de dezenas de mostras individuais e coletivas no Rio Grande do Sul e em outros estados brasileiros. Faleceu em Novo Hamburgo em 2013.[6]
Obra
Sua obra é classificada estilisticamente como naif, mas na apreciação da crítica Angélica de Moraes, ele é um "pintor primitivo sim, ingênuo não", trabalhando temáticas de cunho social, onde retrata o cotidiano das classes desfavorecidas, em cenas que trazem títulos como "Comício", "Enchentes", "Fila para o PIS", "A Briga do Bailão", "Assaltando o Banco", "Futebol".[1] Artista negro, a temática de matriz africana é outra constante em sua produção.[7]
Destacam-se em suas exposições a participação no IV Salão do Jovem Artista do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (1975),[6] sua individual no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (1983), com apresentação de Danúbio Gonçalves,[5] a Bienal Naif de São Paulo de 1994, onde recebeu o Prêmio Destaque,[6] e a Bienal Naïfs do Brasil de Piracicaba, em 1996, onde foi premiado com Menção Honrosa.[2] Também recedeu dois prêmios em salões de Novo Hamburgo.[6]
Seu nome batiza a Escola Municipal de Arte de Novo Hamburgo,[6] e em 2015 a Feevale organizou no seu Espaço Cultural uma mostra em sua homenagem, Carlão vida e obra, inscrições urbanas, acompanhada de palestras, apresentações musicais, um seminário e conversas com o público.[8] Em 2016 a Prefeitura anunciou a criação do Memorial Carlos Alberto de Oliveira, considerando-o "um dos principais nomes das artes plásticas de Novo Hamburgo. [...] Durante sua trajetória, desenvolveu suas obras tendo como fundo a cultura popular e os acontecimentos cotidianos das pessoas. Artista de grande habilidade no desenho e na pintura, retratou cenas de trabalho e lazer de uma cidade dedicada, por muito tempo, à produção calçadista: esteiras de fábricas, lojas, jogos de futebol, bailes de carnaval, cenas de bar".[2] Além de expor obras, documentos, fotografias e outros materiais relacionados ao artista, preservando seu legado para a comunidade e para a cultura negra, o Memorial organiza palestras, cursos e outras atividades culturais, e abre espaços para mostras de outros artistas.[9][10][11][12][13]
Apesar desses reconhecimentos, sua obra ainda é pouco estudada,[6] e na apreciação do crítico Círio Simon, seu trabalho merecia ter tido uma penetração maior: "Ao longo de toda a sua existência o artista Carlos Alberto de Oliveira assumiu e foi coerente com a estética afro sul-rio-grandense. Além de nunca poder usufruir em tempo integral a sua vocação artística, o ambiente no qual desenvolveu seu talento não estava preparado conceitualmente para percebê-lo como valor em si. Nem o mercado profissional, as instituições de memória, de estudo e divulgação, não estavam maduras para sua obra".[14] Para o crítico Eduardo Veras, "foi um artista singular, de trabalho muito sofisticado, ainda à espera do reconhecimento nacional que lhe seria devido".[7]
Ver também
Referências
- ↑ a b Moraes, Angélica de. "Oliveira, o primitivo que pinta a inflação". Zero Hora, 29 de setembro de 1983, 2º Caderno, p. 5
- ↑ a b c "Prefeitura lança projeto de memorial para Carlos Alberto de Oliveira". Prefeitura de Novo Hamburgo, 23 de agosto de 2016
- ↑ "Notícias de arte". Zero Hora, 26 de outubro de 1983, p. 2
- ↑ "Artista hamburguense com mostra individual no MARGS, dia 26". Jornal do Comércio, 10 de outubro de 1983, p. 4
- ↑ a b "C. A. Oliveira no MARGS". Jornal do Comércio, 1 de novembro de 1983, Caderno Panorama, p. 2
- ↑ a b c d e f Weinreb, Mara E. "Arte e Cultura: africanidades no ensaio da obra de Carlos Alberto de Oliveira". In Revista Prâksis, 2015 (1):87-94
- ↑ a b Veras, Eduardo. "Arte negra na escola". In: Arte Negra nas Escolas, 2018; 1 (1)
- ↑ "Mostra no Espaço Cultural Feevale homenageia Carlão". Feevale, 5 de maio de 2015
- ↑ Michelm Júlia Ramona & Thiesen, Victor Dias. "A vez do popular, alternativo e independente". Medium, 13 de dezembro de 2017
- ↑ "Aberta ao público a terceira etapa da exposição do Movimento Casa Velha". Vale dos Sinos, 26 de outubro de 2017
- ↑ "Memorial Carlos Alberto de Oliveira - Carlão recebe a exposição Herança que levo adiante". Prefeitura de Novo Hamburgo, 9 de agosto de 2022
- ↑ "Arte Negra na Escola e Possibilidades da Lei 10.639/2003". Pró-Reitoria de Extensão — UFRGS, 19 de novembro de 2019
- ↑ "Projeto social da Feevale promove ação especial no Dia do Professor". Feevale, 11 de outubro de 2019
- ↑ Simon, Círio. "Estética Afro-Sul-Riograndense". Isto É Arte, 13 de fevereiro de 2014