Capitalismo humanístico
Capitalismo humanístico é um conceito que busca unir o humanismo, especificamente a assistência a necessidades de segurança e saúde das pessoas e do ambiente, com as forças e a economia de mercado. Muitas vezes é visto como um meio-termo entre as ideias do capitalismo moderno e socialismo democrático.
Muhammad Yunus descreve o capitalismo humanístico como um mundo empresarial socialmente consciente, onde os investidores se contentam em recuperar os seus investimentos, mas não esperam dividendos adicionais.[1] A ideia do capitalismo humanístico está ligada à ideia de que mudanças fundamentais devem ocorrer na economia contemporânea, como o capitalismo humanístico exige que haja uma mistura dos setores sem fins lucrativos com os setores com fins lucrativos. A filantropia é um conceito fundamental para o capitalismo humanístico. Embora o conceito ainda esteja a crescer, mais de 72% dos empreendedores sociais dizem que angariar dinheiro é um problema, e a angariação de fundos é uma questão importante para os empreendedores sociais, que dependem da filantropia para apoio e financiamento.[2]
Hoje há empresas que já combinam as necessidades do meio ambiente com as necessidades das pessoas. SustainAbility,[3] uma empresa fundada em 1987 define seu propósito como "buscar soluções para desafios sociais e ambientais que agreguem valor a longo prazo" e tem trabalhado em projetos para "identificar oportunidades para inovar produtos e serviços com redução pegada ambiental".[4]
Perspectivas
No artigo seminal do autor estadunidense Willis Harman "Humanistic Capitalism: Another Alternative" (Journal of Humanistic Psychology, volume 14, n.º 1, inverno de 1974) ele escreve:
"...as empresas [devem] assumir uma responsabilidade ativa pela criação de uma sociedade saudável e de um planeta habitável. Não como um gesto para melhorar a imagem corporativa ou como uma responsabilidade moralisticamente assumida, mas porque é a única interpretação razoável de longo prazo de "bons negócios". No final, uma boa política empresarial deve tornar-se uma com uma boa política social"[5]
Ira Rohter, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade do Havaí, promoveu o capitalismo humanístico como forma de restaurar o poder ao povo do Havaí e o ambiente deles. Ele defendeu que todo crescimento fosse sustentável, autossuficiente, e não apenas focado no lucro, mas nas necessidades das pessoas. Outro conceito-chave do capitalismo humanístico, ele acrescentou, é a economia democrática baseada na "cooperação [e] abertura" para atender às necessidades do povo e do meio ambiente do Havaí.[6]
O presidente da Libéria William Tolbert (1971-1980) defendeu o capitalismo humanístico como modelo de desenvolvimento econômico para o seu país.[7] Tolbert descreveu sua forma de capitalismo humanístico como uma combinação da livre iniciativa com o modo de vida altruísta tradicional africano, e a moral e os valores cristãos (ele apelidou os dois últimos componentes de "humanismo").[7][8] Ele declarou em seu discurso anual ao parlamento em janeiro de 1977: "O capitalismo humanístico tem como preocupação primária e interesse central a pessoa individual cujo valor, importância e dignidade devem ser considerados supremos, e nunca devem ser explorados de qualquer maneira, mas sim respeitados e protegidos".[7] Ele admoestou as pessoas ricas (a elite américo-liberiana) a investirem parte da sua riqueza ou dos lucros das suas empresas em projetos para ajudar as massas empobrecidas da Libéria, aumentando a sua qualidade de vida.[9] Para ele, ao criar uma classe média empreendedora maior, o país tornar-se-ia menos dependente de investidores estrangeiros e a Libéria alcançaria algum tipo de autossuficiência (embora Tolbert – ele próprio um empresário de sucesso – permanecesse empenhado no livre comércio). Tolbert permaneceu comprometido com o capitalismo humanístico até seu assassinato em abril de 1980 por soldados que conduziram um golpe de Estado bem-sucedido.
Andrew Yang, um ex-candidado à presidenciável democrata na eleição estadunidense de 2020, defendeu o "capitalismo centrado no ser humano" como o destaque de sua campanha. Yang declarou seu desejo por uma renda básica universal e uma expansão do estado de bem-estar dentro de uma economia capitalista de livre mercado.[10][11][12][13][14]
Ver também
- Capitalismo de bem-estar social
- Economia social de mercado
- Neocapitalismo
- Responsabilidade social corporativa
- Redwashing
Referências
- ↑ «Alliance Magazine Article - Beyond the heroes» (em inglês). 21 de agosto de 2008. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 21 de agosto de 2008
- ↑ «Caroline Hartnell» (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025. Arquivado do original em 21 de agosto de 2008
- ↑ «SustainAbility» (em inglês). SustainAbility Limited. Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ «Client Case Studies» (em inglês). Consultado em 27 de junho de 2008. Arquivado do original em 26 de julho de 2010
- ↑ Harman, Willis W. (1 de janeiro de 1974). «Humanistic Capitalism: Another Alternative». Journal of Humanistic Psychology (em inglês) (1): 5–32. ISSN 0022-1678. doi:10.1177/002216787401400102. Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ «Ira Rohter» (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025. Arquivado do original em 17 de novembro de 1999
- ↑ a b c Sankawulo, Wilton (1977). On Humanistic Capitalism: An Interpretation of the Socio-economic Philosophy of President William R. Tolbert, Jr (em inglês). [S.l.]: Ministry of Information, Cultural Affairs and Tourism. Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ Jackson, Robert H.; Jackson, Robert Houghwout; Rosberg, Carl Gustav (1 de janeiro de 1982). Personal Rule in Black Africa: Prince, Autocrat, Prophet, Tyrant (em inglês). [S.l.]: University of California Press. Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ Service, United States Joint Publications Research (1978). Translations on Sub-Saharan Africa (em inglês). [S.l.: s.n.] Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ Yang, Andrew. «Human-Centered Capitalism». Yang2020 - Andrew Yang for President (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025. Arquivado do original em 4 de setembro de 2019
- ↑ «Andrew Yang: We need a human-centered capitalism». Big Think (em inglês). 1 de julho de 2019. Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ Harwood, John (2 de outubro de 2019). «2020 candidate Andrew Yang: 'The fundamentals that we assume to be true about capitalism are now breaking down'». CNBC (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ Wiseman, Luke (27 de abril de 2023). «The Economics Review at USC». The Economics Review at USC (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ Piper, Kelsey (6 de março de 2020). «What Andrew Yang is doing next: A push for UBI and "human-centered capitalism"». Vox (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025