Capitão-paxá
O capitão-paxá (em turco otomano: قپودان پاشا; em turco moderno: Kaptan Paşa), também conhecido como Kapudan-ı Derya (em turco otomano: قپودان دریا), "Capitão do Mar") era o grande almirante da marinha do Império Otomano. Tipicamente, ele estava baseado em Gálata e Galípoli durante o inverno e era responsável pelas navegações anuais nos meses de verão.[1] O título de capitão-paxá é atestado apenas a partir de 1567; designações anteriores para o comandante supremo da frota incluíam Derya Bey ("bei do mar") e Re'is Kapudan ("capitão principal").[2]
O título deria bei como um posto oficial dentro da estrutura do estado otomano teve origem durante o reinado de Bajazeto I (r. 1389–1402). Após a queda de Constantinopla em 1453, Maomé II, o Conquistador elevou Baltaoğlu Solimão Bei ao status de sanjaco-bei por seus esforços contra os bizantinos no Chifre de Ouro. Baltaoğlu recebeu o sanjaco de Gelibolu (a principal base naval otomana) e os cazaa de Gálata (até a conquista uma colônia genovesa) e de İzmit (cuja remessa de impostos consistia em madeira para navios).[1]
O sucesso de Barbaros Hayreddin Paşa (Barba-Ruiva), capitão-paxá entre 1534 e 1546 fez com que o capitão-paxá fosse elevado aos cargos de bei dos beis e vizir em 1535, com seus territórios sendo expandidos para o eialete do Arquipélago e Argel. Os sucessores de Hayreddin herdaram esses territórios, mas viram seu posto rebaixado a vizir de duas caudas de cavalo por vários séculos.[1]
A residência oficial do capitão-paxá ficava no Divankhane no Arsenal Imperial no Chifre de Ouro, mas ele frequentemente estava ausente, pois seu governo do eialete do Arquipélago implicava visitar suas várias províncias pessoalmente a cada ano. O posto era de grande poder e prestígio dentro da hierarquia otomana: Evliya Çelebi relata que ele tinha uma renda anual de 885 000 akçe de prata. Rendimentos adicionais, no montante de 300 000 kuruş nos séculos XVIII e XIX, provinham do arrendamento de várias ilhas do Egeu para arrendatários de impostos (iltizam).[2]
O auge do posto de capitão-paxá ocorreu no século XVI, quando uma sucessão de titulares capazes elevou o poder naval otomano ao seu máximo, garantindo por um tempo sua supremacia no Mediterrâneo. Embora, em teoria, o posto só pudesse ser preenchido por um almirante em exercício (Kapudan-i Hümayun), um chefe do Arsenal Imperial (Tersane Kethüdasi) ou, pelo menos, pelo sanjaco-bei de Rodes, a partir do início do século XVII a nomeação de favoritos da corte e/ou pessoas sem experiência militar ou naval marcou o início do declínio naval otomano.[2]

Como parte das reformas do período Tanzimat de 1839-1876, o eialete do Arquipélago foi rebaixado de posto e concedido ao uale de Rodes em 1848. Os capitães-paxás mantiveram seu posto, mas passaram a ser exclusivamente militares.
Um total de 161 capitães serviram até 13 de março de 1867, quando o posto de Derya Kaptan foi abolido[3] e substituído por ministros (Bahriye Nazırı) do Ministério da Marinha Otomana. Após 1877, estes foram substituídos pelos Comandantes da Frota.
Referências
- ↑ a b c Shaw, Stanford J. History of the Ottoman Empire and Modern Turkey, Vol. 1, pp. 131 ff. Cambridge University Press (Cambridge), 1976. Acessado em 12 de setembro de 2011.
- ↑ a b c Ozbaran, S. (1978). "Ḳapudan Pas̲h̲a". In van Donzel, E.; Lewis, B.; Pellat, Ch. & Bosworth, C. E. (eds.). The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume IV: Iran–Kha. Leiden: E. J. Brill. pp. 571–572. OCLC 758278456
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