Capela real do Tesouro de San Gennaro

A Capela Real do Tesouro de San Gennaro é uma capela de arquitetura barroca na Catedral de Nápoles construída a mando dos napolitanos como um voto a San Gennaro.
Esta é uma das maiores expressões artísticas da cidade,[1]quer pela concentração e prestígio das obras aí albergadas, quer pelo número de artistas de renome internacional que participaram na sua criação. As decorações pictóricas e os frescos do interior, executados principalmente por Domenichino e Lanfranco, fazem da capela o epicentro da pintura barroca emiliana em Nápoles.
Graças a várias bulas papais, a capela real não pertence à Cúria do Arcebispo, mas à cidade de Nápoles, representada por uma antiga instituição cívica, ainda hoje existente, a Deputação, e pelos Sedili di Napoli.
Desde 2003, algumas salas adjacentes à capela albergam o Museu do Tesouro de San Gennaro, que expõe ex-votos e donativos oferecidos ao santo ao longo de aproximadamente sete séculos por reis, papas e personalidades ilustres da aristocracia napolitana e europeia.
História
A Delegação do Tesouro
A construção da capela está relacionada com os anos difíceis que Nápoles durante a primeira metade do século XVI viveu, caracterizados por conflitos bélicos além-fronteiras e dentro da cidade, crises de pestilência e erupções vulcânicas.
Conflitos internos ocorreram por volta de 1527, quando o pretendente angevino, aproveitando a ausência do vice-rei de Nápoles, ocupado com as tropas de Carlos V, e a morte do seu tenente Andrea Carafa, conde de Santa Severina, tentou reconquistar o Reino de Nápoles desembarcando com os seus soldados em Gaeta e Salerno. Após estes acontecimentos, o general Lautrec, comandando os franceses, chegou às muralhas de Nápoles e cercou-a, impedindo o fornecimento de alimentos e, segundo alguns historiadores, entre os quais Pietro Giannone, envenenando também as águas que abasteciam a cidade. Isto provocou um ressurgimento da peste que já estava a dizimar os napolitanos, resultando em aproximadamente 250.000 mortes.
No mesmo período, o Vesúvio também contribuiu para devastar a cidade com uma erupção acompanhada por uma série de terramotos diários que a destruíram.
Após estes acontecimentos, o povo napolitano decidiu recorrer ao seu santo padroeiro e, a 13 de Janeiro de 1527, aniversário da translação dos ossos de San Gennaro de Montevergine para Nápoles, fizeram um voto de lhe erguer uma nova e mais bela capela no duomo, uma vez que a foi relegada para uma estreita torre posicionada à esquerda da entrada da catedral. O compromisso foi assumido solenemente e para dar ainda mais valor ao voto os napolitanos redigiram o documento, assinado pelos "eleitos da cidade", perante um notário, no altar-mor da catedral com um "instrumento público redigido pelo notário Vincenzo de Bossis".[2]
Bibliografia
- Giovan Pietro Bellori, Le vite de' pittori, scultori et architetti moderni, Roma 1672, ed. a cura di E. Bora, Torino 1976.
- Giuseppe De Miranda, La Badia di S.Biagio in Mirabella Eclano, Napoli, 1938.
- A. Di Niscia, Storia civile e letterari del Regno di Napoli, Napoli 1846.
- Gino Doria, Storia di una capitale Napoli dalle origini al 1860, Napoli 1952.
- Giuseppe Maria Galanti, Nuova descrizione storica e geografica delle due Sicilie, Napoli 1788 tomo II Gabinetto Letterario.
- Pietro Giannone, Istoria civile del regno di Napoli, Milano Borroni e Scotti 1846.
- C. Guerra, Pitture della cappella del Tesoro di San Gennaro, nella Cattedrale di Napoli, in M. Gualandi, “Memorie originali di Belle Arti”, serie V, n. 178, 1844.
- Paolo Jorio e Franco Recanatesi, Le dieci meraviglie del Tesoro di San Gennaro, Poligrafico dello Stato Roma, 2010.
- Giuseppe Morelli, Discorso pronunziato in occasione del suo possesso canonico ad Abate del Tesoro di S.Gennaro, Napoli, 1971.
- Denise Pagano, In Paradiso: gli affreschi del Lanfranco nella Cappella del Tesoro di San Gennaro Electa, Napoli, 1996.
- H. Röttgen, Il Cavalier Giuseppe Cesari d'Arpino. Un grande pittore nello splendore della fama e nell'incostanza della fortuna, Bozzi, Roma, 2002.
- Franco Strazzullo, La Real Cappella del Tesoro di S. Gennaro: documenti inediti, Napoli, Società Editrice Napoletana, 1978.
- Franco Strazzullo, La Cappella di San Gennaro, Istituto Grafico Editoriale Italiano, Napoli, 1994.
- Franco Strazzullo, Napoli e San Gennaro, Fondazione Pasquale Corsicato, Napoli 1997.
Referências
- ↑ Touring Club Italiano p. 217.
- ↑ Lo storico documento, datato 13 gennaio 1527 è oggi conservato ed esposto nel Museo del Tesoro di san Gennaro: Die XIII Ianuarii 1527, Neapoli.