Caparazão
Caparazão ou caparação (do espanhol caparazón) é um tipo de xairel pendente na sela dos cavalos, bem como uma armadura por eles utilizada.[1] Compreende o caparazão propriamente dito, o cervical, que cobre o pescoço do cavalo, a testeira e o chanfro (parte frontal da cabeça do cavalo). Na Antiguidade greco-latina, o caparazão era uma simples pele de animal lançada sobre o cavalo epiblema (em grego: ἐπίβλημα epíblēma) ou efípio (em latim: ephippium), cujas patas se cruzavam sobre o peito do animal.[2]
Tauromaquia
Na tauromaquia, o caparazão recebe o nome de peto quando é empregado para proteger o cavalo do picador.[3] Ele já existia na França desde o fim do século XIX sob a forma de um avental de couro espesso guarnecido de ferro do lado direito. Essa guarnição é geralmente composta por uma série de lâminas de metal costuradas lado a lado entre duas espessuras do couro do avental. Este envolve completamente o corpo do cavalo, passa inclusive entre as pernas, diante do peito, e só é perfurado por dois pequenos orifícios redondos dispostos no lugar onde deve ser aplicado o golpe de espora.[4]
Esse caparazão não era satisfatório. Assim, nos anos de 1924–1925, dois nemenses, Jacques Heyral, que era fornecedor de cavalos, e seu amigo Sudre, que fabricava ombreiras, tiveram a ideia de acolchoar o simples plastrão existente, interpondo enchimento de ombreiras entre as duas folhas e acrescentando algodão. Fizeram o teste golpeando violentamente o cavalo coberto com seu caparazão, com uma lança. O animal não ficou ferido; o ensaio foi conclusivo. Para convencer os picadores a utilizarem esse modelo, os dois franceses enviaram um exemplar ao duque de Verágua, que era presidente dos criadores espanhóis. Outros testes ocorreram em Nimes em 25 de abril de 1926 nas arenas, contra seis touros de Estebán Hernández. O caparazão mostrou-se satisfatório para o cavalo, mas os picadores espanhóis exigiram uma modificação da lança para que fosse mais forte contra esse peto francês que, segundo eles, favorecia o touro.[5]
O general Primo de Rivera, então ministro do rei Afonso XIII, interveio em uma carta publicada na imprensa, na qual declarava, entre outras coisas, que era preciso estudar a maneira de diminuir o número de cavalos sacrificados sem diminuir o atrativo da corrida.[5] O ensaio dos caparazões foi realizado durante uma novilhada em 6 de março de 1927 na antiga praça de Madri. Dez modelos estavam em competição. O modelo escolhido foi o de Estebán Arteaga. Esse caparazão tinha tamanho e peso comparáveis aos dos «blindados» e formava um muro contra o qual o touro bravo se extenuava. O caparazão tornado obrigatório na Espanha por decreto de 7 de março de 1928 tinha por objetivo pôr fim às eviscerações de cavalos sacrificados por picadores incompetentes que já não possuíam a ciência nem a força de seus predecessores para preservar o seu cavalo.[4]
Referências
- ↑ «Caparazão». Priberam. Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ Rouaix 1900, p. 214.
- ↑ Bérard 2003, p. 744.
- ↑ a b Casanova & Dupuy 1981, p. 127.
- ↑ a b Bérard 2003, p. 745.
Bibliografia
- Bérard, Robert (2003). Histoire et dictionnaire de la Tauromachie. Paris: Bouquins Laffont. ISBN 2-221-09246-5
- Casanova, Paul; Dupuy, Pierre (1981). Dictionnaire tauromachique. Marselha: Jeanne Laffitte. ISBN 2-86276-043-9
- Rouaix, Paul (1900). Dictionnaire des arts décoratifs. Paris: A la librairie illustrée