Quemaque (Erzinjane)

Quemaque
Kemah
Distrito (ilçe)
Localização
Distrito dentro da província
Distrito dentro da província
Distrito dentro da província
Quemaque está localizado em: Turquia
Quemaque
Localização de Quemaque na Turquia
Coordenadas 🌍
País Turquia
Região Anatólia Oriental
Província Erzinjane
Características geográficas
Área total [1] 2 311 km²
População total (dezembro de 2021) [2] 7 374 hab.
 • População urbana 2 908
Densidade 3,2 hab./km²

Quemaque (em turco: Kemah; em curdo: Kemax)[3] ou Camaque (em armênio: Կամախ; romaniz.: Kamaχ) é um município e distrito da província de Erzinjane, na Turquia. O distrito tem 2 311 km² de área[1] e em dezembro de 2021 tinha 7 374 habitantes (densidade: 3,2 hab./km²), dos quais 2 908 na capital de Quemaque.[2] Está localizada na margem esquerda do Eufrates armênio (Frati), próximo às ruínas da antiga fortaleza de Ani, cerca de 42–44 quilômetros a sudeste de Erzinjane, sobre um planalto de solo escuro, cercado por uma extensa planície arborizada e com vegetação.

Quemaque, identificada possivelmente com a antiga Cumaca dos registros hititas, teve grande importância histórica e religiosa na Antiguidade. Foi a cidade santa de Ani e talvez a primeira capital da Armênia Menor após a Paz de Apameia. Nela existiam templos dedicados às divindades Anaíte e Aramasde, e mais tarde serviu como necrópole dos reis arsácidas até ser destruída pelos sassânidas, com apoio de nobres armênios. Durante o início da Idade Média, sob o nome de Camaca, tornou-se uma fortaleza fronteiriça disputada entre bizantinos e muçulmanos, integrando depois o tema bizantino da Mesopotâmia até ser perdida após a Batalha de Manzicerta, em 1071.

Nos séculos seguintes, Quemaque tornou-se um centro cultural e comercial. No século XV, destacou-se pela produção de manuscritos armênios, e em 1515 passou ao domínio otomano. No final do século XIX, possuía uma população mista de armênios e turcos, com vida econômica baseada em ofícios e comércio local. A comunidade armênia, entretanto, foi dizimada durante o genocídio de 1915, quando milhares foram mortos no desfiladeiro de Quemaque. Antes da tragédia, a cidade contava com escola armênia e mercado ativo, com os armênios predominando nas atividades artesanais e comerciais. Após o genocídio, praticamente não restaram armênios na região.

História

Antiguidade

É possível que Quemaque seja o sítio da antiga cidade de Cumaca (Kummaha), que aparece nos registros hititas.[4] Séculos depois, era a importante fortaleza e cidade santa de Ani (Անի), sede do distrito de Daranália.[5] Esse nome pode ter alguma relação com uma tribo oriunda de Atropatena que migrou à Armênia ou mais provavelmente com o nome da deusa Anaíte.[6] Provavelmente deve ser a Atua (*Anua) mencionada por Ptolemeu.[5] Nela existiam templos dedicados a Anaíte[7] e Aramasde (associado a Zeus)[5][8] e aparentemente foi a primeira capital do Reino da Armênia Menor no rescaldo da Paz de Apameia (188 a.C.).[9][10] O cronista siríaco Bardasã de Edessa (154–222) instalou-se na cidade por algum tempo.[11] A cidade tornar-se-ia sede da necrópole dos reis arsácidas da Armênia até sua eventual destruição pelos iranianos do Império Sassânida.[12] Segundo Fausto, o Bizantino, a necrópole foi tomada com apoio do nobre armênio (nacarar) Meruzanes I, que ajudou os atacantes romperam as defesas de Ani e pilharam a fortificação e as tumbas dos reis arsácidas, exceto a de Sanatruces I.[13]

Idade Média

Durante o início da Idade Média, sob o nome de Camaca / Camacão (Κάμαχα, Κάμαχον, Kámacha, Kámachon), foi uma fortaleza fronteiriça estrategicamente importante nas guerras entre o Império Bizantino e os Califados Omíada e Abássida. Caiu pela primeira vez aos muçulmanos em 679 e mudou de mãos amiúde até meados do século IX (cf. Cerco de Camaca), quando o controle bizantino foi consolidado. Segundo Constantino VII, no final do século IX formou uma turma no tema de Coloneia. Sob o imperador Leão VI, o Sábio (r. 886–912), foi unida ao distrito de Celzena para formar o novo tema da Mesopotâmia. Pouco se sabe sobre o sítio depois disso, exceto que era a sede de um bispado chamado "Armênia". Os bizantinos perderam o controle da área após a Batalha de Manzicerta em 1071.[14]

Modernidade

No século XV, Quemaque se tornar centro de escrita e cópia de manuscritos. Foram copiados vários manuscritos, dentre os quais dois são conhecidos: um Čašots, escrito em 1439 sob o patrocínio de Quermã Catum, e um Maštots, escrito nas décadas de 50 e 80.[11] Em 1515, Quemaque foi conquistada pelo Império Otomano. Nos séculos XIX–XX, era uma localidade comum, servindo como centro do caza (distrito) homônimo. Em 1872–73, possuía cerca de dois mil habitantes armênios e turcos. No início do século XX, a população chegou a 15 mil pessoas, aproximadamente metade armênios. Segundo outras fontes, em 1914, a localidade tinha sete mil habitantes, dos quais três mil eram armênios. A deslocação forçada e o massacre da população armênia começaram em maio de 1915. Poucos conseguiram escapar, buscando refúgio junto aos curdos em Dersim.[6] Sabe-se que o desfiladeiro de Quemaque foi palco de massacres. Em um caso, 25 mil armênios foram mortos num dia ao jogar as vítimas de um desfiladeiro íngreme no rio Eufrates.[15] Posteriormente, esses sobreviventes se reassentaram em Erzinjane, mas após o genocídio, não restaram mais armênios em Quemaque. Apenas 2–3 anos depois, cerca de 100 migrantes armênios conseguiram se reinstalar na região.[6]

Em Quemaque, havia mais de 15 tipos de ofícios, todos de importância local. A localidade estava conectada a Erzinjane e Acne (atual Quemalie) por uma rota comercial. Possuía um pequeno mercado, cercado por cerca de 100 barracas e oficinas. O comércio era principalmente varejista. No mercado eram vendidos produtos agrícolas, construções artesanais e, em parte, mercadorias diversas provenientes de Erzinjane e Acne. O comércio e os ofícios estavam principalmente nas mãos dos armênios, enquanto estes se dedicavam relativamente pouco à agricultura.[16] Nos anos 1870, funcionava em Quemaque uma escola armênia mista de dois sexos, vinculada à igreja da Santa Mãe de Deus. No período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, a escola tinha 75 alunos e três professores, mas em 1872–73 o número de estudantes havia caído para apenas 24. O copista Gregório de Daranália (1576–1643) diversos líderes do movimento de libertação armênio são naturais de Quemaque.[11]

Geografia

Quemaque está localizada na margem esquerda do Eufrates armênio (Frati), próximo às ruínas da antiga fortaleza de Ani, cerca de 42–44 quilômetros a sudeste de Erzinjane, sobre um planalto de solo escuro, cercado por uma extensa planície arborizada e com vegetação. É uma região abundante em água, atravessada pelo afluente Tanazor do Eufrates. Para consumo, a população trazia água por canalizações a partir de fontes frias próximas.[6] Entre os monumentos históricos e antigas construções de Quemaque, o mais famoso é o castelo, cuja data de fundação é desconhecida. Próximo ao castelo havia uma passagem subterrânea que atravessava o Eufrates, conectando dois bairros subterrâneos. No primeiro bairro, à esquerda do Eufrates, existiam quartéis, palácios com salões e quartos, todos escavados na rocha. O outro bairro, à direita do rio, era simplesmente uma igreja escavada na rocha. Nas proximidades do castelo, observam-se muitas outras antigas construções históricas, sobre as quais é difícil afirmar algo com precisão. No século XIX e início do XX, Quemaque possuía quatro igrejas, das quais duas ainda estavam em pé antes da Primeira Guerra Mundial, enquanto as outras duas provavelmente foram destruídas no século XVIII. Próximo à cidade havia o mosteiro de São Tadeu, também chamado de Deserto do Iluminador.[11]

Composição

O distrito de Quemaque é formado por 73 vilas (köy):[2]

  • Aachessarai (Ağaçsaray)
  • Aquebudaque (Akbudak)
  • Aquecha (Akça)
  • Aquetaxe (Aktaş)
  • Aquiunlu (Akyünlü)
  • Alpecoi (Alpköy)
  • Atma
  • Airanpenar (Ayranpınar)
  • Bexicli (Beşikli)
  • Boazichi (Boğaziçi)
  • Bozolaque (Bozoğlak)
  • Chaquerlar (Çakırlar)
  • Chalgue (Çalgı)
  • Chaleclar (Çalıklar)
  • Chanleiaila (Çamlıyayla)
  • Chidenli (Çiğdemli)
  • Dedeque (Dedek)
  • Dedeolu (Dedeoğlu)
  • Derecoi (Dereköy)
  • Diquiamache (Dikyamaç)
  • Doambeili (Doğanbeyli)
  • Doancoi (Doğanköy)
  • Doruja (Doruca)
  • Dutlu
  • Elgarle (Ilgarlı)
  • Elmale (Elmalı)
  • Eriche (Eriç)
  • Esinli (Esimli)
  • Esquibalar (Eskibağlar)
  • Guediquetepe (Gediktepe)
  • Gocaia (Gökkaya)
  • Golcainaque (Gölkaynak)
  • Gulbaqueche (Gülbahçe)
  • Caquebilir (Hakbilir)
  • Iaja (Yağca)
  • Iaxiler (Yahşiler)
  • Iardere (Yardere)
  • Iastequetepe (Yastıktepe)
  • Injedere (İncedere)
  • Iujebelene (Yücebelen)
  • Carajacoi (Karacaköy)
  • Carada (Karadağ)
  • Cardere (Kardere)
  • Caiabaxe (Kayabaşı)
  • Cazancaia (Kazankaya)
  • Cochecar (Koçkar)
  • Comurcoi (Kömürköy)
  • Conuquessever (Konuksever)
  • Coruiolu (Koruyolu)
  • Cuplu (Küplü)
  • Cutluova (Kutluova)
  • Jevislique (Cevizlik)
  • Maquessutuxae (Maksutuşağı)
  • Mermerli
  • Mesraa (Mezraa)
  • Murateboinu (Muratboynu)
  • Ouscoi (Oğuzköy)
  • Oluquepenar (Olukpınar)
  • Osdamar (Özdamar)
  • Parmacaia (Parmakkaya)
  • Quedeque (Kedek)
  • Quemeriaca (Kemeryaka)
  • Querer (Kerer)
  • Querequedere (Kırıkdere)
  • Sareiaze (Sarıyazı)
  • Seringoze (Seringöze)
  • Surecoi (Sürekköy)
  • Tanderbaxe (Tandırbaşı)
  • Tancoi (Tanköy)
  • Tasbulaque (Taşbulak)
  • Tuzla
  • Uluchenar (Uluçınar)
  • Xaquintepe (Şahintepe)

Referências

Bibliografia

  • Avcıkıran, Adem (2009). Kürtçe Anamnez Anamneza. Diarbaquir: Diyarbakır Tabip Odası 
  • Canepa, Matthew P. (2018). The Iranian Expanse: Transforming Royal Identity through Architecture, Landscape, and the Built Environment, 550 BCE–642 CE. Berkeley: University of California Press 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachussetes: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Foss, Clive (1991). «Kamacha». In: Kajdan, Alexander. The Oxford Dictionary of Byzantium. Oxônia e Nova Iorque: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Կամախ». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House 
  • Hewsen, Robert H. (1992). The Geography of Ananias of Širak. The Long and Short Recensions. Introduction, Translation and Commentary. Wiesbaden: Dr. Ludwig Reichert Verlag 
  • Hewsen, Robert H. (2001). Armenia: A historical Atlas. Chicago e Londres: Imprensa da Universidade de Chicago. ISBN 0-226-33228-4 
  • Kévorkian, Raymond H. (2011). The Armenian genocide : a complete history. Londres: I. B. Tauris. ISBN 978-1-84885-561-8 
  • Petrosyan, Armen (2012). «The Cities of Kumme, Kummanna and Their God Teššub/Teišeba». In: Huld, M.; Jones-Bley, K.; Miller, D. Archaeology and Language: Indo-European Studies Presented to James P. Mallory, Journal of Indo-European Studies, Monograph 60. Washington: Institute for the Study of Man. pp. 141–156 
  • Petrosyan, Armen (2015). Problems of Armenian Prehistory. Myth, Language, History. Erevã: Gitutyun. ISBN 9785808012011