Código de pontos (ginástica artística)
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O Código de pontos ou código de pontuação é, na ginástica artística, o sistema de avaliação usado pela Federação Internacional de Ginástica (FIG).
É nele que se baseiam os praticantes da modalidade ginastica artística, bem como árbitros e todos os envolvidos com os desportos. Elaborado pela FIG, é ele quem rege o andamento de todas as competições internacionais a nível de apresentações - segurança e dificuldade das rotinas realizadas.
Funções
O código da (FIG) é utilizado para pontuar os eventos da ginástica em nível internacional, como os Mundiais e os Jogos Olímpicos. As Confederações Nacionais possuem um código interno. Contudo, geralmente utilizam do código elaborado pela Federação Internacional, para a pontuação dos Campeonatos Nacionais de elite.[1] Sob este código, estão também as demais ginásticas - rítmica, acrobata, aeróbica e de trampolim. Porém, cada qual possui suas especificidades e Códigos próprios.[2]
Características
No código constam todas as informações sobre as condutas dos ginastas, treinadores e árbitros, além de conter as descrições para validação de elementos, as tabelas de despontuação, tabelas de valores de ligação, tabelas e grupos de elementos com suas classificações de A a J e as descrições da execução de cada um deles.[1][2]
Criação e surgimento
A ginástica, enquanto modalidade artística, está presente desde a primeira Olimpíada da Era Moderna, em 1896, com as provas de argolas, barra fixa, barras paralelas, cavalo com alças, salto sobre o cavalo e subida em corda lisa. Contudo, mesmo fazendo parte da primeira edição olímpica, alguns problemas eram evidentes: os árbitros não tinham regras a seguir e cada ginasta podia levar o seu aparelho, tornando inexistente a uniformidade. Como solução a todos esses problemas, em 1948, em Londres, foi produzido o primeiro Código de Pontuação.[3]
O Antigo código

O velho código trabalhou sob o sistema de pontuação dez (10,0). Logo, a nota limite a ser atingida, era o dez. Este sistema trabalhava dividido em quatro critérios.[4][5]
- Habilidades: A cada elemento acrobático e artístico era dada uma dificuldade específica de classificação, variando entre A e Super-E, na Tabela de Elementos. O ginasta conquistava pontos bônus realizando as competências difíceis (seus movimentos pontuados) separadamente umas das outras ou através das sequências (elementos artísticos, as passadas).
- Elementos obrigatórios: A composição da rotina era decidida pelo ginasta e pelo seu treinador. Contudo, em todos os aparelhos, a exceção do salto, havia na Tabela os elementos que deveriam ser executados durante a rotina. A exemplo de elemento e obrigatório, está o giro gigante: a vota de 360 graus realizada nas barras assimétricas e na barra fixa.
- Base de pontuação: A pontuação base era o padrão de valor inicial da rotina - o ginasta preenchia-a com todos os elementos necessários. Isso foi alterado ao longo dos anos, tendendo diminuido o limite mínimo de pontos. Por exemplo, entre 1992 e 1996, a pontuação mínima exigida era de 9,2 e entre 2000 e 2004, já era de 8,8.
- Valor inicial: O valor inicial é a combinação da pontuação base e dos bônus adicionados pelo ginasta. É o valor de suas passadas, movimentos de ligação e elementos obrigatórios. Idealmente, o ginasta procurava ter sua nota inicial o mais perto do 10 quanto fosse possível.
O novo código
Em 2006, o Código de Pontuação, juntamente a toda a característica do sistema da ginástica, fora revisto sob a alegação de irregularidades nos julgamentos[5][6] dos eventos nas Olimpíadas de Atenas, que puseram à prova a objetividade e a fiablidade do sistema em questão.[7][8]
A primeira ginasta a ser campeã mundial sob o modificado código, foi a italiana Vanessa Ferrari. Ainda que tendo cometido erros durante sua execução, ela manteve a medalha de ouro do concurso geral por ter em sua rotina, movimentos de dificuldade mais elevados que as demais competidoras.[9] Apesar das constantes oposições ao novo código e das controvérsias de sua modificação, o mesmo fora mantido para dar ênfase ao avanço do desporto, à objetividade do julgamento e a promover qualificações de níveis elevados.
Elaborações gerais


Em vias gerais, o código é atualizado a cada término do ciclo olímpico, isso significa novas mudanças a cada quatro anos. Nele são feitas importantes revisões a fim de demonstrar as tendêndias de mudanças no esporte e modificar a Tabela de Elementos - retirando movimentos desvalorizados e adicionando novas competências que os ginastas apresentam (como o movimento Dos Santos).[2][5]
Elaborações específicas
A FIG possui uma nova regra de âmbito abrangente, que foi adotada em 2006, quando resolveu-se separar as notas de dificuldade das notas de execução.[2] No total, para avaliar-se uma prova de ginástica, são escalados nove árbitros. O primeiro deles é o coordenador da banca. Os demais, dividem-se entre os grupos A e B.[10]
Para poderem avaliar uma série, os árbitros dividem os elementos em sete grupos de valor: A,B,C,D, E, F e G, onde "A" é o elemento mais fraco e "G" (apenas paras as provas femininas. As provas masculinas param na F), o elemento mais forte. Nesse caso, todos os aparelhos tem em comum a necessidade de uma série com os elementos citados em suas respectivas quantidades. Apenas o salto possui um valor máximo já pré-estabelecido. Para se chegar ao somatório final que valida a performance de um ginasta, dois painéis são utilizados:
- O primeiro é o critério D (ou critério de Dificuldade), que avalia o conteúdo dos exercícios sob três aspectos. São eles: dificuldade de valor, requisitos de composição e valor de conexão.
- - DV: Nesta parte da avaliação ficam os elementos a serem executados pelo ginasta. Aqui valida-se seus oito movimentos obrigatórios e de valores mais elevados, cada qual com seu grau de dificuldade. Por exemplo: Um salto Layout back possui nível de dificuldade A e vale 0,1. Enquanto um movimento G vale 0,7.
- - RV: Possui pontuação máxima de 2,500 e baseia-se em grupos de cinco elementos. Os ginastas podem atender as exigências da RV e da DV ao mesmo tempo.
- - CV: Possui a pontuação dos movimentos de passada dos ginastas, seus movimentos de ligação. Seus valores variam entre 0,1 e 0,2.
- O segundo, é o critério E (ou critério de Execução), onde são avaliados o desempenho artístico e da execução dos elementos em si. A pontuação máxima deste é dez. A partir disso, começa-se a descontar. Para erros onde o ginasta se desliga do aparelho é feito um desconto de um para erros considerados pequenos, médios e grandes, os descontos são de 0,1, 0,3, 0,5 e 1,0 respectivamente.
Eis um exemplo de cálculo: Supondo que um ginasta tenha sua nota de partida, avaliada pela banca A, em 6,500 e suas notas de execução, avaliadas pela banca B, em 9,500 - 9,250 - 9,100 - 9,500 - 10,000 - 9,500. Primeiro, retira-se a maior e a menor notas. Depois, tira-se a média B, que nesse caso é de 9,437. A nota final do ginasta, desse modo é de 15,935 (A + B).
Referências
- ↑ a b Paoliello, Elizabeth. «O UNIVERSO DA GINÁSTICA: EVOLUÇÃO E ABRANGÊNCIA». Ginastica.com. Consultado em 9 de novembro de 2008
- ↑ a b c d «Code of Points» (em inglês). FIG site. Consultado em 10 de outubro de 2008. Arquivado do original em 21 de fevereiro de 2009
- ↑ «A ginástica se transformou em esporte». EFMuzambinho. Consultado em 22 de novembro de 2008[ligação inativa]
- ↑ «Ginástica Artística - Regras». Ginastica.com
- ↑ a b c «Code of Points» (em inglês). GymMedia. Consultado em 10 de novembro de 2008
- ↑ «Federação de Ginástica reclama de erros de juízes». Terra Esportes. Consultado em 10 de outubro de 2008
- ↑ «FIG considers gymnastics rule changes» (em inglês). NBC Sports. Consultado em 10 de outubro de 2008
- ↑ Armour, Nancy. «Scoring changes in gymnastics studied» (em inglês). USA Today. Consultado em 10 de outubro de 2008
- ↑ «Dasha's near miss» (em inglês). Herald Sun. Consultado em 10 de outubro de 2008
- ↑ «Regras e julgamento». SolBrilhando. Consultado em 10 de outubro de 2008. Arquivado do original em 30 de outubro de 2008
Ligações externas
- «FIG - Federação Internacional de Ginástica» (em inglês). www.fig-gymnastics.com
- «Código de Pontos - Site FIG» (em inglês, francês, e alemão). www.sportcentric.com
- «COI - Comitê Olímpico Internacional» (em inglês). www.olympic.org
- «COB - Comitê Olímpico Brasileiro». www.cob.org.br