Cássia Eller (álbum de 1994)

Cássia Eller
Álbum de estúdio de Cássia Eller
Lançamento13 de junho de 1994
GravaçãoAbril de 1994
Estúdio(s)Mosh Studios
(São Paulo)
Gênero(s)
Duração48:58
Idioma(s)
  • Português
  • Inglês
Formato(s)CD  · cassete  · vinil
Gravadora(s)PolyGram · Universal Music
ProduçãoGuto Graça Mello
Cronologia de Cássia Eller
Singles de Cássia Eller
  1. "Malandragem"
    Lançamento: 5 de maio de 1994 (1994-05-05)

Cássia Eller é o terceiro álbum de estúdio da cantora brasileira Cássia Eller, lançado em 13 de junho de 1994, pela PolyGram e Universal Music.[1] As gravações do disco ocorreram em abril de 1994, durante a licença-maternidade de Eller, sob a produção musical de Guto Graça Mello, nos estúdios Mosh, em São Paulo.[2]

Musicalmente, embora ainda apresente o gênero musical de assinatura de Eller, o pop rock, incluí canções que perpassam por outros gêneros característicos da artista como blues, o samba e o baião. Do projeto, que conta com 13 faixas, das quais apenas "Malandragem" foi lançada como o single do projeto, em 5 de maio de 1994 (1994-05-05). Posteriormente, tornou-se uma das canções mais famosas da artista e uma das mais executadas pelas estações de rádio do Brasil em 2001, ao ser regravada no registro ao vivo Acústico MTV (2001).

Produção e gravação

"No princípio eu queria fazer um disco só de MPB. Mas eu senti falta de rock e fui selecionar repertório entre os grupos de rock do Brasil. Depois, acabei percebendo que queria mesmo era misturar tudo".

—Eller explicando a inclusão de ritmos no álbum.[3]

Cássia Eller foi gravado em abril de 1994, sob a produção musical de Guto Graça Mello, nos estúdios Mosh, em São Paulo,[2] sem que a PolyGram (hoje Universal Music) soubesse. Isso aconteceu porque a cantora, após o pouco sucesso comercial de seus dois primeiros trabalhos (Cássia Eller e O Marginal), estava decidida a pedir demissão, desanimada com tal situação. As gravações do álbum ocorreu durante o período de licença-maternidade da cantora, que, na época, havia gestado Chicão, há apenas 8 meses antes. Em entrevista para o Jornal do Brasil, Eller detalhou o período: "Nos primeiros dias o Chicão ficou com a babá. Depois pedi para levá-lo ao estúdio e, como ele adorou, acabou indo todos os dias [seguintes]".[2] Segundo Guto, "ela parava as gravações pra amamentar o filho, até que o álbum ficou pronto". Segundo Maria Eugênia, companheira da artista, o garoto gostava de ouvir o disco Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994), da cantora Marisa Monte, o que acabou por inspirar Cássia na seleção do repertório e na gravação. Uma vez apresentado à gravadora, Cássia Eller foi imediatamente aprovado.[4]

Em busca de canções inéditas para compor o repertório de Cássia Eller, a intérprete entrou em contato com uma ampla gama de compositores, mas lamentou não ter recebido retorno significativo de alguns deles: "Infelizmente o Lobão, o Luiz Melodia e o Djavan não tiveram tempo para compor nada, estavam ocupados demais".[3] Dentre às composições incluídas na obra está "E.C.T.", de Nando Reis, Marisa Monte e Carlinhos Brown. De acordo com Eller: "O Nando Reis soube que eu estava fazendo o repertório do disco, me ligou e nos encontramos na casa da Marisa Monte, onde eles me mostraram cinco músicas inéditas".[3] "Malandragem", composta por Cazuza e Frejat, que apesar de ter sido originalmente escrita para Ângela Rô Rô, tornou-se a canção assinatura de Eller.[5] Sobre essa última, a intérprete explicou que, no final de 1993, ainda na fase de produção do álbum, foi apresentada a composição: "A Lucinha Araújo, mãe do Cazuza, me disse que iria dar uma mexida no baú do filho. O Frejat soube e me mostrou a demo dessa música [...]. Fiquei apaixonada ao ouvir a primeira nota".[2]

A canção "1º de Julho" foi composta por Renato Russo (Legião Urbana) como presente para Eller, que havia acabado de ter seu único filho, fruto de um relacionamento com Tavinho Fialho, amigo de Renato e músico de apoio da Legião que havia morrido um ano antes do lançamento de Cássia Eller.[6] Selecionado o repertório, o passo seguinte foi gravar uma fita com acompanhamento apenas de violão, o que a artista admite: "Entreguei esse material para o Márcio Miranda e Paulo Rafael. Interferi muito pouco nisso (arranjos)".[3]

Crítica profissional

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Jornal do Brasil 2 de 4 estrelas.[3]

Edmundo Barreiros, do Jornal do Brasil, emitiu duas de quatro estrelas a Cássia Eller, prezando a variedade de estilos musicais e de colaboradores presentes nele, completando que o único "se não, está nos arranjos, muito limpos e quase burocráticos. Mas nem isso obscurece o brilho da cantora, que cada vez mais se firma como a melhor voz de sua geração".[3] Os críticos da mesma publicação ainda o elegeram o melhor disco de junho de 1994.[7] Antônio Carlos Miguel, crítico do O Globo, avaliou que apesar de nove das 13 faixas serem regravações, "não desmerece um trabalho com potencial para levar sua voz além dos circuitos cult. A produção de Guto Graça Mello procurou dar um tratamento mais pop, eliminando a embalagem instrumental jazz-rock que marcou os dois discos anteriores. Opção até certo ponto perigosa, ou asséptica, mas que funciona".[1] Escrevendo n'A Tribuna, Julinho Bittencourt considera que "sempre bem, ela transita por essas músicas como se estivesse em casa. Sem se preocupar em parecer versátil, vai amadurecendo rapidamente e virando uma especialista em seu gênero".[8]

No Prêmio Sharp de Música Brasileira de 1994, Eller foi laureada como a Melhor Cantora de Pop/Rock, por seu trabalho no álbum.[9] Em 2014, Cássia Eller foi incluso entre os 20 discos essenciais de 1994, por Lúcio Ribeiro, do Universo Online.[10]

Lançamento e recepção comercial

Cássia Eller foi em 13 de junho de 1994, pela PolyGram e Universal Music.[1] A turnê de divulgação da obra começou em outubro de 1994.[11] Na parada de discos publicada pelo jornal O Globo – com base em dados fornecidos pelo instituto Nelson Oliveira Pesquisa e Estudo de Mercado (NOPEM) –, alcançou a sétima colocação entre os álbuns mais vendidos no Brasil, na edição datada em 26 de setembro de 1995.[12] O projeto vendeu em torno de 100 mil cópias.[13]

Faixas

N.º TítuloCompositor(es) Duração
1. "Partners"  Paulo Ricardo · Paulo P.A. Pagni · Luiz Schiavon 4:25
2. "Malandragem"  Cazuza · Roberto Frejat 4:10
3. "E.C.T."  Carlinhos Brown · Nando Reis · Marisa Monte 3:48
4. "Try a Little Tenderness"  Harry Woods · Jimmy Campbell · Reg Conelly 4:18
5. "1º de Julho"  Renato Russo 4:30
6. "Na Cadência do Samba"  Ataulfo Alves · Paulo Gesta 3:15
7. "Lanterna dos Afogados"  Herbert Vianna 3:25
8. "Coroné Antonio Bento"  Luiz Wanderley · João do Vale 3:19
9. "Metrô Linha 743"  Raul Seixas 2:52
10. "Socorro"  Arnaldo Antunes · Alice Ruiz 4:20
11. "Blues do Iniciante"  Frejat ·  · Guto Goffi · Maurício Barros · Cazuza 4:01
12. "Música Urbana 2"  Russo 3:14
13. "Pétala"  Djavan 3:09

Créditos

Partipações especiais

Desempenho nas tabelas musicais

Tabelas semanais
País — Tabela musical (1995) Posição
de pico
Brasil (NOPEM)[12] 7

Referências

  1. a b c Mauro Ferreira (8 de junho de 1994). «CÁSSIA sai da Margem». O Globo. Consultado em 12 de janeiro de 2012 
  2. a b c d Ribeiro, Marili (5 de maio de 1994). «Rádio toca Cazuza inédito». Jornal do Brasil. Consultado em 7 de maio de 2017 
  3. a b c d e f Ribeiro, Marili (8 de maio de 1994). «A mistura de Cássia Eller». Jornal do Brasil. Consultado em 7 de maio de 2017 
  4. «Tímida, Rebelde, Inimitável». Rolling Stone. Consultado em 11 de fevereiro de 2012 
  5. «A história da música Malandragem, sucesso na voz de Cássia Eller». Letras.mus.br. Consultado em 5 de agosto de 2021 
  6. Fuscaldo (2016), p. 164
  7. Ribeiro, Marili (5 de julho de 1994). «Disco do mês: Cássia Eller». Jornal do Brasil. Consultado em 7 de maio de 2017 
  8. Bittencourt, Julinho (14 de setembro de 1994). «Cassia Eller esbanja talento e criatividade». A Tribuna. Consultado em 1 de maio de 2017 
  9. Claudia Miranda; Mônica Riani (5 de maio de 1995). «Os Melhores da Música». Tribuna da Imprensa. Consultado em 1 de maio de 2017 
  10. Lúcio Ribeiro (14 de janeiro de 2014). «Especial Popload: 20 discos essenciais de 1994». Universo Online. Consultado em 1 de maio de 2017 
  11. «A volta aos palcos cariocas». Jornal do Brasil. 10 de janeiro de 1995. Consultado em 7 de maio de 2017 
  12. a b "Os CD's mais vendidos". O Globo. 26 de setembro de 1995. Consultado em 26 de setembro de 1995
  13. Bryan, Guilherme (10 de dezembro de 2012). «Relembre a trajetória de Cássia Eller, que faria 50 anos nesta segunda, 10». Rolling Stone. UOL. Consultado em 13 de maio de 2015 
  • Fuscaldo, Chris (2016). Discobiografia Legionária. São Paulo: LeYa. ISBN 978-85-441-0481-1