Broquéis

Broquéis
Broquéis, primeira edição
Capa da primeira edição
Autor(es)João da Cruz e Sousa
IdiomaPortuguês
País Brasil
AssuntoEspiritualidade, erotismo, morte, transcendência
GêneroPoesia
FormatoLivro
Lançamento1893
Cronologia
Missal (1893)

Broquéis é o livro de estreia do poeta simbolista brasileiro João da Cruz e Sousa, publicado em 1893. Considerado um marco inicial do Simbolismo no Brasil, ao lado de Missal, a obra introduz uma poética inovadora caracterizada pelo rigor formal, pelo uso intenso de imagens sensoriais e pela busca da transcendência espiritual.[1]

Contexto histórico

Broquéis foi publicado em um período de transição estética na literatura brasileira, marcado pelo esgotamento do Parnasianismo e pela emergência de novas formas de expressão poética. Influenciado pelo Simbolismo europeu, especialmente pela obra de Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé e Paul Verlaine, Cruz e Sousa rompeu com a objetividade parnasiana e introduziu uma poesia marcada pela musicalidade, pela sugestão e pelo subjetivismo.[2]

Características da obra

Entre as principais características de Broquéis, destacam-se:

  • Uso intenso de sinestesias e imagens simbólicas;
  • Predominância da musicalidade e do ritmo;
  • Vocabulário erudito e sugestivo;
  • Tensão entre espiritualidade e erotismo;
  • Presença de temas como morte, dor, desejo e transcendência;
  • Valorização da cor branca como símbolo do absoluto e do ideal espiritual.

A obra apresenta uma poética marcada pelo conflito entre o ideal espiritual e a materialidade do mundo, aspecto recorrente na produção do autor.[3]

Estrutura

Broquéis é composto por 54 poemas, organizados sem divisão explícita em seções temáticas, mas unidos por uma forte coerência estética e simbólica. Os poemas exploram estados de espírito, visões oníricas e imagens de caráter místico e sensorial.

Poemas notáveis

Entre os poemas mais conhecidos de Broquéis, destacam-se:

  • Antífona
  • Siderações
  • Lésbia
  • Múmia
  • Em Sonhos...
  • Lubricidade
  • Cristo de Bronze
  • Braços
  • Sonho Branco
  • Satã
  • Acrobata da Dor
  • Sinfonias do Ocaso

Importância e recepção

Broquéis foi recebido com estranhamento por parte da crítica contemporânea, mas, ao longo do século XX, passou a ser reconhecido como uma das obras fundamentais da poesia brasileira. O livro consolidou Cruz e Sousa como o principal nome do Simbolismo no país e exerceu influência duradoura sobre poetas posteriores.[4]

A obra também ocupa lugar central nos estudos sobre a literatura afro-brasileira, considerando a trajetória do autor e as tensões raciais presentes em sua experiência histórica e literária.

Referências

  1. Bosi, Alfredo (2017). História Concisa da Literatura Brasileira. [S.l.]: Cultrix. p. 230 
  2. Candido, Antonio (2009). Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos. [S.l.]: Ouro sobre Azul. p. 402 
  3. Oliveira, Anelito Pereira de (2010). «A forma e o mundo: repensando Broquéis, de Cruz e Sousa». Eutomia – Revista de Literatura e Linguística 
  4. Moises, Massaud (2012). História da Literatura Brasileira. [S.l.]: Cultrix. p. 242 

Ligações externas

  • Broquéis – Enciclopédia Itaú Cultural
  • Broquéis – Universidade Federal de Santa Catarina