Brites Mendes de Vasconcelos

Pintura de Frans Post retratando a vida em um engenho pernambucano no século XVII.

Brites Mendes Góis de Vasconcelos, conhecida como "a velha" por ter falecido com quase 100 anos[1], foi uma das primeiras mulheres portuguesas a migrar para o Brasil. Filha de Bartholomeu Rodrigues e de sua mulher D. Joanna de Góes e Vasconcellos[2], nasceu em Lisboa, por volta de 1525-1528[3], sendo enviada ao Brasil em 1535, ainda criança e órfã[4], a bordo da Nau de Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco e falecido em 19 de dezembro de 1620[5]. Sua madrinha, Brites de Albuquerque, esposa de Duarte Coelho, foi quem a acolheu e Brites herdou o nome de sua protetora.[6]

Biografia

Brites Mendes Góis de Vanconcelos foi apoiada pela família real portuguesa em sua infância, especificamente pela rainha Catarina de Áustria, esposa de João III de Portugal, que a confiou aos cuidados de Brites de Albuquerque. Casou com Arnau de Holanda e tornou-se uma proprietária de engenhos, cujas posses foram herdadas por seus descendentes.[7]

Judia de origem Sefarditas, conforme Francisco Dória em sua obra Sangue Converso no Brasil Colônia e Comunidade Israelita do Porto - genealogia de Brites Mendes. Isso estaria em consonância com as histórias de muitas famílias Sefarditas que, após a expulsão dos judeus de Portugal em 1497, foram forçadas a se converter ao cristianismo. Embora não haja confirmação definitiva sobre essa origem, essa teoria levanta a possibilidade de que Brites tivesse raízes em uma comunidade de convertidos migrantes que buscavam recomeçar a vida no Brasil.[8]

Brites Mendes Góis de Vasconcelos e Arnau de Holanda deixaram uma vasta descendência na Região do Nordeste do Brasil. Seus filhos e netos, muitos dos quais estão mencionados nos registros da primeira visita da Inquisição ao Brasil, possuíam ligações com a Marrano portuguesa Branca Dias, uma cristã-nova de origem judaica, o que trouxe atenção às suas famílias.[9]

Segue a lista dos descendentes de primeiro grau do casal:[10]

  • Anna de Holanda e Vasconcellos - casou-se com João Gomes de Melo.
  • Antônio de Holanda e Vasconcelos - casou-se primeiro com Felipa Cavalcanti de Albuquerque e depois com Ana de Moraes Valcacer.
  • Adriana de Holanda - casou-se com Christoph Linz (Cristóvão Lins)[11], de origem alemã e neerlandesa.
  • Agostinho de Holanda e Vasconcellos[12] - casou-se com Maria de Paiva[13], descendente de Branca Dias e Diogo Fernandes Santiago.
  • Cristóvão de Holanda Vasconcellos[14] - casou-se primeiro com Catarina Cavalcanti de Albuquerque, e depois com Clara da Costa Calheiros.
  • Ignês de Góes de Vasconcelos - casou-se com Luís do Rego de Barros. [15]
  • Isabel de Holanda e Vasconcelos[16] - Casou-se com António Cavalcanti de Albuquerque, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real e senhor de engenhos.
  • Joana de Góes de Vasconcelos - Casou-se com Bartolomeu Jácome Lins, mercador abastado, com descendência.
  • Maria de Holanda e Vasconcellos - Casou-se com Antônio de Barros Pimentel, senhor de engenho e natural de Viana do Castelo, com descendência.

Esses descendentes formaram uma extensa rede de proprietários de engenhos e figuras da Elite colonial do nordeste brasileiro, moldando os aspectos econômicos e sociais da região.[17]

Descendentes Contemporâneos

As ramificações de descendentes de Brites Mendes Góis de Vasconcelos e Arnau de Holanda possuem longevidade, atingindo os séculos XIX, XX e XXI, com vários dos seus descendentes atuando em áreas importantes da cultura, política e arte no Brasil. Dentre os mais conhecidos estão:[18]

  1. Chico Buarque é músico, compositor e escritor brasileiro. Na composição Paratodos (canção) faz referência aos seus antepassados, reforçando a construção de uma identidade que abarca tanto suas raízes de origem europeia quanto sua consciência de "artista brasileiro". A canção serviu como um recurso poético para uma autobiografia e como recorte de fundo para a diversidade cultural que molda uma nação. Ainda como descendente em destaque o pai de Chico, o Historiador Sérgio Buarque de Holanda e, sua irmã, a cantora e ex ministra da cultura Ana de Hollanda. Na lista ainda, Aurélio Buarque de Holanda lexicógrafo e autor do Dicionário Aurélio. Todos são descendentes diretos de Brites por meio de seu filho Cristóvão de Holanda e Vasconcelos.
  2. José Lins do Rego romancista regionalista, foi escritor de obras que retratam o nordeste brasileiro, especialmente às atividades no engenho que remontam as raízes de suas família. É descendente direto de Brites por meio de sua filha Isabel de Holanda.
  3. Deodoro da Fonseca, primeiro Presidente do Brasil e seu sobrinho Hermes da Fonseca Presidente da República no início do século XX. Ambos são descendentes direto de Brites por meio de sua filha Adriana de Holanda.

Ver também

Referências

  1. Doria, Francisco Antonio. Sangue Converso no Brasil Colônia I. Pernambuco: Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. p. 2 
  2. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém-PA: [s.n.] p. 106 
  3. Braga, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém: [s.n.] p. 29 
  4. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém-PA: [s.n.] pp. 111–113 
  5. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém-PA: [s.n.] 
  6. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém-PA: [s.n.] p. 107 
  7. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém -PA: [s.n.] pp. 111–118 
  8. Dória, Francisco Antônio. Sangue Converso no Brasil Colônia. [S.l.]: Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. p. 7 
  9. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém-PA: [s.n.] p. 115 
  10. Search, Family. «Brites Mendes de Góis e Vasconcellos». Search Family 
  11. FERREIRA, Edgardo Pires (2011). A teia do parentesco em Pernambuco - Volume 6. São Paulo-SP: Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). p. 201 
  12. Dória, Antônio Francisco. Sangue Converso do Brasil Colônia I. Pernambuco: Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. p. 5 
  13. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém-PA: [s.n.] p. 111 
  14. Dória, Francisco Antônio. Sangue Converso no Brasil Colônia I. Pernambuco: Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. p. 4 
  15. FERREIRA, Edgardo Pires (2011). A teia do parentesco em Pernambuco - Volume 6. São Paulo-SP: Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. p. 159 
  16. Doria, Francisco Antonio. Sangue Converso no Brasil Colônia I. Pernambuco: Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. p. 5 
  17. BRAGA, Laércio (2022). O vigésimo oitavo avô: o dragão, o leão e os argonautas. Belém-PA: [s.n.] pp. 119–127 
  18. MORAES, Monica Isabel (2017). «Duas Raízes: o ensaísmo de Sérgio Buarque de Holanda.» (PDF). Repositório USP. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo - FFLCH: 13. Consultado em 24 de novembro de 2024