Brincar de médico

Brincar de médico é uma expressão utilizada no mundo ocidental para referir-se a crianças que examinam o corpo e os genitais umas das outras. Pode ocorrer em crianças de sexos diferentes, bem como naquelas do mesmo sexo. Trata-se de uma fase natural de descoberta do corpo, desde que os envolvidos tenham idade próxima.[1][2][3] [4]

A maioria dos psicólogos infantis considera que brincar como médicos é um passo normal no desenvolvimento infantil entre os três e os seis anos, desde que todos os intervenientes estejam dispostos a participar e tenham idades relativamente próximas. [5][6][7]Um estudo do sexólogo americano Alfred Kinsey, publicado no livro Sexual Behavior in the Human Male (1948), concluiu que 38,6% de todas as crianças de 10 anos praticam brincadeiras heterossexuais e homossexuais.[8] No entanto, pode ser uma fonte de desconforto para os pais descobrir que seus filhos estão envolvidos em tal atividade.[9] Profissionais da área da parentalidade aconselham, geralmente, os pais a encarar essa descoberta como uma oportunidade de ensinar calmamente seus filhos sobre diferentes características sexuais, privacidade pessoal, partes íntimas e respeito à privacidade de outras crianças.[3]

Brincar de médico se distingue do abuso sexual entre crianças por este último ser uma ação aberta e deliberada direcionada à estimulação sexual, incluindo o orgasmo, coercitivamente ou em uma situação de diferença de conhecimento, em comparação à curiosidade anatômica não coercitiva.[10].

Referências

  1. «Is Your Preschooler Playing Doctor?». FamilyEducation (em inglês). Consultado em 29 de novembro de 2017 
  2. «Crescer - NOTÍCIAS - Brincadeiras sexuais». revistacrescer.globo.com. Consultado em 29 de novembro de 2017 
  3. a b «Playing doctor». NBC News (em inglês). 2 de agosto de 2004. Consultado em 19 de março de 2025 
  4. «SEX PLAY: parenting strategies by Dr. Marilyn Heins». web.archive.org. 14 de fevereiro de 2008. Consultado em 19 de março de 2025 
  5. Goode, Sarah D. (2011). Goode, Sarah D., ed. «Studies on Adult Sexual Contact with Children». London: Palgrave Macmillan UK (em inglês): 126–157. ISBN 978-0-230-30674-5. doi:10.1057/9780230306745_5. Consultado em 19 de março de 2025 
  6. «Did Alfred Kinsey sexually abuse children for his studies?». Skeptics Stack Exchange (em inglês). Consultado em 19 de março de 2025 
  7. Elias, James; Gebhard, Paul (1969). «Sexuality and Sexual Learning in Childhood». The Phi Delta Kappan (7): 401–405. ISSN 0031-7217. Consultado em 19 de março de 2025 
  8. Kinsey, Alfred C.; Pomeroy, Wardell Baxter; Martin, Clyde E. (1998). Sexual behavior in the human male. Bloomington, Ind: Indiana University Press 
  9. «I Caught Them Playing Doctor! | Home & Family | Canadian Parents - Canada's Parenting Community». web.archive.org. 16 de janeiro de 2009. Consultado em 19 de março de 2025 
  10. Loseke, Donileen R.; Gelles, Richard J.; Cavanaugh, Mary M., eds. (2005). Current controversies on family violence 2nd ed ed. Thousand Oaks, CA: Sage Publications