Breyten Breytenbach
| Breyten Breytenbach | |
|---|---|
![]() Breytenbach em 1995 | |
| Nascimento | Bonnievale, África do Sul |
| Morte | 24 de novembro de 2024 (85 anos) |
| Ocupação | escritor e pintor |
| Gênero literário | |
Breyten Breytenbach (Bonnievale, 16 de setembro de 1939 – Paris, 24 de novembro de 2024) foi um escritor e pintor sul-africano.
Biografia
Breyten Breytenbach nasceu em Bonnievale, Cabo Ocidental, a cerca de 180 km da Cidade do Cabo e a 100 km do extremo sul da África no Cabo das Agulhas. Estudou belas artes na escola Michaelis School of Fine Art da Universidade da Cidade do Cabo e tornou-se um adversário empenhado da política do apartheid. Deixou a África do Sul e foi para Paris na década de 1960, tendo se casado com uma mulher francesa de ascendência vietnamita, Iolanda, o que resultou em que mais tarde o mesmo não foi autorizado a regressar ao seu país. As leis da Prohibition of Mixed Marriages Act (1949) e do Immorality Act (1950) estabeleciam como crime o facto de uma pessoa branca ter relações sexuais com uma pessoa de raça diferente.[1]
Numa viagem ilegal à África do Sul em 1975, foi preso e condenado a sete anos de prisão por traição: a sua obra The True Confessions of an Albino Terrorist (As Verdadeiras Confissões de um Terrorista Albino) descreve memórias e aspectos da sua vida na prisão. Em junho de 1977, Breyten Breytenbach foi levado de novo a tribunal pelo governo sul-africano com uma nova série de acusações de terrorismo. Foi alegado que planeou um ataque a um submarino russo ao centro prisional da ilha Robben, através da organização Okhela, que alegadamente tinha fundado como grupo de resistência contra o apartheid no exílio. Mediante uma defesa bem sucedida, o juiz sentenciou a total falta de provas da existência da Okhela – que tinha sido a principal acusação no primeiro julgamento – e foi assim considerado inocente de todas as acusações graves. Foi considerado culpado apenas no ponto "técnico" de ter contrabandeado cartas e poemas, para o qual foi aplicada uma coima nominal de cerca de cinquenta dólares.[2]
Foi libertado em 1982, em resultado de uma enorme pressão internacional, ano em que regressou a Paris e obteve a cidadania francesa.
Passou a ser professor visitante na Universidade da Cidade do Cabo, na escola de pós-graduação de Humanidades, em janeiro de 2000[3] e também leciona no Instituto Gorée em Dakar (Senegal) e na Universidade de Nova York, onde leciona no programa de pós-graduação de escrita criativa.
A obra de Breytenbach compõe-se de numerosos volumes de romances, poesia e ensaios, muitos dos quais estão em africâner. Muitos foram traduzidos do africâner para inglês, e muitos foram publicados originalmente em inglês. Também é conhecido pelas suas obras de artes plásticas. Têm sido efectuadas exposições das suas pinturas e gravuras em inúmeras cidades por todo o mundo incluindo Johannesburg, Cidade do Cabo, Hong Kong, Amesterdão, Estocolmo, Paris, Bruxelas, Edimburgo e Nova Iorque.[4]
Breytenbach foi descrito como o único exemplo de um "bom sul-africano" na canção I've Never Met A Nice South African (Nunca Conheci um Bom Sul-Africano). A canção foi escrita por John Lloyd para a série de TV britânica satírica Spitting Image.
É irmão de Jan Breytenbach, fundador da Brigada de Forças Especiais da África do Sul, e de Cloete Breytenbach, que é um correspondente de guerra com muitos trabalhos publicados.
Breytenbach morreu em 24 de novembro de 2024, aos 85 anos, em Paris.[5]
Bibliografia
Poesia em africâner
- Die ysterkoei moet sweet (A vaca de ferro deve suar), Joanesburgo, 1964
- Die huis van die dowe, (A casa dos surdos), Cidade do Cabo, 1967
- Kouevuur, (Gangrena) Cidade do Cabo, 1969
- Lotus, Cidade do Cabo, 1970
- Oorblyfsels (Restos), Cidade do Cabo, 1970
- Skryt. Om 'n sinkende skip blou te verf (Scrit. Pintando de azul um navio a afundar), Amsterdão, 1972
- Met ander woorde (Por outras palavras), Cidade do Cabo, 1973
- Voetskrif (Escrever com os pés), Joanesburgo, 1976
- Sinking Ship Blues (Azuis de navio a afundar), Toronto 1977
- And Death White as Words. An Anthology (E brancos mortos como palavras. Uma antologia), Londres, 1978
- In Africa even the flies are happy (Em África, mesmo as moscas são felizes), Londres, 1978
- Blomskryf (Flor de escrita), Emmarentia, 1979 (Poemas selecionados)
- Eklips (Eclipse) Emmarentia, 1983
- YK, Emmarentia, 1983
- Buffalo Bill, Emmarentia, 1984
- Lewendood (Mortos vivos), Emmarentia, 1985
- Judas Eye, Londres – Nova Iorque, 1989
- Soos die so (Assim mesmo), Emmarentia, 1990
- Nege landskappe van ons tye bemaak aan 'n beminde (Nove paisagens do nosso tempo legadas a uma amada), Groenkloof, 1993
- Die hand vol vere (O punhado de penas), Cidade do Cabo, 1995 (Poemas selecionados)
- Oorblyfsels. 'n Roudig (Os restos. Uma elegia), Cidade do Cabo, 1997
- (Papierblom), (Flor de papel), Cidade do Cabo, 1998
- Lady One, Cidade do Cabo, 2000 (Poemas de amor selecionados)
- (Ysterkoei-blues) (Azuis de vacas de ferro), Cidade do Cabo, 2001 (Colectânea de Poemas 1964–1975)
- Lady One: Of Love and other Poems (Uma dama: do amor e outros poemas), Nova York, 2002
- (Die ongedanste dans. Gevangenisgedigte 1975 – 1983) (A dança não dançada. Poesia de prisão 1975 – 1983), Cidade do Cabo, 2005
- Die windvanger (o cata-vento), Cidade do Cabo, 2007
- Voice Over: A Nomadic Conversation with Mahmoud Darwish (Voz sobreposta: uma conversa nômada com Mahmoud Darwish), Archipelago Books, 2009
- Katalekte (artefakte vir die stadige gebruike van doodgaan (Catalects (artefatos para usos lentos ao morrer)), Cidade do Cabo, Human & Rousseau, 2012
Prosa em inglês
- Catastrophes (Catástrofes), Joanesburgo, 1964 (Contos)
- To Fly (Para voar), Cidade do Cabo, 1971 (Romance)
- The Tree Behind the Moon (A árvore atrás da lua), Amsterdão, 1974 (Contos)
- The Anthill Bloats … (O formigueiro incha…), Emmarentia, 1980 (Contos)
- A Season in Paradise (Uma temporada no paraíso), Amsterdão – Nova York – Londres, 1980 (Romance, edição não censurada)
- Mouroir: Mirror Notes of a Novel (Mouroir: notas de um romance ao espelho), Londres – Nova York, 1983
- Mirror Death (Morte do espelho), Amsterdão, 1984 (Contos)
- End Papers (Papeis Finais), Londres, 1985 (Ensaios)
- The True Confessions of an Albino Terrorist (As verdadeiras confissões de um terrorista albino) , Londres – Nova York, 1985
- Memory of Snow and of Dust (Memória da neve e da poeira), Londres – Nova York, 1987 (Romance)
- Book. Part One (Livro. Parte Um), Emmarentia, 1987 (Ensaios)
- All One Horse. Fiction and Images (Todo um cavalo. Ficção e imagens), Londres, 1989
- Sweet Heart (Querido), Emmarentia, 1991 (Ensaios)
- Return to Paradise. An African journal (Regresso ao paraíso. Uma revista africana), Londres – Nova York, 1992 (que ganhou o Prémio Alan Paton)
- The Memory of Birds in Times of Revolution (A memória de pássaros em tempos de revolução), London – Nova York, 1996 (Ensaios)
- Dog Heart. A travel memoir (Coração de cachorro. Uma memória viajante), Cidade do Cabo, 1998
- Word Work (Trabalho de palavras), Cidade do Cabo, 1999
- A veil of footsteps (Um véu dos passos), Cidade do Cabo, 2008
- All One Horse (Todo um cavalo), Archipelago Books, 2008
- Mouroir: Mirror Notes of a Novel (Mouroir: notas de um romance ao espelho), Archiepalago Books, 2008
- Intimate Stranger (Estranho íntimo), Archipelago Books, 2009
- Notes From The Middle World: Essays (Notas do mundo médio: ensaios), Haymarket Books, 2009
Artigos
- Breytenbach, Breyten (dezembro de 2008). «Mandela's Smile: Notes on South Africa's Failed Revolution». Harper's Magazine. 317 (1903): 39–48
Notas
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Breyten Breytenbach».
Referências
- ↑ «Breyten Breytenbach». South African History Online. Consultado em 30 de julho de 2014
- ↑ Breyten, Breytenbach (1985). A Season in Paradise. London: Faber and Faber. p. 11. ISBN 0-571-13491-2
- ↑ «Breyten Breytenbachde». Stellenbosch escritores. 30 de julho de 2014
- ↑ «Author Focus». Human & Rousseau. Consultado em 30 de julho de 2014
- ↑ Cupido, Gerry (24 de novembro de 2024). «Breyten Breytenbach dies at 85». Independent Online (em inglês). Consultado em 24 de novembro de 2024
Ligações externas
- A Conversation with South African Poet and Anti-Apartheid Activist Breyten Breytenbach on His Own Imprisonment, South Africa’s "Failed Revolution," Nelson Mandela and Barack Obama
- An Hour with the Renowned South African Poet, Writer, Painter and Anti-Apartheid Activist Breyten Breytenbach
- Podcast Interview with Breytenbach by André Naffis-Sahely
- Review of Voice Over: A Nomadic Conversation with Mahmoud Darwish by André Naffis-Sahely
- Stellenbosch Writers
- Breyten Breytenbach, Professor of Creative Writing
- Open letter to General Ariel Sharon(by Breyten Breytenbach)
- «goreeinstitute.org»
- Poetry Podcast at Badilisha Poetry Exchange
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