Brancura

Brancura
Nome completoSílvio Fernandes
Outros nomesBrancura
Nascimento
Morte
1935 (27 anos)

Nacionalidadebrasileiro
Ocupaçãocompositor, flautista, sambista

Sílvio Fernandes (Rio de Janeiro, c. 1908 – Rio de Janeiro, 1935), mais conhecido pelo apelido Brancura, foi um compositor, flautista e sambista brasileiro.[1] É considerado uma figura histórica e um dos pioneiros do samba, sendo um dos fundadores da primeira escola de samba do Brasil, a Deixa Falar. Seu samba "Deixa essa mulher chorar", de 1931, foi um grande sucesso no carnaval na época, e foi gravado por Francisco Alves e Mário Reis, em dupla, pela Odeon.[2]

Biografia e legado

Brancura tornou-se uma figura central no bairro Estácio e na Zona do Mangue (região do bairro de Cidade Nova) nas décadas de 1920 e 1930, famoso nas rodas de malandragem.[3]

A descrição de sua identidade racial diverge conforme a fonte. O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira o descreve como sendo de "cor negra reluzente", o que teria motivado o apelido irônico.[2] Já o pesquisador Humberto Franceschi, em sua obra Samba de Sambar do Estácio - 1928 a 1931, o descreve como "pardo".[4][5][6]

Segundo Franceschi (2010), Brancura era casado e vivia da exploração de prostitutas (cafetinagem) e de diversos tipos de jogos de azar (como chapinha, carteado e ronda). Ele morreu precocemente aos 27 anos, em 1935, vitimado por sífilis.[7]

Brancura foi a inspiração para o protagonista do livro Desde que o samba é samba (2012), de Paulo Lins (editora Planeta), por representar a malandragem.[8][9]

Fundação da Deixa Falar

A principal contribuição de Brancura para a história do samba foi a sua participação como um dos fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Deixa Falar, em 1928, considerado a primeira escola de samba do Brasil. Ele integrou o grupo original de sambistas do bairro Estácio, a Turma do Estácio, ao lado de Ismael Silva, Nilton Bastos e Alcebíades Barcelos (Bide), ajudando a consolidar o "samba do Estácio", formato que definiu o gênero musical moderno.[4][10]

Obras notáveis

Apesar da morte precoce, Brancura deixou composições gravadas por grandes nomes da Era do Rádio, como:

  • "Coração volúvel" (1929), gravada por Francisco Alves pela Odeon[2]
  • "Mulher venenosa" (1929), gravada por Francisco Alves pela Odeon[2]
  • "Deixa essa mulher chorar" (1931), gravada por Francisco Alves e Mário Reis, em dupla, pela Odeon[2]
  • "Príncipe negro" (1932), gravada por Patrício Teixeira[2]
  • "Sinto muito" (1932), gravada por Mário Reis[2]
  • "Carinho eu tenho" (1932), gravada por Ismael Silva[2]
  • "Você chorou" (1935), gravada por Francisco Alves[2]
  • "Samba de verdade" (1928), composta com Francisco Alves.[2]

Referências

  1. Cardoso, Tom (17 de abril de 2012). «Autor de "Cidade de Deus" se inspira nas origens do samba». Valor Econômico. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  2. a b c d e f g h i j «Brancura». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  3. Aurélio, Marco (5 de novembro de 2023). «Uma breve história do Samba batucado do Estácio de Sá». Revista Opera. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  4. a b Franceschi, Humberto M. (2010). Samba de Sambar do Estácio: 1928 a 1931. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles. pp. 118–119. ISBN 978-8586707605 
  5. «Samba de sambar do Estácio - 1928 a 1931». Instituto Moreira Salles. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  6. Lins, L. A.; Vianna, G. S. «O samba (de sempre) do Estácio: uma análise de "Samba de Sambar do Estácio"». UNIOESTE. Consultado em 3 de novembro de 2025 
  7. Vianna, Luiz Fernando (11 de novembro de 2010). «Livro e DVD desvelam a história do samba do Estácio». Folha de S.Paulo. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  8. Vianna, Luiz Fernando (3 de abril de 2012). «'Desde que o samba é samba', o novo livro de Paulo Lins». O Globo. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  9. Lins, Paulo (1 de julho de 2012). Desde Que o Samba é Samba. [S.l.]: Caminho. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  10. Silva, Álvaro Costa e (25 de novembro de 2016). «O sambista sempre olha para trás na hora de seguir adiante». temas.folha.uol.com.br. Consultado em 6 de novembro de 2025