Brachystegia spiciformis

Brachystegia spiciformis


Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Fabales
Tribo: Detarieae
Género: Brachystegia
Espécie: Brachystegia spiciformis
Benth.

Brachystegia spiciformis, commummente conhecida como mupanda(Português de Angola)[1] ou messassa(Português de Moçambique),[2] é um arbusto de grande porte ou árvore de copa achaparrada, de flores verdes e fragrantes, pertencente à família das Fabáceas.

Nomes comuns

Em Angola, além de ser conhecida como «mupanda», também é conhecida, nalgumas zonas do Centro interior e Sul de Angola, como «mumanga».[3]

Etimologia

Quanto ao nome científico desta espécie:

  • O nome genérico, Brachystegia, provém de uma aglutinação dos étimos gregos clássicos, βραχύς (braquis),[4] qe significa «curto, pequeno» e στέγος (stégos), que significa «telhado, cobertura»,[5] por alusão às flores das espécies deste género, que são pequenas e não contam com cálice.[6]
  • O epíteto específico, spiciformis, provém do latim, tratando-se de uma aglutinação do étimo, spīcĕus, que significa «como espiga de cereal»[7] e formis,[8] que é uma declinação de forma e significa «com formato de; com feitio de».[9]

Do que respeita ao nome comum «messassa» este provém da língua suaíli, onde encerra o mesmo significado que no português de Moçambique.[2]

Descrição

Esta espécie pauta-se pelas suas qualidades ornamentais.[10][11][12]

A mupanda tem um crescimento particularmente lento, atingindo geralmente entre os 8 a 25 metros de altura, podendo, por vezes, chegar aos 35 a 40 metros de altura.[12]

O tronco da messassa costuma ser de formato retilíneo ou cilíndrico, podendo ver-se livre de ramos até aos 15 metros de altura.[10] O tronco pode orçar até 120 cm de diâmetro e, ocasionalmente, evidenciar sulcos na base.[11]

Esta espécie, geralmente, é de folha perene, porém, em anos de seca, pode tornar-se de folha caduca.[11]

As flores da mupanda sobressaem pelo seu perfume adocicado.[10] A folhagem da messassa, quando começa a despontar, pode matizar-se em tons acobreados, avermelhados e rosados,[11] de tal maneira que, à distância, se pode afigurar como se fosse um conjunto de flores.[12]

Distribuição

Esta espécie marca presença em diversos territórios de Angola, Zâmbia, Maláui, Zimbabué, Moçambique e África do Sul.[13]

Ecologia

As mupandas medram em pastagens tropicais e subtropicais, savanas e moitas costeiras e de terras altas (50 - 2000 metros), a que se dá o nome de miombos.[14][11]

Plantio

A messassa é uma planta de zonas tropicais e subtropicais, podendo plantar-se em altitudes que entre 12 e os 2.350 metros.[15]

A messassa tende a crescer melhor em áreas onde as temperaturas diurnas anuais oscilam entre os 14 e 28 °C, podendo, no entanto, tolerar variações de temperatura balizadas entre os 10 e os 35 °C.[11]

Se for sujeita a temperaturas iguais ou inferiores a 1 °C, contudo, pode morrer, sendo certo que há relatórios botânicos que relatam casos de exemplares adultos a conseguirem suportar geadas.[15]

A messassa costuma medrar melhor em espaços com uma precipitação anual média entre 600 e 1.100 mm, mas tolera entre 500 e 1.200 mm, preferindo um posicionamento com boa exposição solar. Sendo certo que tolera uma grande variedade de solos, a messassa desenvolve-se melhor em solos de terra avermelhada, com boa profundidade e humidade.[15] Geralmente, não se desenvolve bem em solos mal drenados e pouco profundos.[15]

Costuma preferir substractos de solo com um pH entre 5,5 e 7, mas é capaz de tolerar um pH entre os 5 e 7,5.[11]

A floração e frutificação dependem das condições climáticas de cada ano, de maneira que nem sempre ocorrem.[15] Após a polinização, o desenvolvimento do fruto demora entre de 7 a 8 meses.[11]

As sementes são projectadas com força da vagem à medida que esta amadurece, lançando-se por vezes até 10 metros de distância da vagem.[11]

Há relatos contraditórios sobre se esta espécie tem ou não uma relação simbiótica com certas bactérias do solo, pelo que não é claro se fixa azoto atmosférico ou não.[11]

Usos

A madeira da mupanda é um bom combustível e produz carvão de boa qualidade, sendo das espécies preferidas para a produção de carvão em toda a África Austral.[15]

A árvore produz grandes quantidades de uma goma vermelha escura muito rica em taninos.[15]

Artesanato, cordoaria e têxteis

As raízes da mupanda são uma fonte de fibra, sendo usada no âmbito do artesanato africano, dos países de onde são nativas, para fazer cordas, tapetes, cestos e sacos.[15]

Apicultura

As flores da mupanda são muito valorizadas no âmbito da apicultura, porquanto fornecem uma boa fonte de pólen e néctar, produzindo um mel excelente, que cristaliza muito lentamente.[15]

Com as fibras das raízes também se fazem colmeias artesanais.[15][11]

Tinturaria

A casca é adstringente, contendo 13% de taninos, da qual se extrai um pigmento de cor avermelhada ou vermelho-escuro quase negro, usado em tinturaria.[11][15]

Marcenaria

O cerne da madeira é de coloração variável, indo de castanho-claro a castanho-avermelhado, escurecendo com a exposição; por vezes apresenta riscas. A textura da madeira do cerne da mupanda é grosseira e lustrosa, com veio irregulares e entrelaçados.

A madeira é muito dura e pesada, é pouco resistente e mostra-se especialmente vulnerável ao ataque de térmitas, o que limita as suas competências para a construção.[15] A madeira da mupanda seca lentamente e tem alguma tendência para empenar, demonstrando tendência considerável de fendas e rachas nas extremidades, o que também limita a sua utilidade.[11]

A madeira é difícil de trabalhar e serrar, produzindo desgaste moderado das lâminas, sendo que os veios tendem a estragar-se durante o processo de aplainamento.[15] Apesar disto, a mupanda lixa-se com facilidade, resultando em bons acabamento e polimento. Esta madeira tem propriedades muito fracas para ser recurvada a vapor.[11]

Mesmo quando tratada, é uma madeira de qualidade geral inferior, usada para fins como construção geral, componentes de mobiliário, travessas de caminho-de-ferro e soalhos.[15]

Por estes motivos, esta madeira só ocasionalmente se comercializa internacionalmente, e geralmente só como em carregamentos de madeiras mistas.[11][15]

Etnofarmacologia

A raiz é adstringente e com ela, no âmbito da medicina tradicional, prepara-se uma infusão usada no tratamento da disenteria e da diarreia.[11]

Com a raiz também se pode fazer uma decocção que, no âmbito da medicina tradicional, se aplica como colírio para tratamento da conjuntivite.[11]

A casca, por sua vez, é usada na confecção de remédios para a tosse e quando macerada, usa-se como unguento no tratamento de mordeduras de cobra.[11]

Ornamental

Ornamental e paisagisticamente, é reconhecida boa utilidade à messassa, a árvore é frequentemente plantada pela sombra que proporciona, afigurando-se de particular qualidade estética, quando surgem as novas folhas, por sinal, muito coloridas as quais, quando vistas ao longe, dão a impressão de serem flores.[11]

Referências

  1. Infopédia. «mupanda | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 10 de julho de 2025 
  2. a b Infopédia. «messassa | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 10 de julho de 2025 
  3. Kissanga Vicente da Silva Firmino, Raquel (2016). Valorização da flora de Cusseque e Caiúndo no centro e sul de Angola e avaliação da biomassa lenhosa utilizada para combustível e construção. Lisboa: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. p. 24. 62 páginas 
  4. «βραχύς». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2025 
  5. «στέγος». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2025 
  6. «Definition of BRACHYSTEGIA». www.merriam-webster.com (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2025 
  7. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «spīcĕus - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2025 
  8. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «formis - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2025 
  9. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «Forma - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2025 
  10. a b c Dodge, Charles Richards (1897). A descriptive catalogue of useful fiber plants of the world : including the structural and economic classifications of fibers. NCSU Libraries. Washington, DC, USA: Washington, Govt. print. off. p. 95. 396 páginas. Consultado em 12 de julho de 2025 
  11. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s «Brachystegia spiciformis - Useful Tropical Plants». tropical.theferns.info. Consultado em 12 de julho de 2025 
  12. a b c Huxley, Anthony Julian; Griffiths, Mark; Royal Horticultural Society (Great Britain), eds. (1992). Dictionary of gardening. London : New York: Macmillan Press ; Stockton Press 
  13. Pienaar, Brenden; Thompson, Dave I.; Erasmus, Barend F. N.; Hill, Trevor R.; Witkowski, Ed T. F. (agosto de 2015). «Evidence for climate-induced range shift in Brachystegia (miombo) woodland». South African Journal of Science (em inglês) (7-8): 1–9. ISSN 0038-2353. doi:10.17159/SAJS.2015/20140280. Consultado em 12 de julho de 2025 
  14. Infopédia. «miombo | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 12 de julho de 2025 
  15. a b c d e f g h i j k l m n o Hines, Deborah (1993). Indigenous Multipurpose Trees of Tanzania: Uses and Economic Benefits for People (PDF). Roma, Itália: Food and Agriculture Organization (FAO). 276 páginas. ISBN 978-0969707509