Bombardeio aéreo do Edifício do Engenheiro
| Ataque aéreo ao Edifício dos Engenheiros | |
|---|---|
| Local | Nuseirat, Faixa de Gaza |
| Data | 31 de outubro de 2023 ~14h30 |
| Tipo de ataque | Ataque aéreo, Crime de guerra |
| Mortes | 106+ civis (incluindo pelo menos 54 crianças)[1][2] |
| Feridos | 12+ civis[2] |
| Responsável(is) | |
| Coordenadas | 🌍 |
Em 31 de outubro de 2023, as Forças de Defesa de Israel realizaram um ataque aéreo contra um edifício residencial na Faixa de Gaza, durante suas operações na Guerra de Gaza, resultando na morte de pelo menos 106 pessoas, incluindo 54 crianças.[3][4] A Human Rights Watch afirmou que não havia evidências de alvos militares na área no momento do ataque, o que classificaria o ato como um aparente crime de guerra.[1]
Ataque aéreo
Em 31 de outubro de 2023, por volta das 14h30, quatro munições aéreas atingiram o edifício residencial conhecido como Edifício dos Engenheiros, em cerca de 10 segundos, resultando em sua destruição total.[4][5][6] Naquele momento, pelo menos 350 pessoas estavam abrigadas no edifício, das quais ao menos 150 haviam buscado refúgio após serem forçadas a fugir de suas casas em outras partes de Gaza devido a ataques israelenses.[4]
Hatem Abdo, cujo filho foi morto no ataque enquanto jogava futebol em uma rua próxima ao edifício, descreveu o incidente: "Vi cerca de 50 crianças e alguns jovens na rua, perto do lado sul do Edifício dos Engenheiros. Notei que o lado norte do prédio havia sido atingido. Imediatamente, a segunda bomba acertou o lado sul, que eu podia ver claramente da minha casa. Vi destroços do edifício caindo e prendendo cerca de 20 crianças, além de alguns adultos".[7]
Ameera Shaheen, que perdeu 20 familiares no ataque, relatou: "Não havia nada preocupante antes do ataque. Quase todos nós estávamos em dois quartos, um para homens e outro para mulheres. Alguns de nós estavam rindo. Acabávamos de assar pão. Não havia sinais, avisos ou qualquer sensação de perigo. Nos sentíamos seguros porque era um prédio residencial cheio de civis".[8]
Vítimas
Pelo menos 34 mulheres, 18 homens e 54 crianças foram mortos no ataque, incluindo crianças que jogavam futebol do lado de fora e residentes que carregavam seus telefones em uma mercearia no primeiro andar.[4][2] As vítimas pertenciam a 22 famílias, com a família Abu Said perdendo 23 parentes no ataque.[4]
O número total de palestinos mortos no ataque permanece desconhecido. A Human Rights Watch identificou 106 indivíduos mortos.[1] Uma investigação da Airwars [en] identificou 133 vítimas de 14 famílias e afirmou que muitos corpos ainda estavam soterrados nos escombros. A investigação estimou entre 133 e 164 vítimas, das quais 67 a 77 eram crianças.[8][2]
Investigação
Uma investigação da Human Rights Watch, publicada em 4 de abril de 2024, concluiu que o ataque israelense ao Edifício dos Engenheiros no final de outubro não tinha um alvo militar aparente, configurando um aparente crime de guerra. O relatório "não encontrou evidências de um alvo militar nas proximidades do edifício no momento do ataque israelense, tornando o ataque ilegalmente indiscriminado sob as leis de guerra", acrescentando que, apesar de solicitado, as autoridades israelenses não forneceram justificativa para o ataque.[1] A investigação foi realizada com entrevistas de sobreviventes e análise de imagens de satélite, fotos e vídeos publicados após o ataque. Devido ao controle israelense da fronteira de Gaza, a equipe não pôde entrar em Gaza para inspecionar o local diretamente.[4]
A Human Rights Watch pediu que todos os países "suspendam a assistência militar e as vendas de armas para Israel enquanto suas forças cometerem violações sistemáticas e generalizadas das leis de guerra contra civis palestinos com impunidade", acrescentando que "governos que continuam a fornecer armas ao governo israelense correm o risco de cumplicidade em crimes de guerra". O grupo destacou a urgência de uma investigação do Tribunal Penal Internacional sobre os graves crimes cometidos durante o conflito.[1][9]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e «Gaza: Israeli Strike Killing 106 Civilians an Apparent War Crime» [Gaza: Ataque israelense que matou 106 civis é um aparente crime de guerra]. Human Rights Watch (em inglês). 4 de abril de 2024. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ a b c d «ISPT0784 – Airwars assessment» [ISPT0784 – Avaliação da Airwars]. Airwars (em inglês). 31 de outubro de 2023. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ «Israel strike that killed 106 people in Gaza 'apparent war crime': Probe» [Ataque israelense que matou 106 pessoas em Gaza é 'aparente crime de guerra': Investigação]. Al Jazeera (em inglês). 4 de abril de 2024. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ a b c d e f Frankel, Julia (4 de abril de 2024). «Rights group says Israeli strike on Gaza building killed 106 in apparent war crime» [Grupo de direitos diz que ataque israelense a prédio em Gaza matou 106 em aparente crime de guerra]. Associated Press (em inglês). Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ Al Taher, Nada (4 de abril de 2024). «Israeli strike on Gaza that killed 106 civilians a war crime, Human Rights Watch says» [Ataque israelense em Gaza que matou 106 civis é crime de guerra, diz Human Rights Watch]. The National (em inglês). Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ Jobain, Najib; Jeffery, Jack; Keath, Lee (31 de outubro de 2023). «Israeli airstrikes crush apartments in Gaza refugee camp, as ground troops battle Hamas militants» [Ataques aéreos israelenses destroem apartamentos em campo de refugiados de Gaza, enquanto tropas terrestres combatem militantes do Hamas]. Associated Press (em inglês). Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ «HRW says Israel violated international law in Gaza strike that killed 106 civilians» [HRW diz que Israel violou o direito internacional em ataque em Gaza que matou 106 civis]. The New Arab (em inglês). 5 de abril de 2024. Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ a b Zhang, Sharon (5 de abril de 2024). «Israeli Airstrike That Killed 106 "Apparent War Crime," Human Rights Watch Says» [Ataque aéreo israelense que matou 106 pessoas é "aparente crime de guerra", diz Human Rights Watch]. Truthout (em inglês). Consultado em 22 de julho de 2025
- ↑ Robertson, Nick (4 de abril de 2024). «Deadly Israeli strike on residential building 'apparent war crime': Human Rights Watch» [Ataque israelense mortal a prédio residencial é 'aparente crime de guerra': Human Rights Watch]. The Hill (em inglês). Consultado em 22 de julho de 2025