Bloco Afro Afoxé Alafin Oyó

O bloco afro afoxé Alafin Oyó é uma agremiação carnavalesca fundada em 1986 na cidade de Olinda (Pernambuco).[1] Com o diretor-presidente Rivaldo Pessoa (militante da causa negra) e padroeiro o orixá Xangô (nobre de Oyó).[1] É o primeiro grupo do tipo afoxé/bloco afro reconhecido como Patrimônio Vivo (Patrimônio Cultural) em 2023.[2][3][4][5][6][7]

Etimologia

O termo "alafin" no idioma yorubá representa o título de nobreza “senhor do palácio” ou “rei”.[1][2] E Oyó era a então capital do reino de Iorubá (atual país africano de Benin),[2] de onde este idioma veio chegou no Brasil no século XVI com a segunda leva de escravos.[1]

O grupo desenvolve ações comunitárias e oficinas de música e capoeira no bairro de Peixinhos bairro e, em outras comunidades carentes da cidade de Olinda como no Sítio Novo e Santo Amaro, além de resgatar a cultura negra através de toques e danças afros.[1]

História

O Afoxé de África foi o primeiro tipo de cortejo criado no estado de Pernambuco, e assim surgiu a associação e a militância político-racial Alafin Oyó, através de membros ligados ao Movimento Negro Unificado (1978), que buscavam o combate ao racismo e a intolerância religiosa para além do Carnaval.[2]

O afoxé Alafin Oyó foi fundada em 2 de março de 1986,[1][2] Inicialmente foi uma associação recreativa carnavalesca na cidade brasileira de Olinda (estado de Pernambuco) criado por dissidentes do Afoxé Araodé.[1] Sendo o primeiro afoxé criado em Pernambuco,[2] o termo afoxé é um tipo de reverência aos mortos e os brincantes representam um "Cortejo Afro”.[1] Na década de 1980, este cortejo de rua era classificado como “Candomblé de rua” e "Afoxé de África".[1]

Em 1986, esta associação estreou no carnaval, quando foi agredido com latas e pedras.[1] No carnaval de 2003, em conjunto com outras agremiações, prestou homenagem aos 140 anos do Maracatu Leão Coroado celebrando também a Consciência Negra.[1]

Em 1989 a rede TV Viva produziu um vídeo sobre o Alafin Oyó, que foi premiado em 1992 no “4º Video Music Festival Democracy and Communication/IMRE”, na cidade norte-americana de Nova York.[1]

Em 1995, para continuar a transmissão de saberes a agremiação Alafin Oyó criou a ala Alafin Mimi, garantindo assim que os saberes do povo de Oyó (yorubá-nagô) fosse transmitidos.[2]

Em conjunto com o Ilê de Egbá e Filhos d’Ogundê produziram o CD “Afoxés de Pernambuco”, coletânea de alguns cortejos/afoxé afro-descendentes.[1]

De acordo com Fabiano Santos, um dos presidente da agremiação: “o afoxé e os terreiros são vistos como instrumentos de formação política e educacional, uma espécie de quilombo contemporâneo onde além de aprenderem sobre musicalidade, os participantes são incentivados a crescerem profissionalmente".[2]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m «Bloco Afro Afoxé Alafin Oyó». Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira. Consultado em 16 de outubro de 2025 
  2. a b c d e f g h «Sobre Afoxé Alafin Oyó». Cultura PE 
  3. «Pernambuco ganha mais 10 Patrimônios Vivos». Agência Brasil. 20 de agosto de 2023. Consultado em 20 de outubro de 2025 
  4. Pernambuco, Diario de (12 de maio de 2025). «Pernambuco celebra titulação dos dez novos Patrimônios Vivos do Estado». Diario de Pernambuco. Consultado em 20 de outubro de 2025 
  5. «Fortalecimento da identidade e relação entre antirracismo e saúde mental em pauta». Alepe - Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco. Consultado em 20 de outubro de 2025 
  6. JC (17 de agosto de 2023). «Pernambuco celebra titulação dos dez novos Patrimônios Vivos do Estado». JC. Consultado em 20 de outubro de 2025 
  7. Jornal, Rádio (14 de agosto de 2023). «A Gente Explica: Como é o processo para se tornar um Patrimônio Vivo?». Rádio Jornal. Consultado em 20 de outubro de 2025