Blandengues de Montevidéu

Blandengues de Artigas no Quartel do Regimento de Cavalaria Nº 1 de Blandengues de Artigas (2013).

Blandengues de Artigas é o nome de uma unidade militar de cavalaria do Uruguai cujas origens remontam aos tempos da presença da coroa espanhola na região.

Antecedentes

Os corpos de blandengues eram milícias crioulas do rio da Prata, onde enfrentavam permanentemente os povos indígenas do Pampa e do Chaco, bem como as incursões dos portugueses na região da Banda Oriental (atual Uruguai e partes do Rio Grande do Sul no Brasil).

Seu nome se deve ao fato de que, quando eram revistados por um governador, "brandiam" (em castelhano: blandieron) as lanças com as quais estavam armados em sinal de homenagem às autoridades. O uniforme que usavam consistia em: uma jaqueta curta e calções azuis, lapelas, um colete e uma gola vermelha, com uma trança estreita e um botão dourado.[1] No inverno, usavam um poncho.

Uniforme de um soldado (costas) e de um oficial (frente) do corpo de Blandengues de Montevidéu no início do século XIX.

Blandengues da Fronteira de Montevidéu

Blandengue. Óleo sobre tela de Mauricio Rugendas (1802-1858).

O Vice-Rei do Rio da Prata Pedro Melo de Portugal, após convocar um Conselho de Guerra, criou o Cuerpo Veterano de Blandengues de la Frontera de Montevideo em 7 de dezembro de 1796, atribuindo-lhe a sede do Quartel dos Dragões em Maldonado. O corpo foi formado com a mesma organização, funções, armas e uniformes de seus antecessores em Santa Fé e Buenos Aires.

Por decreto de 7 de fevereiro de 1797, o governador de Montevidéu, Antonio de Olaguer y Feliú, convocou a formação da unidade, perdoando contrabandistas, desertores e criminosos que vagavam pelo interior fugindo da justiça, com exceção dos assassinos. Eles deveriam se apresentar voluntariamente com pelo menos 6 cavalos e servir por 8 anos. Em 10 de março, José Artigas compareceu, iniciando sua carreira militar como tenente,[2] e com total liberdade para agir como bem entendesse a fim de reduzir os demais contrabandistas.[3]

Por decreto real de 12 de maio de 1797, o rei Carlos IV aprovou a criação do Cuerpo de Blandengues de la Frontera de Montevideo. Em 23 de setembro daquele ano, o regimento foi estabelecido, e seu primeiro comandante, o sargento-mor Cayetano Ramírez de Arellano, foi nomeado em 6 de outubro.

A unidade foi formada com oito companhias de cem homens cada, apoiadas financeiramente pelo Cabildo de Montevidéu, utilizando oficiais do corpo de veteranos de Buenos Aires e das milícias da Banda Oriental.[4]

Durante a Guerra da Independência, a unidade foi dividida entre os dois lados. Quando as forças comandadas por Carlos María de Alvear entraram em Montevidéu em 23 de junho de 1814, a facção monarquista do corpo era composta pelo comandante Ramírez de Arellano, os capitães Bartolomé Riesgo, Juan Agustín Pagola e Carlos Maciel, além de 57 soldados.[5] O corpo desapareceu completamente antes de Artigas se exilar no Paraguai em 1820.

Regimento Blandengues de Artigas nº 1 de Cavalaria

O atual regimento Blandengues de Artigas de Caballería Nº 1 é um dos corpos que compõem o Exército do Uruguai. Serve como escolta do Presidente da República e seus membros constituem a guarda de honra. Também é responsável pela segurança perimetral da Casa de Governo, residência presidencial de Suárez y Reyes e pela custódia dos restos mortais do general José Gervasio Artigas no Mausoléu da Praça Independência.

Participa ativamente das celebrações dos feriados nacionais uruguaios, desfilando a cavalo com sua "Charanga Grito de Asencio" (banda de músicos montados), bandeiras, escoltas e esquadrões de cavaleiros.

Em 25 de agosto de 1910, por decreto do presidente Claudio Williman foi decidido que o Regimiento Escolta N° 1 de Caballería seria renomeado para Regimiento Blandengues de Artigas N° 1 de Caballería'.

O Regimento é subdividido em dois Grupos de Esquadrões. O primeiro compreende os esquadrões de cavalaria "Federação", "República" e "Independência", enquanto o segundo Grupo de Esquadrões é composto por um Esquadrão de Honra, denominado "Ayuí", e um Esquadrão de Comando e Serviços, conhecido como "Purificação".

Ver também

  • Organização militar do Vice-Reino do Rio da Prata

Referências

  1. El lazarillo de ciegos caminantes desde Buenos Aires hasta Lima, 1773, Volumen 25. Pág. 486-487. Autores: Concolorcorvo, José Joaquín de Araujo. Editor: Compañía Sud-Americana de Billetes de Banco, 1908
  2. Obra selecta. Pág. 91. Escrito por José Gervasio Artigas, Ana Salom, Lucía Sala de Touron, Niurka Sala. Publicado por Fundación Biblioteca Ayacucho, 2000. ISBN 980-276-258-X, 9789802762583
  3. Berra, Francisco (27 de fevereiro de 1895). «CVIII-Guerra contra bandidos y contrabandistas. Artigas.». In: Francisco Ybarra. Bosquejo Historico de la República Oriental del Uruguay (PDF) (em espanhol). El libro es de dominio público, ha sido escaneado en la Universidad de Michigan, donde se encuentra el ejemplar, y puesto a dispocicion del público por medio de Google. Buenos Aires, Argentina.: Braine le counte- Imprenta de la Vda. de Cu. Bouret. p. 270. Consultado em 23 de maio de 2017 
  4. Los Blandengues de Artigas
  5. «La Biblioteca Artiguista». Consultado em 31 de outubro de 2010. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2010 

Ligações externas