Birds of the World: Recommended English Names
| Birds of the World: Recommended English Names | |
|---|---|
| Autor(es) | Frank Gill e Minturn Wright |
| Idioma | Inglês |
| País | Estados Unidos |
| Assunto | Aves |
| Editora | Christopher Helm / Princeton University Press |
| Formato | Impresso (Brochura) |
| Lançamento | 2006 |
| Páginas | ix + 259 |
| ISBN | 978-0-7136-7904-5 |
Birds of the World: Recommended English Names é um livro em formato de brochura escrito por Frank Gill e Minturn Wright em nome da União Internacional de Ornitólogos.[1] A obra representa um esforço para produzir um conjunto padronizado de nomes comuns em inglês para todas as espécies de aves, sendo o resultado de um projeto iniciado no Congresso Ornitológico Internacional de 1990. O livro é complementado pelo sítio eletrônico IOC World Bird List, que fornece atualizações contínuas ao material publicado.
Uma introdução de 11 páginas aborda diversas questões relacionadas à nomenclatura das aves. Segue-se uma lista sistemática, das páginas 12 a 211, e um índice de 46 páginas. A sequência das famílias segue a terceira edição de Howard and Moore Complete Checklist of the Birds of the World. A capa do livro é ilustrada com a foto de um vanga-de-prévost, uma ave endêmica de Madagascar.[1]:contracapa
Contexto
Desde o trabalho pioneiro de Lineu, as espécies de organismos possuem nomes científicos reconhecidos em latim, grego ou derivados modernos dessas línguas. Na maioria dos grupos biológicos, os nomes científicos são suficientes por serem amplamente utilizados tanto por acadêmicos quanto por amadores. Em contraste, os nomes não científicos (vernáculos) para aves são extensivamente empregados na comunicação científica e pela vasta comunidade de entusiastas amadores.[2] No entanto, esses nomes vernaculares mudam com frequência e variam conforme a região.[1]:1 Consequentemente, surgiu a necessidade de estabelecer um grau de consistência nos nomes utilizados globalmente.[2]
No final do século XIX, a União Americana de Ornitólogos (sigla em inglês: AOU) tentou padronizar os nomes em inglês das aves nos Estados Unidos e no Canadá. A edição mais recente desse trabalho, a sétima, abrange a América do Norte até o Panamá, mas omite cerca de 80% das espécies mundiais e ainda gera controvérsias. Embora vários autores tenham criado listas de aves do mundo, nenhum teve como objetivo principal a padronização nomenclatural. Como resultado, os nomes em inglês das aves tornaram-se "um mar revolto de polilexia e polissemia, onde uma ave poderia ter muitos nomes e um único nome poderia se aplicar a várias aves."[3]
No final da década de 1980, o Congresso Ornitológico Internacional (sigla em inglês: IOC) buscou um consenso para nomes vernaculares padronizados nos idiomas mais utilizados. Nomes padronizados foram publicados para o francês[4] em 1993 e para o espanhol[5] em 1995. Os nomes em inglês revelaram-se um desafio particular, e a tarefa levou mais de quinze anos.[1]:1 Ainda assim, os autores reconheceram que um consenso global absoluto sobre nomes e ortografia é improvável, apresentando este trabalho como a primeira fase de um processo contínuo.[2]
O projeto para os nomes em inglês começou em 1990, quando o IOC nomeou um comitê de ornitólogos proeminentes, presidido por Burt Monroe [en]. O trabalho provou ser "mais difícil e demorado" do que o esperado e foi interrompido com a morte de Monroe. O projeto só foi retomado em 1994 por Gill e Walter Bock. Gill convidou Wright para ser o secretário e organizador do processo, e ambos foram nomeados copresidentes do comitê revitalizado.[1]:2
Autores e comitê
O esforço de padronização foi realizado por um comitê do IOC (o Comitê Permanente de Nomes em Inglês),[1]:11 com subcomitês regionais.[2] O Comitê Permanente foi copresidido por Frank Gill, ornitólogo profissional com experiência em pesquisas mundiais, e Minturn Wright, advogado e observador de aves internacional com interesse em nomenclatura; ambos supervisionaram a tarefa e são os autores do livro.[1]:contracapa G. Stuart Keith, Chris Perrins [en], Nigel Redman, Robert S. Ridgely [en], Stephen M. Russell, Peter G. Ryan e Richard Schodde atuaram como presidentes regionais, enquanto David B. Donsker foi o editor taxonômico.[1]:2–3
Vinte e oito membros do comitê trabalharam na formulação e aplicação das regras: Per Alström, Mark Beaman, Aldo Berutti, Clive Barlow, David Bishop, Murray Bruce, Paul Coopmans, W. Richard J. Dean, Brian Gill, Simon Harrap, Steven Hilty, Steve N. G. Howell, Tim Inskipp, Michael Irwin, Kenn Kaufman [en], G. Stuart Keith, Ben King, David Parkin, Chris Perrins, Harold Douglas Pratt Jr. [en], Nigel Redman, Peter G. Ryan, Robert S. Ridgely, Phillip Round, Stephen M. Russell, Richard Schodde, Donald Turner e Harrison B. Tordoff [en]. Os membros do comitê também receberam bastante ajuda de outras pessoas. A compilação da lista foi um esforço totalmente voluntário.[1]:10
Critérios
Como parte da padronização, foi necessário desenvolver regras de ortografia, capitalização e uso de nomes derivados. Embora as regras ocupem várias páginas, elas podem ser resumidas da seguinte forma:[1]:5–9
- Nomes oficiais de espécies em inglês são escritos com inicial maiúscula (prática comum entre ornitólogos).
- Patrônimos (nomes de pessoas) são usados na forma possessiva, por exemplo, "Ross's Gull [en]".
- Os nomes não incluem sinais diacríticos ou de inflexão.
- Foram feitos compromissos entre as grafias britânica e americana.
- Nomes geográficos podem estar na forma de substantivo ou adjetivo, mas devem ser consistentes para cada local, por exemplo, Canada (como em "Canada Goose" e "Canada Warbler"), mas African (como em "African piculet [en]" e "African Wood Owl"), e não Africa.
- Palavras compostas seguem regras de consistência para equilibrar a legibilidade e as relações terminológicas.
- O uso de hifens foi minimizado, sendo empregado principalmente para conectar nomes que são, por si só, espécies ou famílias de aves (ex: "Eagle-Owl" e "Wren-Babbler") ou quando a combinação dificulta a leitura, como em "Silky-flycatcher".
O comitê considerou o uso existente de cada nome: se um termo fosse de uso prolongado ou disseminado, não era alterado apenas para corrigir uma imprecisão percebida. Nomes locais foram descartados em favor de nomes formais já estabelecidos. Termos considerados ofensivos foram alterados, e nomes geográficos antigos foram atualizados. O critério mais importante foi que cada espécie deveria ter apenas um nome em inglês em todo o mundo, distinto de todos os outros.[1]:3–5
O resultado publicado em 2006 incluiu uma lista de espécies de 199 páginas,[1]:12–211 organizada taxonomicamente,[1]:2 e um índice de 46 páginas,[1]:213–259 fornecendo nomes em inglês e nomes científicos, principalmente de gêneros e famílias.[1]:10 A taxonomia seguiu as linhas gerais da terceira edição de Checklist of Birds of the World de Howard e Moore.[1]:2 Um CD-ROM que acompanha o livro contém planilhas listando todas as 10.068 espécies e informações sobre suas áreas de distribuição.[3]
Recepção
Como os autores reconheceram, "as paixões sobre nomes de aves são intensas."[1]:1 As críticas ao livro foram, em geral, favoráveis.[3][6][7][8][9][10][11][12][13][14] Ted Floyd, editor da revista Birding, classificou a obra como um "recurso valiosíssimo".[15] S.N.G. Howell chamou o trabalho de "livrinho prático" e um "bom ponto de partida para a comunicação sobre aves, embora tenha mencionado inconsistências entre esta lista e os nomes da AOU".[16] Rick Wright, embora reconhecendo que "a consistência é uma meta difícil de alcançar", considerou a lista "um recurso extremamente útil para qualquer pessoa que escreva, leia ou pense sobre aves fora de sua própria região" e concluiu que "o comitê e os editores devem ser parabenizados por produzirem um trabalho útil e utilizável [sic]".[3]
Contudo, a União Americana de Ornitólogos (sigla em inglês: AOU) criticou os autores por não seguirem suas diretrizes, especialmente quanto ao uso de hifens. A AOU argumentou que hifens em nomes de grupos compostos indicam relações filogenéticas, distinguindo, por exemplo, "Whistling-Ducks" de outros patos e o hífen em "Storm-Petrels" os separa de outras aves da família Procellariidae.[17] Os autores sentiram a necessidade de responder[18] e apontaram que os hífens não são usados dessa forma em áreas como a herpetologia e sugeriram que “práticas bem-intencionadas de hifenização muitas vezes deturpam as relações filogenéticas, tornando-as inúteis”. Eles repetiram sua recomendação de que os hífens devem ser usados “com moderação” e exortaram seus colegas ornitólogos a “trabalharem juntos para simplificar o uso de hífens como um pequeno passo em direção a uma melhor padronização dos nomes de aves em inglês”.[19] Outros autores também deram a sua opinião.[20] A capitalização apresentou outra controvérsia e ainda não chegou a uma resolução uniforme.[21]
Impacto e legado
O livro teve boas vendas, mas logo ficou claro que revisões seriam necessárias devido à descrição de novas espécies. Embora os autores tenham enfatizado que a obra era uma "primeira edição",[1]:11 em 2009, o IOC decidiu não publicar novas edições impressas. Em vez disso, a lista de nomes é agora publicada eletronicamente no sítio eletrônico IOC World Bird List.[22] Uma página no sítio eletrônico tabula a adoção da lista por diversas organizações.[23]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r Gill, Frank, and Minturn Wright, Birds of the World: Recommended English Names; Princeton University Press, 2006.
- ↑ a b c d Burger, Alan E., "Birds of the World: Recommended English Names", Marine Ornithology 35:86 (2007).
- ↑ a b c d Wright, Rick. «Gill and Wright, Birds of the World: Recommended English Names» (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 14 de junho de 2010
- ↑ Devillers, P. & Ouellet, H. 1993. Noms français des oiseaux du monde avec les équivalents latins et anglais. Sainte-Foy, Quebec, and Chabaud, Bayonne, France: Éditions MultiMondes. 452 pp.
- ↑ Bernis, F. 1995. Diccionario de nomes vernaculos de aves. Madrid: Editorial Gredos. 232 pp.
- ↑ Bauers, Sandy, "To decide bird names, authors had to wrestle with loons", The Philadelphia Inquirer, 10 de setembro de 2006.
- ↑ «A global currency for bird conservation» (PDF) (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de março de 2009
- ↑ Cheke, A., Birds of the World: Recommended English Names. Ibis 149(2):429-431 (2007).
- ↑ Gustafson, M., Birds of the World: Recommended English Names. Wilson Journal of Ornithology 119:322-323 (2007).
- ↑ Kaestner, P., Birds of the World: Recommended English Names. Birding 39(3):84-88 (2007).
- ↑ Pearson. D., Birds of the World: Recommended English Names. Bull. African Bird Club 14(2):232-233 (2007).
- ↑ Smith, M., Birds of the World: Recommended English Names. Birding 39(3):88-94 (2007).
- ↑ Thomas, R., Birds of the World: Recommended English Names. BirdingAsia 7:15-16 (2007).
- ↑ Gauntlett, F.M., Birds of the World: Recommended English Names. British Birds 101:264-268 (2008).
- ↑ «Birds of the World: Recommended English Names». Amazon (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025
- ↑ «A Review by Steve Howell « IOC World Bird List». www.worldbirdnames.org (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de outubro de 2013
- ↑ «Committee on Classification and Nomenclature of Birds (North and Middle America) policy on English names of birds» (PDF). AOU (em inglês). Cópia arquivada (PDF) em 25 de janeiro de 2023
- ↑ «Hyphenated Bird Names: A Response to the American Ornithologists' Union's Rejection of International Ornithological Congress Guidelines» (em inglês). doi:10.1525/auk.2008.21008.3.full. Consultado em 15 de dezembro de 2025
- ↑ «ON HYPHENS AND PHYLOGENY» (PDF) (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 25 de outubro de 2012
- ↑ «BIRDS ETCETERA: Birds and Angels: Messing With English Names» (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025
- ↑ «Case History | Audubon». www.audubon.org (em inglês). 25 de junho de 2014. Consultado em 15 de dezembro de 2025
- ↑ «IOC World Bird List – Version 14.2». www.worldbirdnames.org (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025
- ↑ «Adoptions & Applications – IOC World Bird List». www.worldbirdnames.org (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2025
Ligações externas
- Sítio oficial World Bird Names (em inglês)