Biogerontologia


A biogerontologia é o subcampo da gerontologia que estuda o processo de envelhecimento biológico, suas origens evolutivas e possíveis intervenções nesse processo.[1] O termo "biogerontologia" foi cunhado por S. Rattan e passou a ser amplamente utilizado com o lançamento do periódico Biogerontology em 2000. Esse campo envolve pesquisa interdisciplinar sobre as causas, efeitos e mecanismos do envelhecimento biológico. O biogerontologista Leonard Hayflick afirmou que a expectativa de vida média natural dos seres humanos gira em torno de 92 anos e que, se não forem desenvolvidas novas abordagens para tratar o envelhecimento, essa expectativa permanecerá a mesma.[2] Já James Vaupel previu que a expectativa de vida em países industrializados poderá atingir 100 anos para crianças nascidas após o ano 2000.[3] Além disso, muitos biogerontologistas preveem que pessoas nascidas após o ano 2100 poderão alcançar mais de três séculos de vida.[4] Outros cientistas, de maneira mais controversa, sugerem a possibilidade de vida ilimitada para aqueles que já estão vivos. Por exemplo, Aubrey de Grey propôs um "prazo estimado" de cerca de 25 a 30 anos para o desenvolvimento de tecnologias que possam interromper o envelhecimento e permitir que as pessoas parem de morrer por causas relacionadas à idade.[5] Essa abordagem sugere o uso de tecnologias já disponíveis para prolongar a vida das pessoas até que avanços futuros resolvam completamente os problemas relacionados ao envelhecimento, conceito conhecido como velocidade de escape da longevidade. A gerontologia biomédica, também chamada de gerontologia experimental ou extensão da vida, é um subcampo da biogerontologia que busca retardar, prevenir e até reverter o envelhecimento em humanos e animais.
Abordagens para o envelhecimento

Os biogerontologistas se dividem entre aqueles que estudam o processo de envelhecimento para mitigar as doenças associadas ao envelhecimento e aqueles que buscam prolongar a expectativa de vida. Um campo interdisciplinar relativamente novo, chamado gerociência, foca na prevenção das doenças do envelhecimento e na ampliação do tempo de vida saudável (healthspan), no qual uma pessoa vive sem doenças graves.[6][7] Já os biogerontologistas acreditam que o envelhecimento é uma doença em si e deve ser tratado diretamente, com o objetivo final de tornar a probabilidade de morte independente da idade da pessoa (supondo a ausência de fatores externos).[8] Essa visão contrasta com a ideia de que a longevidade máxima não pode ou não deve ser alterada. A biogerontologia não deve ser confundida com a geriatria, que é um campo da medicina voltado para o tratamento de doenças em idosos, e não para o tratamento do envelhecimento propriamente dito. Existem diversas teorias do envelhecimento, e nenhuma delas é amplamente aceita. As teorias podem ser divididas em dois grupos principais: as teorias programadas, que afirmam que o envelhecimento segue um cronograma biológico predefinido, e as teorias do erro, que sugerem que o envelhecimento ocorre devido ao acúmulo de danos ao longo do tempo.[9]
Ver também
- Hipótese da pleiotropia antagonística
- Marcos do envelhecimento
- Biomarcadores do envelhecimento
Referências
- ↑ Ankrah, Paa Kwesi; Mensah, Enock D; Dabie, Kwabena; Mensah, Caleb; Akangbe, Benjamin; Essuman, Jonathan (2024). «Harnessing Genetics to Extend Lifespan and Healthspan: Current Progress and Future Directions». Cureus. doi:10.7759/cureus.55495
- ↑ Geoff Watts (2011). «Leonard Hayflick and the limits of aging». The Lancet. 377 (9783): 2075. PMID 21684371. doi:10.1016/S0140-6736(11)60908-2
- ↑ Christensen, L; Doblhammer, K; Rau, G; Vaupel, JW (2009). «Aging populations: the challenges ahead». The Lancet. 374 (9696): 1196–1208. PMC 2810516
. PMID 19801098. doi:10.1016/s0140-6736(09)61460-4
- ↑ Richel, Theo (2003). «Will human life expectancy quadruple in the next hundred years? Sixty gerontologists say public debate on life extension is necessary». Journal of Anti-Aging Medicine. 6 (4): 309–314. PMID 15142432. doi:10.1089/109454503323028902
- ↑ de Grey, Aubrey D. N. J.; Rae, Michael (2008). Ending Aging. [S.l.]: St. Martin's Griffin. p. 15. ISBN 978-0-312-36707-7
- ↑ Lithgow, Gordon J. (1 de setembro de 2013). «Origins of Geroscience». Public Policy & Aging Report. 4 (1): 10–11. doi:10.1093/ppar/23.4.10
- ↑ Burch, John B.; et al. (8 de maio de 2014). «Advances in Geroscience: Impact on Healthspan and Chronic Disease». The Journals of Gerontology: Series A. 69 (Suppl_1): S1–S3. PMC 4036419
. PMID 24833579. doi:10.1093/gerona/glu041
- ↑ Stambler, Ilia (1 de outubro de 2017). «Recognizing Degenerative Aging as a Treatable Medical Condition: Methodology and Policy». Aging and Disease. 8 (5): 583–589. PMC 5614323
. PMID 28966803. doi:10.14336/AD.2017.0130
- ↑ Carlos López-Otín; Maria A. Blasco; Linda Partridge; Manuel Serrano; Guido Kroemer (6 de junho de 2013). «The Hallmarks of Aging». Cell. 153 (6): 1194–1217. PMC 3836174
. PMID 23746838. doi:10.1016/j.cell.2013.05.039
Leitura adicional
- Goldman IL (2002). «Raymond Pearl, smoking and longevity». Genetics. 162 (3): 997–1001. PMC 1462343
. PMID 12454050. doi:10.1093/genetics/162.3.997 - Kingsland S (1984). «Raymond Pearl: on the frontier in 1920s. Raymond Pearl memorial lecture, 1983». Human Biology. 56 (1): 1–18. PMID 6378756
- Lloyd PJ (1967). «American German and British antecedents to Pearl and Reed's logistic curve». Population Studies. 21 (2): 99–109. JSTOR 2172714. PMID 11630390. doi:10.2307/2172714
- Alvarez WC (1959). «Raymond Pearl, student of longevity; 1879-1946». Geriatrics. 14 (1): 56–8. PMID 13609920
Ligações externas
- American Philosophical Society Raymond Pearl Papers
- Biogerontologia — Biographical Memoirs of the National Academy of Sciences
- The Papers of Raymond Pearl at Dartmouth College Library