Bicho-do-cesto
Bicho-do-cesto
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![]() Casulo | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Oiketicus kirbyi Guilding, 1827 | |||||||||||||||||||
O bicho-do-cesto (Oiketicus kirbyi) é uma mariposa da família Psychidae encontrada em áreas florestais do continente americano, com distribuição que vai da Argentina ao México. Enquanto o macho se transforma em mariposa ao chegar na fase adulta, a fêmea permanece na forma de lagarta, passando a vida em um "cesto" feito de folhas e pequenos ramos. O abrigo do animal apresenta seda quando estiver bem desenvolvido.
As larvas se alimentam de várias plantas, incluindo bananeiras, cacaueiros, dendezeiros, pupunheiras, coqueiros, citrinos, tecas, eucaliptos, abacateiros, nespereiras e amendoeiras-da-praia. É uma espécie que pode ter importância agrícola em culturas de banana, pêssego, videira, café, dendê, eucalipto, cítricas e outras.[1]
Descrição e ciclo de vida
O ciclo de vida desse inseto caracteriza-se por uma única geração anual. As larvas surgem na primavera, nos galhos superiores das árvores; no Hemisfério Sul, esse evento ocorre entre outubro e dezembro. Assim que eclodem, apresentam-se pequenas e amareladas, alimentando-se das folhas. Poucas horas após nascerem, produzem um longo filamento sedoso por meio das glândulas labiais e descem dos galhos mais altos. Com o auxílio do vento, elas se dispersam para galhos inferiores ou chegam ao solo, de onde podem subir novamente para outras árvores ou arbustos próximos. Após aproximadamente 24 horas de vida, iniciam a construção de um casulo, utilizando restos vegetais lenhosos e fios de seda, deixando visíveis apenas a cabeça e as pernas. Ao longo do desenvolvimento, repetem o comportamento de descer utilizando os filamentos sedosos até alcançar galhos inferiores.
Conforme a larva cresce e realiza suas mudas, o casulo também se expande, alcançando cerca de 5 cm de comprimento. Nos seus estágios iniciais, apresenta um formato cônico, enquanto nos estágios finais torna-se alongado e ovalado, geralmente com uma coloração acinzentada.
No outono, após um curto período como pupa, a fêmea permanece no interior do casulo, que já adquiriu sua forma e tamanho definitivos. Nesse estágio, a fêmea perde a funcionalidade da boca, não possui asas e tem pernas rudimentares que a impedem de locomover-se. Sua principal função é esperar a chegada de um macho.
O macho, diferentemente, é uma mariposa alada, com coloração marrom contendo áreas claras e escuras. Suas asas são cobertas por uma fina camada densa de pelos em vez das escamas típicas de outros lepidópteros. Ele também possui peças bucais não-funcionais e voa incansavelmente durante o dia e a noite em busca do casulo da fêmea. Ao encontrá-lo, insere seu abdômen no interior do casulo em um complexo processo de acasalamento que pode durar cerca de uma hora para completar a fertilização. Após isso, o macho morre.
A fêmea fertilizada sela as aberturas do casulo e deposita seus ovos no interior antes de também morrer. Em média, um casulo pode conter cerca de 800 ovos, embora sejam frequentes casos onde a postura chegue a 1.500 ovos e até mesmo ninhadas extraordinárias de até 4.000 ovos já foram registradas. Esses ovos permanecem viáveis durante o inverno, garantindo a perpetuação da espécie exclusivamente nesse estágio.
Controle em plantas
Para plantas arbustivas, o método mais eficiente para combater o bicho-do-cesto é proceder com a retirada dos caules. Já no caso das trepadeiras, a remoção é realizada durante a poda de inverno, enterrando os caules e queimando os galhos posteriormente.
Nas espécies tropicais, porém, a remoção dos cestos torna-se uma tarefa bem mais complexa e praticamente inviável em árvores. Nessas situações, o uso de inseticidas é indispensável para o controle químico. Apesar de a espécie ser bastante sensível a doses baixas de quase todos os tipos de inseticidas, sua eliminação depende da ingestão do produto pelo animal ao se alimentar das plantas, já que o inseticida não consegue atravessar as paredes do cesto que os protege. Por essa razão, o tratamento químico precisa ser realizado repetidas vezes, o que traz riscos potenciais aos operários e limita a possibilidade de aproveitamento dos frutos produzidos.
Referências
- ↑ Cleber, Baronio (dezembro de 2012). «Bioecologia e controle do bicho do cesto Oiketicus kirbyi (Guilding,1927) (Lepidoptera: Psychidae) em pessegueiro e videira» (PDF). EMBRAPA. Consultado em 1 de março de 2021
Literatura
- «Manejo del bicho del cesto (Oiketicus platenses) en el cultivo de vid» (PDF). Revista de Divulgación Técnica Agrícola y Agroindustrial; Facultad de Ciencias Agrarias - UNCa (em espanhol) (9). 2010. Consultado em 24 de dezembro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 13 de março de 2016
