Biblioteca Parque de Manguinhos
Biblioteca Parque de Manguinhos
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| Tipo | biblioteca, biblioteca pública |
| Inauguração | 2010 (16 anos) |
| Geografia | |
| Coordenadas | |
| Localização | Rio de Janeiro |
| País | Brasil |
| Website oficial | |
A Biblioteca Parque de Manguinhos é uma das bibliotecas públicas do Rio de Janeiro e a primeira biblioteca parque do país, inaugurada em 29 de abril de 2010 no bairro de Benfica. Possui um acervo de 25 mil livros e 900 filmes em DVDs para locação. A construção custou R$ 8,7 milhões em uma área de 2.300 m². Com biblioteca infantil e Cineteatro, a BPM é, além de biblioteca, um espaço cultural e de convivência, que oferece ampla acessibilidade à população.
O espaço, abraçado pela comunidade local, conta ainda com o moderno Cineteatro Eduardo Coutinho, com 202 lugares e tecnologia 3D. Também possibilitou a criação de iniciativas como a Cia de Teatro Manguinhos em Cena, contemplada por dois editais estaduais, além de outros grupos artísticos locais.
História
Manguinhos é um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, onde fica o Complexo de Manguinhos, conjunto de nove favelas. A região é conhecida pelo baixo IDH.[1]
Em 2006, o governo federal iniciou intervenções no local, com o objetivo de ampliar o espaço urbanizado e melhorar a qualidade de vida da população. Dentre essas intervenções, a Biblioteca Parque de Manguinhos foi destinada a ser o espaço cultural da região. As obras tiveram início em 2009, e sua inauguração ocorreu em abril de 2010.
Programa de Aceleração do Crescimento
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma iniciativa do governo federal que teve início em 2007, com o objetivo de incentivar o crescimento urbano e social do país. Com a execução do programa em Manguinhos, facilitou-se o acesso a políticas públicas na região, atendendo não apenas às necessidades básicas, mas também promovendo a cultura com maior facilidade para a população.
Conceito e importância
A Biblioteca Parque de Manguinhos foi inspirada na Biblioteca Parque España, localizada em Medellín, na Colômbia, uma das regiões mais violentas do país. O objetivo era criar um centro cultural e comunitário, indo além do conceito tradicional de biblioteca.[2]
As Bibliotecas Parque desempenham um papel importante na promoção da cultura em áreas de maior vulnerabilidade, utilizando seus espaços para atividades como teatro, cinema, dança, circo, comunicação e música. Sua estrutura privilegia a interação entre os usuários, diferindo das bibliotecas tradicionais.
Ao analisar o cenário cultural carioca, nota-se a concentração de atividades culturais no Centro e na Zona Sul da cidade, regiões onde residem pessoas com maior poder aquisitivo e maior acesso à cultura. Enquanto isso, outras áreas da cidade têm acesso restrito a instrumentos culturais.
Impasses e fechamento
Em janeiro de 2013, foi instalada a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, com o objetivo de reforçar a segurança em comunidades do Rio de Janeiro. A chegada do programa ao bairro resultou em conflitos entre autoridades e quadrilhas locais. A redução da criminalidade foi momentânea, e casos de abuso de autoridade se tornaram frequentes. As UPPs proibiram a realização de festas e eventos, como bailes funk, samba e rodas de hip hop, o que levou a uma avaliação negativa do programa.
Na inauguração em 2010, a gestão das Bibliotecas Parque era de responsabilidade da Secretaria de Cultura do Estado, por meio da Superintendência de Leitura e Conhecimento. Posteriormente, a gestão foi transferida para uma organização social. A má administração do poder público, as mudanças de gestores e a crise econômica no Rio de Janeiro comprometeram os convênios, resultando na redução do horário de funcionamento, cortes de verba e demissões. Logo após, as bibliotecas foram fechadas.
O movimento Abre Biblioteca Rio[3] realizou protestos, conseguindo um pequeno aumento no horário de funcionamento até novembro daquele ano. No entanto, devido aos atrasos, mais de 150 funcionários foram demitidos. A prefeitura do Rio de Janeiro assumiu a gestão das bibliotecas de Manguinhos, Rocinha e Alemão, mas com uma verba significativamente menor do que a disponibilizada pelo governo do estado.
Reabertura
Devido aos protestos, a população ocupou o espaço para atividades culturais, como teatro e dança. Em 31 de janeiro de 2017, a Biblioteca Parque de Manguinhos foi reaberta parcialmente.
A reinauguração oficial ocorreu em 29 de março de 2018, sendo renomeada como Biblioteca Parque Marielle Franco, em homenagem à vereadora assassinada. Atualmente, as bibliotecas são geridas pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com outras instituições e organizações.
Referências
- ↑ «Observatório dos Conflitos Urbanos da Cidade do Rio de Janeiro». observaconflitosrio.ippur.ufrj.br. Consultado em 24 de julho de 2025
- ↑ Santos, Karen Kristien Silva Dos (31 de maio de 2019). «Biblioteca Parque de Manguinhos: afetos, resistências e políticas no cenário cultural carioca». RELACult - Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade. ISSN 2525-7870. doi:10.23899/relacult.v5i5.1514. Consultado em 15 de julho de 2025
- ↑ Rio, Abre Biblioteca (24 de novembro de 2015). «Reunião aberta e ato do Movimento Abre Biblioteca Rio – Pelo não fechamento das bibliotecas parque do RJ!». Consultado em 24 de julho de 2025
Ligações externas
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