Beto Bittencourt
| Beto Bittencourt | |
|---|---|
| Nascimento | 5 de setembro de 1962 Pinheiro |
| Morte | 15 de agosto de 1999 (36 anos) |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | ator, artista de circo, bonequeiro, criador de bonecos |
Humberto Henrique Bittencourt (Pinheiro, 5 de setembro de 1962 – São Luís, 15 de agosto de 1999), mais conhecido por seu nome artístico Beto Bittencourt, foi um ator, artista circense e bonequeiro maranhense, considerado uma das principais referências no teatro de animação e cultura popular do Maranhão. Também conhecido como Beto Bonequeiro, dedicou sua vida à criação de bonecos e à difusão do teatro de bonecos como forma de expressão lúdica e educativa.[1]
Biografia
Beto Bittencourt nasceu em Pinheiro, no interior do Maranhão, e mudou-se ainda jovem para São Luís, onde passou a maior parte de sua vida e construiu sua carreira artística.[1] Desde criança, se envolveu com bonecos.[2] Antes mesmo de mudar-se para a capital maranhense, Beto reunia as crianças, pintava-as com carvão e apresentavam peças de comédia. Também tinha apreço por agulhas e linhas, e fabricava bonecos.[3]
| “ | Ele já nasceu com um Dom, não tinha outro jeito. | ” |
— Joana Bittencourt, irmã de Beto[4] | ||
Iniciou sua trajetória como ator no grupo Laborarte, participando de diversos espetáculos e desenvolvendo sua linguagem cênica característica, marcada por uma fala teatralizada e exagerada, voltada ao universo lúdico.[1] Posteriormente, fundou, ao lado dos artistas Gílson César, Sandra Cordeiro e Silvana Cartágenes, a Companhia Circense de Teatro e Bonecos,[2] com a qual atuou em espetáculos que misturavam elementos do teatro, circo e manipulação de bonecos. Mais tarde, criou sua própria companhia, consolidando-se como um dos principais nomes do teatro de animação no estado. Com seus bonecos, Beto se apresentou em diversos palcos, inclusive na Europa, levando a cultura maranhense para além das fronteiras nacionais.[1]
Parte de suas criações são bonecos gigantes, que criou para o teatro inspirado no Carnaval de Olinda, já que Beto era amante do folclore popular do Maranhão, o carnaval, o bumba-meu-boi, as lendas.[5]
Entre seus projetos mais ambiciosos estava a criação do espetáculo "Um bibelô sobre o Atlântico", uma obra de caráter épico que buscava interpretar poeticamente a fundação da cidade de São Luís. O espetáculo, no entanto, não chegou a ser concretizado em virtude de sua morte precoce, aos 36 anos de idade.[1]
Pouco antes de falecer, Beto expressou o desejo de que seu acervo de bonecos fosse doado ao público. Atendendo ao seu pedido, a família doou 101 bonecos ao Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, onde parte de sua obra permanece preservada e acessível ao público.[1] Outra parte da sua coleção está no Museu Casa de Nhozinho (bonecos gigantescos e em tamanho natural),[6][7] e 300 bonecos e 3 mil livros estão guardados na Companhia Beto Bittencourt.[8] A maioria dos bonecos são de papel machê, espuma e isopor empapelado.[4]
Homenagens
- O anfiteatro do Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, no Centro Histórico de São Luís, recebeu seu nome
- 1999 - Companhia Beto Bittencourt (SACBB), presidida por sua irmã, Joana Maria Bittencourt, mantém atividades culturais inspiradas por sua trajetória[1][8][9]
- ? - Exposição "Manaim", com 15 bonecos de Beto Bittencourt[4]
- 2006 - Exposição "Brincadeiras do Maranhão", com 58 bonecos de Beto Bittencourt e outros 4 artistas maranhenses[4]
- 2006 - Exposição "Boizinho de Brinquedo", que inclui um regueiro de Beto Bittencourt, que ficou inacabado com sua morte[4]
- 2010 - 2011 - A área de financiamento de Artes Cênicas do Edital Universal de Apoio à Cultura Maranhense foi dedicada a ele[3]
Referências
- ↑ a b c d e f g Ribeiro, Postado por Lio. «Salve, Beto Bittencourt - bonequeiro». Consultado em 22 de abril de 2025. Cópia arquivada em 9 de novembro de 2019
- ↑ a b Ana Socorro Ramos Braga; Silvana Raposo Cartágenes. O Desejo de Catirina: o auto do bumba meu boi da Cia Circense de Teatro de Bonecos. MÓIN-MÓIN - REVISTA DE ESTUDOS SOBRE TEATRO DE FORMAS ANIMADAS: TEATRO DE BONECOS AFRICANO E AFRODIASPÓRICO, Florianópolis, v. 1, n.28, p. 01-202, out. 2023 E -ISSN: 2595.0347.
- ↑ a b Governo do estado do Maranhão. Edital Universal de Apoio à Cultura Maranhense. 2010-2011.
- ↑ a b c d e «Produção de bonecos à mostra - O EstadoMA». Imirante. 7 de janeiro de 2006. Consultado em 1 de maio de 2025. Cópia arquivada em 1 de maio de 2025
- ↑ MONIQUE DE OLIVEIRA SERRA. OS MUSEUS DE CULTURA POPULAR DE SÃO LUÍS COMO ESPAÇOS EDUCATIVOS: configurações e perspectivas para uma pedagogia do imaginário. São Luís, 2012.
- ↑ Walter Rodrigues Marques, Flor de Cássia Pereira da Silva,Aline Ribeiro Casas Nova de Sousa, Silvia Teresa de Jesus Pereira Dutra, Hugo Leonardo Pereira Bezerra, Ângela Ribeiro Casas Nova de Sousa, Janes Claudio de Jesus Moraes, Luis Félix de Barros Vieira Rocha. «O Bumba Meu Boi do Maranhão, a cultura popular e o Museu Casa de Nhozinho» (PDF). d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net. Consultado em 1 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 1 de maio de 2025
- ↑ «A importância da Casa de Nhozinho e da atuação do artista e pesquisador Jandir Silva Gonçalves para a cultura maranhense – Revista Nova Imagem». 24 de abril de 2025. Consultado em 1 de maio de 2025. Cópia arquivada em 25 de fevereiro de 2024
- ↑ a b «Companhia Beto Bittencourt – Assembleia Legislativa do Maranháo». ALEMA. 31 de março de 2025. Consultado em 1 de maio de 2025. Cópia arquivada em 1 de maio de 2025
- ↑ «Ação lúdica da Companhia Beto Bittencourt em escola pública municipal recebe apoio do vereador Honorato Fernandes». Câmara Municipal de São Luís - MA. 23 de agosto de 2019. Consultado em 1 de maio de 2025. Cópia arquivada em 1 de maio de 2025