Bernart Marti

Bernart Marti, também documentado como Bernardus Martini e Bernartz Martis,[1] foi um trovador occitano que floresceu em meados do século XII. Ele foi um poeta satírico e moralista que seguia o estilo de Marcabru em sua "Escola Marcabruniana".[2]

Sua origem é incerta e muito pouco se sabe dele. A única informação precisa extraída de seus poemas é que Bernart Marti era contemporâneo de Peire d'Alvernhe, e que ambos se envolveram numa disputa literária.[3]

O poeta não é citado em nenhum outro componente trovadoresco, salvo no Breviari d'Amor de Matfre Ermengaut, que transcreve alguns dos versos do poema D'entier vers far ieu non pes.[1]

Bernart declarou, no poema Companho per companhia, e em terceira pessoa, que possuía a profissão de pintor.[1]

Disputa literária

Bernart Marti atacou Peire d'Alvernha, trovador occitano-auvernês de canções religiosas e de cruzada, em razão de sua presunção de superioridade espiritual e poética.[2]

Peire, no poema Sobre.l vieil trobar e.l novel, nas estrofes IV e V, amplifica o tema de sua superioridade sobre seus rivais e detratores. O poema pertence ao estilo trobar clus, característico dos trovadores moralistas.[4]

No mesmo poema, ele estabelece o conceito de vers entiers (verso inteiro): uma canso que mantém a mesma qualidade, estilo, e ideia do começo ao fim. É uma regra estética criada pelo trovador auvernês.[4]

Bernart Marti reprova a ideia. No poema resposta D'entier vers far ieu non pes, ele diz não possuir intenção de compor segundo a regra do vers entiers; mas diz que, mesmo assim, sua composição jamais será quebrada ou frágil.[4]

Depois de um longo criticismo àqueles que escrevem vers entiers dentro de um contexto falho, Bernart direciona as críticas ao próprio Peire d'Alvernhe, que se prometeu inteiro a Deus como frade, e depois quebrou os votos para se tornar jogral. O argumento é que o próprio Peire, analogicamente, quebrou um voto que deveria ser inteiro.[2]

Poemas

Bernart Marti possui poucos poemas sobreviventes; são nove obras de autoria certa, e uma de autoria incerta, com nenhuma melodia sobrevivente. A escassez numérica de suas obras vêm de sua atuação não profissional dentro da poesia.[1]

A estruturação a seguir foi feita por Beggiato:[1]

  • Amar dei;
  • A, senhors, qui so cuges;
  • Bel m'es lai latz la fontana;
  • Companho, per companhia;
  • D'entier vers far ieu non pes;
  • Farai un vers ab son novelh;
  • Quan l'erb'es reverdezida;
  • Qant la pluei'e·l vens e·l tempiers;
  • Lancan lo douz temps s'esclaire;
  • Belha m'es la flors d'aguilen (atribuição incerta, pois sete manuscritos atribuem a Peire d'Alvernhe).[3]

Referências

  1. a b c d e Beggiato, Fabrizio (1984). Il trovatore Bernart Marti. Modena: MUCCHI EDITORE. pp. 17–153 
  2. a b c Gaunt, Simon; Kay, Sarah, eds. (1999). The troubadours: an introduction. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 48–49. ISBN 978-0521574730
  3. a b De Riquer, Martin (1975). Los trovadores: historia literaria y textos. Barcelona: Editorial Planeta. pp. 245–247. ISBN 978-8432076008
  4. a b c Paterson, Linda (1975). Troubadours and eloquence. Oxford: Clarendon Press. pp. 60–69. ISBN 978-0198157113