Benjamin de Oliveira

 Nota: Este artigo é sobre o artista brasileiro. Para o político português, veja Benjamim de Oliveira. Para o político brasileiro, veja Benjamin de Oliveira (político).
Benjamin de Oliveira
Nome completoBenjamin Chaves
Nascimento
Morte
3 de maio de 1954 (83 anos)

Nacionalidade Brasil
OcupaçãoPalhaço, compositor, ator, cantor

Benjamin Chaves (Pará de Minas, 11 de junho de 1870Rio de Janeiro, 30 de maio de 1954), mais conhecido como Benjamin de Oliveira, foi um artista, compositor, cantor, ator e palhaço de circo brasileiro.[1] Ele é mais conhecido por ser o primeiro palhaço negro do Brasil.[2] Além disso, foi o idealizador e criador do primeiro circo-teatro.[3] O sobrenome "Oliveira" veio ao se inspirar no nome de seu instrutor, Severino de Oliveira.[4]

Biografia

Benjamin Chaves nasceu em Pará de Minas, interior de Minas Gerais, em 11 de junho de 1870, filho de Malaquias Chaves e Leandra de Jesus.[3] Negro forro, cuja alforria e de seus irmãos veio ao nascerem, já que Leandra era considerada escrava de estimação.[3] Seu pai trabalhava buscando escravos fugitivos.[3]

Carreira

Aos 12 anos, Benjamin fugiu de casa com a "troupe" do circo Sotero, que passava na cidade, onde atuou como trapezista e acrobata.[4][5] Três anos após, ele decidiu escapar, já que era espancado pelo dono do circo.[4] Já fora do Sotero, ele encontrou-se com ciganos que queriam vendê-lo, fazendo com que escapasse novamente. Nesta fuga, ele acabou encontrando um fazendeiro, que alegou que ele seria um escravo fugitivo.[3] Para ser libertado, teve que fazer algumas das acrobacias que havia aprendido no circo.[3] Depois de passar por vários outros circos, substituiu o palhaço titular do circo onde trabalhava, que havia adoecido e que não havia ninguém para substituí-lo.[4] Na sua primeira apresentação, o público o rejeitou. Depois, trabalhou em outros circos passando por várias cidades, em especial no circo Caçamba, no Rio de Janeiro, onde o então presidente da república Marechal Floriano Peixoto estava presente.[4] Surpreso com sua apresentação, e com a ideia de Manuel Gomes, dono do circo, o presidente transferiu o circo da favela para a frente do Palácio do Itamaraty, na Praça da República.[3] A partir dali, os materiais usados pela trupe eram transportados pelo Exército Brasileiro.[3]

Escreveu diversas peças de sucesso, entre as quais: O Diabo e o Chico, Vingança Operária, Matutos na Cidade e A Noiva do Sargento.[6] Atuou também como cantor, nos entreatos, executando, ao violão, lundus, chulas e modinhas, principalmente as de seu amigo Catulo da Paixão Cearense.

Em agosto de 1908, protagonizou o papel de Peri na peça O Guarani, em que foi filmado no circo Spinelli e lançado com o nome Os Guaranis, inspirado na obra de José de Alencar.[4] Foi o primeiro filme de romance, na época, lançado pela Photo-Cinematographica Brasileira.[4] Em 1921, criou a revista Sai Despacho!.[3]

Em 1941, ele pediu auxílio de passagens e transporte para uma excursão em Belo Horizonte, Minas Gerais.[3] O pedido negado.[3] Em 1947, devido a pressão feita pelos jornalistas à Câmara dos Deputados, passou a receber pensão do governo.[3]

Em entrevista a Brício de Abreu, em 1947, descreveu o circo em que trabalhou, por volta de 1885:

"Em Mococa, encontrei um grupo trabalhando. O chefe do elenco se chamava Jayme Pedro Adayme. Era um norte-americano (...) trabalhávamos em ranchos de taipa, cobertos com panos velhos. Cada vez que mudávamos de cidade, vendíamos a parte da madeira e levávamos apenas a parte do pano em lombos de burro (...) Andávamos por terra de cidade em cidade, de vila em vila. Raramente conseguíamos um carro de boi. Quase sempre em lombo de burro."

Morte

Benjamin faleceu em 30 de maio de 1954, no Rio de Janeiro, RJ, como noticiou o jornal O Estado de São Paulo, na edição do dia 01.06.1954, página 9, assim como "A Noite", edição de 31.05.1954, págs. 3 e 8, com o título "Morreu o palhaço Benjamin de Oliveira".[3]

Fatos recentes

  • A historiadora Ermínia Silva publicou, em 2008, o livro “Circo-Teatro: Benjamin de Oliveira e a Teatralidade Circense no Brasil[7]
  • Em 2009, a escola de samba São Clemente, do Rio de Janeiro, apresentou o enredo "O Beijo moleque da São Clemente", uma homenagem a Benjamin de Oliveira. O enredo, de autoria do carnavalesco Mauro Quintaes, foi inspirado no livro de Ermínia Silva.[8][7][9]
  • O artista também foi homenageado com o espetáculo "Universo Redondo - Os Circos de Benjamim", em 2015, no Rio de Janeiro, por iniciativa do ator Gabriel Sant´Anna, da Cia do Solo.[10]
  • Sua estátua, situada no Parque Bariri, município de Pará de Minas (MG), foi vandalizada ao ser pichada com duas suásticas prateadas, em setembro de 2017. [11]
  • Em 2019, Benjamin foi representado no espetáculo Chaves - Um Tributo Musical, sendo interpretado por Milton Filho e, depois, por Maurício Xavier.
  • No carnaval de 2020, a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro teve como enredo "O Rei Negro do Picadeiro" que cantou a vida e obra de Benjamin.

Discografia

  • 1910 - Caipira Mineiro
  • 1910 - As Comparações
  • 1910 - O Baiano na Rocha (com Mário Pinheiro)
  • 1910 - Se Fores ao Porto (com Mário Pinheiro)


Filmografia

Ano Filme Papel Notas
1908 Os Guaranis Peri
1948 Inconfidência Mineira escravo de Tiradentes


Referências

  1. A constituição do circo-família. Pindorama Circus. Página visitada em 8 de maio de 2014.
  2. Tizumba, Maurício. «Benjamin de Oliveira (1870-1954)». Heróis de Todo Mundo. Consultado em 11 de setembro de 2012. Cópia arquivada em 5 de maio de 2014 
  3. a b c d e f g h i j k l m Marques, Daniel (2006). «O palhaço negro que dançou a chula para o Marechal de Ferro». Universidade Federal da Bahia. Consultado em 16 de janeiro de 2014. Cópia arquivada em 5 de maio de 2014 
  4. a b c d e f g Pereira, Terezinha (2010). «Benjamim de Oliveira sob o olhar da pesquisadora Ermínia Silva». Museu Histórico de Pará de Minas. Consultado em 16 de janeiro de 2014. Cópia arquivada em 5 de maio de 2014 
  5. «Benjamim de Oliveira: o clown negro brasileiro». Universo Online. Catraca Livre. 10 de dezembro de 2010. Consultado em 11 de setembro de 2012. Cópia arquivada em 5 de maio de 2014 
  6. «Conheça Benjamim de Oliveira, o palhaço negro que encantou multidões». UOL. 25 de novembro de 2023. Consultado em 26 de novembro de 2023 
  7. a b «Crescer e Viver se junta a São Clemente para homenagear o Palhaço Benjamin de Oliveira». Circo Crescer e Viver 
  8. Rodrigues, Geraldo. «Resgate Histórico: Palhaço Negro homenageado na Sapucaí e o livro sobre Pará de Minas». GR News 
  9. Silva, Fábio (2 de agosto de 2008). «São Clemente: Conheça a sinopse do enredo para o Carnaval 2009». Galeria do Samba 
  10. «História do primeiro palhaço negro do Brasil vira espetáculo no Rio de Janeiro». Arte Clube. 4 de março de 2015 
  11. «Estátua do primeiro palhaço negro do Brasil é pichada com suástica». RecordTV Minas. 5 de setembro de 2017 

Bibliografia

  • SILVA, Ermínia. Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil. São Paulo, Editora Altana, 2007. 434 p.
  • Hirano, Luís Felipe Kojima. Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil. Ponto Urbe [Online], 2 | 200. DOI : 10.4000/pontourbe.1923.
  • Porto, Sérgio – Benjamim de Oliveira – o palhaço, em Revista Manchete. Rio de Janeiro, seção “Um Episódio por Semana”, 19 de junho de 1954.
  • Azevedo, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
  • Marcondes, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.
  • Tinhorão, José Ramos. Cultura popular - Temas e questões. São Paulo: Editora 34, 2001.
  • Abreu, Brício de - Esses populares tão desconhecidos, Rio de Janeiro, c. Raposo Carneiro editor, 1963.
  • Jornal O Estado de São Paulo, edição do dia 01.06.1954, página 9, artigo: "Falecimento de artista circense. Rio, 31.
  • A Noite, edição de 31.05.1954, págs. 3 e 8, artigo: "Morreu o palhaço Benjamin de Oliveira".

Ligação externas