Benguela (capoeira)
Benguela
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| Prática | Jogo de capoeira |
| Foco | Jogo de chão, estratégia, controle técnico |
| País de origem | Rio de Janeiro, |
| Criador(es) | Mestre Camisa |
A Benguela é um estilo de jogo e um toque de capoeira desenvolvido por Mestre Camisa no seio da escola Abadá-Capoeira durante a década de 1980. Embora frequentemente confundida com a "Banguela" de Mestre Bimba, a Benguela da Abadá constitui um desenvolvimento técnico e musical autônomo, focado na transição para o jogo de chão e na preservação da integridade física dos praticantes através da estratégia e da técnica.[1]
Origem e Etimologia
A criação da Benguela partiu da necessidade de Mestre Camisa em preencher uma lacuna que ele percebia na Capoeira Regional: a carência de um jogo de chão que não perdesse as características da linhagem de Bimba. O nome é uma homenagem à província de Benguela, em Angola, e ao povo Ovimbundu, buscando uma conexão direta com a herança africana e distanciando-se do termo "Banguela".[2]
A Controvérsia: Banguela vs. Benguela
Existe uma histórica distinção entre os dois termos:
- Banguela (Mestre Bimba): O termo refere-se a "alguém sem dentes". Foi criado para ser um toque que "tirava os dentes" (a agressividade) do jogo de São Bento Grande, sendo um momento de controle e mansidão.[3]
- Benguela (Mestre Camisa): Refere-se à localidade geográfica africana. Mestre Camisa afirma que, embora o som possa ser similar aos ouvidos destreinados, o objetivo, o canto e a musicalidade são distintos, não devendo ser tratados como sinônimos.[1]
Características Técnicas do Jogo
O jogo de Benguela é caracterizado por ser rente ao solo, porém com volume de movimentação constante. Diferente da Capoeira Angola, onde a malícia é explorada em um ritmo mais lento, a Benguela busca a eficiência técnica, a ocupação de espaços e a continuidade.
As principais diretrizes são:
- Proximidade: Os jogadores mantêm uma distância curta, exigindo reflexos rápidos e controle corporal.
- Não-contato: É um jogo de marcação e estratégia; o objetivo é demonstrar superioridade técnica sem necessariamente atingir o parceiro.
- Volume de Chão: Utiliza-se de quedas, tesouras e passagens baixas, mantendo o fluxo sem interrupções.[2]
Musicalidade
A musicalidade é o pilar que diferencia a Benguela de outras variações. Enquanto na Regional tradicional o berimbau toca de forma isolada para este ritmo, na Benguela da Abadá utiliza-se uma orquestra completa.
A Orquestra
1. Berimbau Gunga (Grave): Mantém o toque básico, sustentando o ritmo da roda.
2. Berimbau Médio: Faz a inversão do toque do Gunga, criando um diálogo rítmico constante.
3. Berimbau Viola (Agudo): Responsável pelas dobras e variações constantes, exigindo alta perícia do tocador.
4. Pandeiro: Marca o tempo de forma cadenciada.
O Canto
Mestre Camisa introduziu o Canto de Benguela, que possui uma função narrativa similar à Ladainha da Angola, mas com métrica própria. As letras geralmente versam sobre a história da capoeira, a geografia de Angola ou fundamentos éticos da escola, utilizando o formato de quadra e corrido adaptado.[1]
Ver também
- Mestre Camisa
- Abadá-Capoeira
- Mestre Bimba
Referências
- ↑ a b c Camisa, Mestre (2023). É Banguela ou Benguela? Mestre Camisa explica detalhe do jogo que foi desenvolvido na sua escola. Consultado em 23 de janeiro de 2026 – via YouTube
- ↑ a b «Entrevista com Mestre Camisa». ResearchGate. 2022. Consultado em 23 de janeiro de 2026
- ↑ Campos, Hélio José Bastos Carneiro de (Mestre Xaréu). Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba (PDF). Salvador: Repositório Institucional da UFBA. Consultado em 23 de janeiro de 2026
