Belarmino da Ascenção Marta
| Belarmino | |
|---|---|
![]() Belarmino, em 2023 | |
| Nome completo | Belarmino da Ascenção Marta |
| Outros nomes | "Barão dos ônibus" |
| Nascimento | 15 de agosto de 1936 (89 anos) |
| Residência | Brasil |
| Cidadania | Português e brasileiro |
| Cônjuge | Nívia da Silva Marta |
| Filho(a)(s) | pelo menos 02 * Carla da Silva Marta e
|
Belarmino da Ascenção Marta é um empresário luso-brasileiro proprietário do Grupo Belarmino, conglomerado que controla diversas empresas do segmento de transporte, em especial empresas de ônibus, sendo conhecido como um dos empresários mais bem sucedidos do estado de São Paulo no segmento dos transportes.
História
Infância e adolescência
Belarmino nasceu a 15 de agosto de 1936 no em Vilar do Rei, então localizada na província de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Portugal. [1]
Em 11 de novembro de 1952, quando contava 14 anos de idade, migrou junto de seus pais e irmãos, de Portugal para o Brasil, na cidade de São Paulo.
No novo país, começou a trabalhar junto da família no mercado municipal, onde vendiam produtos de hortifrúti no mercado municipal. Com o crescimento do comércio, a família de Belarmino conseguiu investir nos negócios comprando caminhões, que utilizaram para transporte das mercadorias para Santos e Rio de Janeiro.[1][2] [3]
Em 1961, seu cunhado Antonio José da Fonseca e o irmão dele, João José Paixão da Fonseca, com mais alguns outros sócios da familia Fonseca fundaram a empresa Auto Viação Brasil Luxo Ltda, conforme contrato de constituição arquivado na JUCESP. Apenas em
1964, Belarmino da Ascensão Marta e seu irmão Antonio Joaquim Marta ingressaram na sociedade com participações idênticas no capital social.
Em 1976, Belarmino e seu irmão Antonio iniciaram o processo de aquisição de outras empresas, incorporando-as em sua própria.
Em 1978, as empresas de Belarmino e seu irmão Antonio estenderam suas operações pelo estado de São Paulo, com ênfase em Campinas. [1]
Durante a década de 1990, Belarmino foi presidente daTransurb. [2]
Com o passar do tempo, as empresas controladas pelo Grupo Belarmino passaram a atuar em outras áreas, como revenda de veículos Mercedes-Benz, [1] transporte de combustíveis e coleta de lixo.
Atualmente, é considerado um dos empresários mais bem sucedidos de São Paulo, em tal medida que recebeu o apelido de "Barão dos Ônibus". [3]
Desde 2005, adquiriu um percentual do Pastificio Selmi.
Em 2017, Belarmino Jr teve desentendimentos com Ricardo Selmi e foi expulso. [4] [5]
Vida Pessoal
Belarmino é casado com Nívia Marta, com quem teve dois filhos: Belarmino da Ascenção Marta Filho e Carla da Silva Marta. [1]
Polêmicas
Greve de 2001
Em 2001, durante o governo de Marta Suplicy (PT), diversas empresas, incluindo três empresas de Belarmino, iniciaram uma greve devido à falta de pagamentos da prefeitura de São Paulo.
Segundo Suplicy, Belarmino e os demais empresários do setor estavam usando a greve para forçar o governo a pagar subsídios às suas empresas. [6]
Belarmino também estava devendo dinheiro para o Estado a partir de empréstimos tomados durante o governo Celso Pitta (PTN) e não renovava sua frota de ônibus desde 1998.
Os outros três empresários que detinham o monopólio do transporte em São Paulo também sofreram com irregularidades, e o governo pediu que eles não renovassem suas licitações. [7]
Em 22 de maio de 2002, para evitar novas greves, Suplicy concordou em pagar R$ 1,9 milhão às empresas. [8]
Investigações
Em 2008, uma investigação que visava os cartéis formados por empresários do segmento dos ônibus levou à prisão preventiva do filho do empresário, Belarmino da Ascenção Marta Junior.
No entanto, as provas colhidas foram anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo sido o processo arquivado em seguida. [9]
Em 2024, Belarmino foi investigado em Campinas por improbidade administrativa, já que 67% das empresas de ônibus da cidade eram de propriedade dele e outros sócios. [9]
Sequestro
Em 8 de outubro de 2016, Belarmino foi sequestrado por três homens disfarçados de policiais, em uma das unidades do Frango Assado, rede de restaurantes de estrada, localizada na Rodovia Anhanguera (SP-330), especificamente na altura da cidade de Louveira. Antes do sequestro, ele tinha acabado de dispensar seus seguranças para realizar uma viagem de carro.
Durante seu cativeiro, foi ameaçado pelos sequestradores com o uso de uma motosserra. Os sequestradores exigiam R$ 20 milhões como preço do resgate. [9][10] [11]
Belarmino foi mantido em cativeiro na área rural de Parelheiros, na zona sul de São Paulo.
Em 7 de novembro, a Polícia Civil invadiu o cativeiro, libertou Belarmino e prendeu Jorge Luiz Talarico, José Hilton dos Santos e Ronaldo Paulino. Um fato que chamou atenção foi que os três trabalhavam como seguranças para Belarmino, sendo que Talarico era o chefe de investigação do 99º Distrito Policial da capital, localizado no distrito de Campo Grande. Mais tarde, outros dois homens foram presos. Talarico faleceu antes do julgamento, enquanto os demais foram condenados. [12] [13] [14] [9]
Processo movido pelo Banco Bamerindus
Em 1997, o Banco Bamerindus processou o Grupo Belarmino por não pagar uma dívida multimilionária. [15] O banco também acusou o empresário de criar uma rede financeira para obter empréstimos e fraudar credores, deixando uma dívida enorme para trás quando seus pequenos negócios faliram. [16]
Mais de vinte anos mais tarde, em 2024, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 56,7 milhões de de seu patrimônio para pagar a dívida. [17]
Homenagens
Em 12 de novembro de 2012, o vereador José Tarcísio Ribeiro apresentou uma Proposta de Decreto Legislativo para conceder a Belarmino o título de cidadão honorário de Tatuí. Até o momento, o processo legislativo não foi concluído.[1]
Referências
- ↑ a b c d e f CÂMARA MUNICIPAL DE TATUÍ. «Projeto de Decreto Legislativo nº 17/2012». Tatuí. Consultado em 5 de abril de 2025
- ↑ a b Navarrete, Gonzalo (22 de julho de 1999). «Setor é dominado por 4 grupos». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de abril de 2025. Arquivado do original em 5 de abril de 2025
- ↑ a b Bazami, Adamo (26 de novembro de 2023). «OUÇA: Belardino de Ascenção Marta conta como iniciou no ramo do ônibus». Diário do Transporte. Consultado em 5 de abril de 2025. Arquivado do original em 21 de maio de 2024
- ↑ Vassalo, Luiz (3 de fevereiro de 2024). «Bloqueio do "barão dos ônibus" pode atingir marca famosa de macarrão». Metrópoles. Consultado em 23 de março de 2025. Arquivado do original em 23 de março de 2025
- ↑ «Sócios da indústria Selmi querem se desfazer de participação». O Estado de S. Paulo. 19 de janeiro de 2017. Consultado em 23 de março de 2025. Arquivado do original em 23 de março de 2025
- ↑ Cosso, Roberto; Izidoro, Alencar (7 de fevereiro de 2001). «Grandes empresas param e afetam 1,5 mi». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de abril de 2025. Arquivado do original em 5 de abril de 2025
- ↑ Izidoro, Alencar (30 de abril de 2001). «Empresário sucateia frota e amplia negócios». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de abril de 2025. Arquivado do original em 5 de abril de 2025
- ↑ Cotes, Paloma; Izidoro, Alencar (22 de maio de 2002). «Marta cede a empresários para conter greve». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de abril de 2025. Arquivado do original em 5 de abril de 2025
- ↑ a b c d Vassallo, Luiz (2 de fevereiro de 2024). «"Barão dos ônibus" em SP já foi sequestrado e ameaçado com motosserra». Metrópoles. Consultado em 6 de abril de 2025. Arquivado do original em 6 de abril de 2025
- ↑ «Empresário sofreu tortura psicológica com motosserra, diz Polícia Civil». G1. 8 de novembro de 2016. Consultado em 6 de abril de 2025. Arquivado do original em 6 de abril de 2025
- ↑ «Há mais de 30 dias refém, empresário é resgatado pela polícia em São Paulo». Folha de S. Paulo. 8 de novembro de 2016. Consultado em 6 de abril de 2025. Arquivado do original em 7 de abril de 2025
- ↑ «Polícia estoura cativeiro e liberta empresário de transportes em SP». G1. 7 de novembro de 2016. Consultado em 5 de abril de 2025. Arquivado do original em 5 de abril de 2025
- ↑ «Ex-investigador é um dos presos por sequestro de empresário em SP». G1. 8 de novembro de 2016. Consultado em 6 de abril de 2025. Arquivado do original em 17 de março de 2020
- ↑ «Suspeitos de sequestro de Belarmino Marta depõem em Campinas, SP». G1. 23 de novembro de 2016. Consultado em 6 de abril de 2025. Arquivado do original em 6 de abril de 2025
- ↑ Vassallo, Luiz (20 de dezembro de 2023). «Banco acusa "barão dos ônibus" de SP de fraude de R$ 56 milhões». Metrópoles. Consultado em 6 de abril de 2025. Arquivado do original em 6 de abril de 2025
- ↑ Bomfim, Thiago (1 de fevereiro de 2024). «Justiça de SP bloqueia R$ 56 milhões do 'barão dos ônibus', Belarmino Marta». Universo Online. Consultado em 6 de abril de 2025. Arquivado do original em 5 de abril de 2025
- ↑ Vassallo, Luiz (1 de fevereiro de 2024). «Justiça bloqueia R$ 56 milhões do "barão dos ônibus" de São Paulo». Metrópoles. Consultado em 5 de abril de 2025. Arquivado do original em 5 de abril de 2025
