Beilhique Hamídida
Beilhique Hamídida
Hamitoğulları Beyliği • Hamidoğulları • Dinastia hamídida • Hamídidas • Emirado hamídida • Beylik de Hamit-oğlu | |||||||||
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![]() Mapa dos beilhiques da Anatólia formados após a Batalha de Köse Dağ (26 de junho de 1243), que marcou o fim do Sultanato de Rum
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![]() Eirdir |
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| Coordenadas | |||||||||
| Região | Anatólia | ||||||||
| Capital | Eirdir | ||||||||
| País atual | |||||||||
| Língua oficial | turco | ||||||||
| Religião | islão | ||||||||
| Forma de governo | Beilhique, monarquia | ||||||||
| Bei ou emir | |||||||||
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| Período histórico | Baixa Idade Média | ||||||||
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O Beilhique Hamídida (em turco: Hamitoğulları Beyliği ou Hamidoğulları),[a] foi um dos beilhiques (beyliks, principados) anatólios que emergiu no século XIV, na sequência do declínio do Sultanato seljúcida de Rum. Era governado pela dinastia dos hamídidas, descendentes do governador Hamide. Governou as regiões de Eirdir e Esparta,[1] no sul-sudoeste do que é atualmente a Turquia.[nt 1]
Origem do nome
A nome da dinastia provém de Hamide, um governador de territórios fronteiriços seljúcidas, avô dos irmãos Falacadim Dundar e Iunus, fundadores, respetivamente, do Beilhique Hamídida e do Beilhique de Teke. O pai destes irmãos, Elias,[2] Teke Bei ou Teke Paxá,[3] foi governador de Antália ao serviço dos seljúcidas.[3]
História
Falacadim Dundar, fundador da Dinastia hamídida propriamente dita, estabeleceu o seu beilhique na Pisídia, nos territórios interiores de Eirdir, uma região que ganhou o nome de Hamideli, na rota comercial que ligava o Mediterrâneo ao Mar Negro.[2]
O beilhique de Teke, fundado por Yunus, era constituído por territórios da costa mediterrânica da Lícia e da Panfília e confinava com a parte sul dos territórios hamididas. Os seus principais centros eram Antália e Korkuteli.[2]
Falacadim mudou o nome de Eirdir para Felekbâr (ou Felecabade).[4] Em 1324 é atacado por Timurtaxe Noiã, o filho mais novo do emir Chupã Noiã, representante do último grande ilcã mongol da Pérsia Abuçaíde Badur. Timurtaxe tenta reunificar o domínio mongol sobre a Anatólia para si próprio. Falacadim morre durante os combates.[5] Timurtaxe submete os beilhiques hamídida e de Teke e entrega Antália a Mamude, um filho de Iunus.[6] Alguns membros da família hamidida, entre os quais os filhos de Falacadim Dundar,[5] refugiam-se junto dos mamelucos, no Egito, mas voltam após Timurtaxe cair em desgraça.[7] Em 1327, Chupã, caído em desgraça, é morto pelo ilcã Abuçaíde, É a vez de Timurtaxe procurar refúgio no Egito, mas os mamelucos matam-no para não desagradarem a Abuçaíde.[8]
Quizir (ou Quizer), um filho de Dündar, restabelece a dinastia em Eirdir em 1327 e conquista os distritos de Beyşehir, Seydişehir e Akşehir.[9]
Em 1328, Najemadim Abu Isaque sucede ao seu irmão. É ele quem ibne Batuta encontra aquando da sua passagem por Eirdir (Acridur nos seus escritos):
| “ | O sultão desta cidade é Abu Isaque Bei, filho de Addendâr (Dündar) Bei, um dos principais soberanos deste país. Ele habitou no Egito quando o seu pai era vivo, e fez a peregrinação a Meca. Ele é dotado de belas qualidades, e é seu costume assistir todos os dias à oração de asr[b] na mesquita djâmi. | ” |
— ibne Batuta, Viagens, de Meca às estepes russas e à Índia[5].
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Alguns dias depois da sua visita a Eirdir, ibne Batuta passa em Golquissar (Cul Quissar no texto), na atual província de Burdur, e encontra Maomé, o Cavalheiro,[c] irmão de Isaque:
| “ | (O sultão de Cul Quissar) é Maomé Chelebi, e esta última palavra, na língua do país de Rum, significa senhor. Ele é irmão do sultão Abu Isaque, rei de Acridur. | ” |
— ibne Batuta, Viagens...[10].
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Muzafaradim Mustafá, o filho de Maomé, o Cavalheiro, sucede ao seu tio cerca de 1344.
Huçamadim Ilias, o filho de Mustafá, sucede ao seu pai cerca de 1357. O seu reinado é marcado por guerras contínuas com os caramânidas e é por eles derrotado diversas vezes.[9] Camaladim Huceine o filho de Elias, sucede ao seu pai cerca de 1374. Vende a maior parte dos seus domínios ao sultão otomano Murade I. Sabe-se que o seu filho Mustafá segue Murade I e participa na Batalha do Cosovo em 1389. O beilhique é completamente anexado ao sultanato otomano em 1391. As cidades orientais da província, ou seja, Beixequir, Seidixequir e Aquexequir, são então ocupadas pelos caramânidas e vão ser a causa de numerosos recontros militares entre estes e os otomanos.[9]
A subdivisão administrativa otomana com capital em Esparta que, grosso modo, corresponde ao que é hoje a província de Esparta, era chamada sanjaco de Hamide até aos primeiros anos da república turca.[nt 2]
Quadro cronológico da dinastia
| Datas[2] | Nome | Nome turco | Filho de | Observações |
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| 1301-1324 | Falacadim Dundar | Feleküddin Dündar | Ilyâs[2] ou Teke[3] ? | Fundador da dinastia. |
| 1324-1327 | Ocupação por Timurtaxe filho mais novo do emir Chupã Noiã, do Ilcanato mongol da Pérsia. | |||
| 1327-1328 | Quizer | Hizir | Dündar | |
| 1328-~1344 | Najemadim Abu Isaque | Necmeddin Ishak | Dündar | |
| ~1344-~1357 | Muzafaradim Mustafá | Muzafferüddin Mustafa | Maomé, o cavalheiro, filho de Dündar | |
| ~1357-~1374 | Huçamadim Ilias | Hüsameddin Elyas | Mustafa | |
| ~1374-1391 | Camaladim Huceine | Kemaleddin Hüseyin | Elyas | Vende uma parte do beilhique a Murade I. |
| 1391 | Anexação definitiva ao Império Otomano. | |||
Notas
- ↑ A maior parte do texto foi inicialmente baseada no artigo artigo «Hamidides» na Wikipédia em francês (acessado nesta versão).
- ↑ Trecho baseado no artigo artigo «Hamidoğlu» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
- [a] ^ Os termos turcos Hamidoğulları ou Hamitoğulları, plural de Hamidoğlu, significam "filhos de Hamid".
- [b] ^ asr é o nome árabe da oração da tarde dos muçulmanos.
- [c] ^ Não confundir o hamidida Maomé, o Cavalheiro com o seu homónimo otomano posterior, Maomé I, o Cavalheiro.
Referências
- ↑ Batuta
- ↑ a b c d e Bosworth, «The Hamid Oghullarî and the Tekke Oghullarî», p. 226.
- ↑ a b c Houtsma, «Teke-oghlu», p. 720-721.
- ↑ Houtsma, «Egerdir», vol 3, p. 4.
- ↑ a b c Battûta, vol 2, «Du Sultan d’Akrîdoûr», p 118.
- ↑ Battûta, vol 2, «Du Sultan d’Anthâlïah», p 116.
- ↑ Battûta, vol 2, «Introduction : L’Asie Mineure», p 21.
- ↑ Grousset, «Règne d’Aboû Sa’îd», p. 487-488.
- ↑ a b c Houtsma, vol. II, «Hamîd», p. 250-251.
- ↑ Battûta, vol 2, «Du Sultan de Koul Hissâr», p. 119-120.
Bibliografia
- Battûta, Ibn; tradução de 1858 de Defremery, C.; Sanguinetti, B. R. Introdução de Yerasimov, Stéphane (1982). Voyages, De la Mecque aux steppes russes et à l'Inde (em francês). 2. Paris: François Maspero. 480 páginas. ISBN 2-7071-1303-4. doi:10.1522/030078803
- Bosworth, Clifford Edmund (2004). The New Islamic Dynasties. A Chronological and Genealogical Manual (em inglês). [S.l.]: Edinburgh University Press. 400 páginas. ISBN 9780748621378
- Grousset, René (1939). L’empire des steppes, Attila, Gengis-Khan, Tamerlan (em francês). [S.l.]: Payot. 651 páginas. ISBN 9782228272513
- Houtsma, Martijn Theodoor; Arnold, T. W.; Wensinck, A. J.; Brill, E. J. (1993). First Encyclopaedia of Islam, 1913-1936 (em inglês). [S.l.]: Brill. 5042 páginas. ISBN 978-900409796-4
- Sourdel, Janine; Sourdel, Dominique (2004). Dictionnaire historique de l’islam. col. «Quadrige» (em inglês). [S.l.]: PUF. 1056 páginas. ISBN 978-2-130-54536-1

