Batalha de Wittstock

Batalha de Wittstock
Guerra dos Trinta Anos
Data4 de outubro de 1636
Locala cerca de 90 km ao norte de Berlim
DesfechoVitória sueca importante, mas não decisiva.
Beligerantes
Eleitorado da Saxônia
Império Sueco
Sacro Império Romano-Germânico
Comandantes
Johan Banér
Lennart Torstensson
Marechal Melchior Von Hatzfeldt, João Jorge I da Saxônia
Forças
16 000[1] 22 000[1]
Baixas
entre 3 000 e 5 000 baixas. Mais de 60% dos efetivos.

A Batalha de Wittstock teve lugar no curso da Guerra dos Trinta Anos, nas proximidades da vila de Wittstock, no dia 4 de outubro de 1636 e opôs o exército sueco às forças aliadas do Sacro Império Romano-Germânico e do Eleitorado da Saxônia.

Antecedentes

Após a Paz de Praga de 1635, João Jorge I da Saxônia abandonara o partido protestante para lutar ao lado do Imperador germânico contra a Suécia. Em março de 1636 os suecos, comandados por Johan Banér, e tendo Lennart Torstensson como imediato, invadiram a Saxônia e puseram o país a saque. Em junho, porém, o Eleitor João George foi socorrido por tropas imperiais comandadas pelo marechal Hatzfeld que, com superioridade numérica, iniciou implacável perseguição aos suecos. Banér seguiu para o norte até se ver imprensado contra os pântanos insalubres da região que margeia o mar Báltico. Temendo perder definitivamente o norte da Alemanha ele parou a espera do adversário.

A Batalha

Os imperiais porém não atacaram. Entrincheiraram-se sobre uma elevação precedida por uma longa faixa de floresta. Tradicionalmente calcula-se que Hatzfeld possuía cerca de 22 mil homens.[2] Baner teria cerca de 16 mil, ou talvez um pouco mais.[3] O marechal sueco logo percebeu que um ataque frontal seria impossível. Mas a atitude inerte e defensiva dos imperiais possibilitou aos suecos realizar um feito raro na história militar: um duplo envolvimento levado a cabo contra um defensor dotado de superioridade numérica.

Ataque inicial sueco e realinhamento imperial para lhe fazer face.

Os suecos logo perceberam que a floresta, mais do que um obstáculo, era um meio de esconder seus movimentos. Recusando combater nas condições escolhidas pelo inimigo, Banér levou o grosso do seu exército contra o flanco esquerdo das forças imperiais e saxônicas. Para tanto, pôde contar com a competência de Lennart Torstensson que cuidou do transporte da artilharia sueca por caminhos difíceis, conseguindo alinhá-la a tempo para a batalha. Enquanto isto, escondidas pela floresta, duas colunas formadas por mercenários escoceses (coronéis Lesley e King), envolveriam os flancos adversários e atacariam pela retaguarda.

Ataque desbordante dos suecos e recuo imperial.

Os adversários perceberam a marcha de Banér e Torstensson e mudaram parcialmente sua frente em um ângulo de 90 graus, mas deixando boa parte dos canhões e das forças imperiais na posição original. O ataque da coluna de Torstensson apanhou os saxões ainda despreparados, mas o tempo corria contra o comandante sueco. O combate nesta frente foi aos poucos drenando as tropas imperiais do flanco oposto o que colocou Torstensson em apuros. Enquanto os escoceses faziam em segredo seu longo envolvimento, Banér e Torstensson suportaram um combate desigual, quase desesperado. Quando Lesley apareceu, atacou o flanco imperial mas sem resultado decisivo. Ao final da tarde, quando todos já estavam exaustos, surgiu King com suas tropas frescas sobre a retaguarda dos imperiais. O inimigo finalmente fraquejou, vendo-se forçado a recuar, abandonando 23 canhões.[4]

Pela sua duração e pela perseverança sueca em esperar a chegada dos escoceses, mesmo quando tudo parecia perdido, Wittstock foi uma das mais sangrentas batalhas da Guerra dos Trinta Anos. Entre mortos, feridos e capturados as forças imperiais perderam mais de 60% de seus efetivos. Os suecos por sua vez perderam entre 3 mil e 5 mil soldados.

Consequências e Discussões

A vitória de Banér, conquistada sobre forças superiores em número, permitiu à Suécia recobrar muito do prestígio perdido após a derrota de Nördlingen, dois anos antes. Os aliados da Suécia puderam também recobrar as esperanças. Banér ainda aproveitou para explorar a vitória, perseguindo os destroços do exército imperial, retomando cidades e voltando à Saxônia, onde montou seus quartéis de inverno às custas dos recursos do adversário. Hans Delbrück, renomado historiador alemão, considera que o duplo envolvimento das forças do Império e da Saxônia por um exército em inferioridade numérica faz de Wittstock “uma das mais extraordinárias batalhas da história mundial”.[5]

Referências

  1. a b segundo Delbrück, p.212
  2. Alguns sites da internet falam em 30.000, sem apontar as fontes
  3. Delbrück, apenas a ter por base o desenrolar da batalha, acha que os suecos, durante o longo recuo, recolheram os efetivos de algumas guarnições estacionadas no norte da Alemanha. Com isto, ele conseguiria achar uma explicação lógica para o grande feito de armas realizado pelos suecos em Wittstock.
  4. Henri Sacchi, p.82
  5. Delbrück, p.212

Bibliografia

  • DELBRÜCK, Hans. The Dawn of Modern Warfare. Lincoln: University of Nebraska Press.
  • KEEGAN, John et al. Who’s Who in Military History: from 1453 to the present day. London: Routledge, 1996.
  • SACCHI, Henri. La Guerre de Trente Ans, 3 volumes, Paris: Editions l’Harmattan, 1991.
  • TARNSTROM, Ronald - The Sword of Scandinavia, Lindsborg: Trogen Books, 1996.

Ligações externas