Batalha de Wad-Ras

Batalha de Wad-Ras
Guerra Hispano-Marroquina (1859–1860)

Pintura de Mariano Fortuny (c. 1862-1863)
Data23 de março de 1860
LocalVale de Wad-Ras, Marrocos
Coordenadas35° 38' 06" N 5° 54' 23" E
Desfechovitória dos espanhóis, Tratado de Wad-Ras
Beligerantes
Espanha  Marrocos
Comandantes
Leopoldo O'Donnell Multi el-Abbas
Forças
37 000 cerca de 37 000
Baixas
370 mortos e 170 Mais de 1 000 entre mortos e feridos
Batalha de Wad-Ras está localizado em: Marrocos
Batalha de Wad-Ras

A Batalha de Wad-Ras ocorreu em 23 de março de 1860 no âmbito da Guerra Hispano-Marroquina (1859-1860) que, juntamente com a Batalha de Castillejos e Tetuão, concluiu a incursão de Espanha pelo Norte da África para terminar com as hostilidades contra a cidade de Ceuta.[1]

Batalha

Grupo de veteranos espanhóis de Wad-Ras numa homenagem realizada em 1909, em comemoração do 49º aniversário da batalha, em Madrid .

Depois de ter conseguido conquistar a cidade de Tetuão, em fevereiro de 1860,[2] a força expedicionária espanhola, liderada pelo general Leopoldo O'Donnell (Presidente do Governo e Ministro da Guerra), decidiu avançar em direção a Tânger.[3] Em 23 de março, as tropas lideradas pelos generais Rafaél de Echagüe y Bermingham, Antonio Ros de Olano e Juan Prim derrotaram as forças marroquinas no vale de Wad-Ras.[4] A derrota militar conclusiva dispersou as forças marroquinas e levou os marroquinos a pedir imediatamente o início de conversações conducentes à paz.[5]

O tratado de paz foi assinado em Tetuão, no dia 26 de abril de 1860, e ficou conhecido pelo nome de Tratado de Wad-Ras, entre a Espanha e Marrocos, representados respetivamente pelo general O'Donnell e por Mulei el-Abbas (o irmão do sultão).[6] Através deste tratado, a Espanha conseguiu alargar os limites territoriais de Ceuta e de Melilla[7] e anexou Sidi Ifni.[8]

Consequências

Após as sucessivas derrotas sofridas por Marrocos nos seus confrontos contra as tropas espanholas, e em particular após a Batalha de Wad Ras, o sultão Muhammad IV de Marrocos foi forçado a pedir a paz à Rainha Isabel II de Espanha, o que se materializou no Tratado de Wad Ras, assinado em Tetuão no dia 26 de abril de 1860.[6]

O Museu do Prado possui uma pintura a óleo sobre cartão de 54 por 182 cm, representando a batalha de Wad-Ras, realizada por Mariano Fortuny,[9] encomendada pelo Conselho Provincial de Barcelona para imortalizar para a posteridade o feito do exército espanhol, em que se destacou uma unidade catalã.[10] O Museu Nacional de Arte da Catalunha expõe a enorme pintura, La batalla de Tetuán, que mede 300 por 972 cm.[11]

As estátuas de leões do Congresso dos Deputados de Espanha, feitos em bronze pelo escultor espanhol Ponciano Ponzano, foram moldados com os canhões capturados aos marroquinos nesta batalha. [12]

Referências

  1. Leo 1896, p. 634.
  2. Allard 2021, p. 16.
  3. Fieldhouse 1984, p. 293.
  4. Calderwood 2018, p. 46.
  5. Rubio 2014, p. 265.
  6. a b de Dalmau 1887, p. 54.
  7. Romani 2022, p. 258.
  8. Epstein 2016, p. 1220.
  9. de Madrazo y Kuntz 1994, p. 101.
  10. Estrada 1997, p. 235.
  11. Hopkins 2024, p. XII.
  12. Baumert, Márquez & Padilla 2024, p. 150.

Bibliografia