Batalha de Tor
| Batalha de Tor | |||
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| Batalha de Tor | |||
![]() Desenho português do século XVI de Toro | |||
| Data | 1541 | ||
| Local | Tor | ||
| Desfecho | Vitória portuguesa | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
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A Batalha de Tor foi um enfrentamento militar que ocorreu em 1541, entre forças portuguesas sob o comando do Governador da Índia Dom Estevão da Gama e as do Império Otomano na cidade de Tor, na Península do Sinai. Os turcos foram expulsos da cidade, mas a pedido de monges cristãos do Mosteiro de Santa Catarina os portugueses pouparam a cidade de ser saqueada, e celebraram uma missa e uma cerimônia de sagração de cavaleiros nela.
É um dos episódios mais celebrados da história de Portugal, e considerado um dos maiores feitos de cavalaria da história; o evento foi posteriormente celebrado em toda a Europa.[2]
Contexto
Em 1538, o Império Otomano enviou uma grande armada para a Índia e cercou a fortaleza portuguesa de Diu em Guzerate, mas, fracassando em tomá-la, retornou ao Egito. Dois anos depois, o Governador português da Índia Dom Estevão da Gama reuniu uma frota de 80 navios para empreender uma campanha de retaliação contra os otomanos dentro do Mar Vermelho, até Suez. No caminho, fizeram escala em Maçuá, saquearam Suaquém e Cusseir antes de rumarem para Tor, na costa oeste da Península do Sinai. A maior parte da frota portuguesa recebeu ordens para retornar após Suaquém carregada com espólios, enquanto Dom Estevão prosseguiu com uma pequena força de ataque.[3]
Ciente de que havia cristãos residentes em Tor, Dom Estevão procurou capturar a vila e obter informações sobre as forças otomanas no porto de Suez.
Batalha de Tor

À medida que os portugueses se aproximavam das praias em barcos procurando desembarcar, foram confrontados por um esquadrão de 200 artilheiros montados turcos que surgiu da cidade, gritando e brandindo bandeiras brancas e verdes.[4] Os portugueses foram alvo de fogo imediatamente ao se aproximarem da costa, mas Dom Cristóvão insistiu e ordenou uma descarga de arcabuzaria que matou 20 e forçou o restante a recuar.[4] Ele então desembarcou com um esquadrão de infantaria portuguesa e avançou sobre a cidade, que foi invadida, fazendo com que a guarnição restante e a maioria dos habitantes abandonassem o assentamento.[5] Quando os portugueses estavam prestes a saqueá-la, o fidalgo Tristão de Ataíde à frente de um esquadrão de infantaria foi confrontado por dois monges gregos, que imploraram aos portugueses que poupassem a cidade. Os monges foram levados a Dom Estevão, que os recebeu com lágrimas de alegria e ordenou que os combates cessassem imediatamente.[6]
Missa e cerimônia de sagração de cavaleiros em Tor
Com o ataque interrompido, os portugueses foram conduzidos em procissão até a igreja de um mosteiro cristão em Tor, ao som de salmos que os frades cantavam "à sua maneira", os portugueses levando um estandarte com a Cruz da Ordem de Cristo.[1] Foram recebidos à porta por outros doze monges que carregavam uma cruz de madeira incrustada em prata.[1] Entre outras coisas, os monges receberam do comandante português um estandarte feito em damasco branco e verde, ostentando uma Cruz da Ordem de Cristo de um lado e as armas de Portugal do outro.[4]
A novidade da campanha, e a estranheza da terra e do lugar, e a vizinhança da gloriosa Virgem e Mártir Catarina levaram assim a maior parte dos fidalgos presentes a pedir ao Governador a honra e ordem de cavalaria, que costuma ser pedida em circunstâncias de grande risco e renome; porque em verdade esta foi uma delas.
— Luiz de Sousa em Anais de El-Rei Dom João III
A cerimônia foi realizada na capela do mosteiro de Tor. Entre os sagrados cavaleiros estava Dom Luís de Ataíde, que viajaria para o Sacro Império Romano-Germânico e lutaria com distinção a serviço do Imperador Carlos V na Batalha de Mühlberg, e mais tarde serviria como Vice-Rei da Índia.[7]
O Governador Estevão da Gama viria a falecer em 1576 aos 71 ou 72 anos, e sobre seu túmulo foi gravado um epitáfio que dizia: "Aqui jaz Dom Estevão da Gama, que armou cavaleiros ao pé do Monte Sinai".[8]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d Gaspar Correia: Lendas da Índia livro IV, tomo IV, Typographia da Academia Real das Sciências, p. 184.
- ↑ Saturnino Monteiro: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa Volume III 1539-1579, Livraria Sá da Costa Editora, 1992, p. 40
- ↑ «Nota da editora (primeira edição)». Editora FIOCRUZ. 2005: 23–25. ISBN 978-65-5708-099-3. Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ a b c Corrêa, Gaspar (1864). Lendas de India. [S.l.]: Imprensa da Universidade. Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ Sousa (Frei), Luiz de (1844). Annaes de elrei Dom João Terceiro. [S.l.]: Typ. da Sociedade propagadora dos conhecimentos uteis. Consultado em 27 de dezembro de 2025
- ↑ Diogo do Couto: Ásia década V, livro VII, capítulo VIII, p. 137
- ↑ A.H. Maltby, 1865: The Portuguese in India: A Historic Episode em The New Englander, p. 477.
- ↑ Saturnino Monteiro: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa Volume III 1539-1579, Livraria Sá da Costa Editora, 1992, p. 41
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