Bartolomeu Bueno do Prado

Bartolomeu Bueno do Prado
Ocupaçãosertanistas

Bartolomeu Bueno do Prado (data incerta — Minas Gerais, 1768) foi um sertanista e oficial colonial atuante nas regiões do atual Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, no século XVIII. Exerceu funções militares a serviço da Coroa portuguesa, destacando-se pela repressão armada a quilombos e pela consolidação da ocupação territorial em áreas então disputadas entre as capitanias de São Paulo e Minas Gerais.[1][2]

Origem familiar

Bartolomeu Bueno do Prado era filho do capitão-mor Domingos Rodrigues do Prado e de Leonor Bueno da Silva, integrando uma família ligada às redes paulistas de sertanismo e administração colonial. Era neto de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, figura central na expansão paulista para o interior do território colonial.[3]

Atuação militar e repressão aos quilombos

Desde jovem, Bartolomeu Bueno do Prado esteve envolvido em ações armadas nos sertões do centro-sul da América portuguesa. A tradição genealógica registra um episódio violento ocorrido ainda em sua juventude, no qual teria matado um oficial português durante um conflito ocorrido em uma propriedade familiar na região do atual estado de Goiás. Esse episódio é narrado por Pedro Taques e deve ser compreendido no contexto das tensões entre oficiais metropolitanos e elites coloniais locais.[3][1]

Ao longo da década de 1750, consolidou reputação como comandante experiente em expedições de repressão a quilombos. Em 1759, foi contratado pela Câmara da vila de São João del-Rei para chefiar uma grande ofensiva militar contra os quilombos do Campo Grande, região que abrangia extensas áreas do atual Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro.[2]

Expedições no Campo Grande

A expedição organizada sob seu comando reuniu centenas de homens, incluindo tropas armadas, indígenas aliados e trabalhadores forçados, contando ainda com capelão, cirurgião e estrutura logística própria. Entre 1759 e 1760, diversas comunidades quilombolas foram atacadas e destruídas, incluindo agrupamentos identificados nas fontes como Quilombo do Ambrósio, Bambuí e outros núcleos da região.[4][2]

Fontes coloniais registram níveis extremos de violência, incluindo execuções em massa e mutilações, práticas comuns nas campanhas repressivas coloniais contra populações negras fugitivas. A apresentação de troféus humanos às autoridades é mencionada em relatos da época, revelando a lógica de terror e exemplificação que orientava essas operações.[1][4]

Sertões do Jacuí

Após as campanhas no Campo Grande, Bartolomeu Bueno do Prado atuou nos chamados Sertões do Jacuí, região então em disputa administrativa, anteriormente vinculada à Capitania de São Paulo. Nessas áreas, foram reprimidas não apenas comunidades quilombolas, mas também povoados de brancos pobres e libertos, posteriormente classificados como “quilombos” pelas autoridades coloniais.[2]

Sesmarias e ocupação territorial

Como recompensa pelos serviços prestados, Bartolomeu Bueno do Prado recebeu concessões de sesmarias em áreas estratégicas do Sertão do Campo Grande, entre os rios Grande, Lambari e regiões adjacentes à Serra da Esperança. Essas concessões integraram o processo de apropriação fundiária e consolidação da ocupação colonial após a destruição das comunidades negras e populares da região.[5]

Após a campanha final contra o Quilombo do Cascalho, estabeleceu-se como capitão-mor ajudante nas Minas do Jacuí, onde permaneceu até sua morte, em 1768.[2]

Avaliação historiográfica

A historiografia contemporânea interpreta a atuação de Bartolomeu Bueno do Prado como exemplar do bandeirantismo tardio, marcado pela repressão sistemática às populações negras fugitivas e pela articulação entre violência militar, ocupação territorial e concessão de terras.[1][4]

Longe da imagem heroica presente em narrativas genealógicas e cronísticas, estudos recentes enfatizam o papel dessas expedições na destruição de formas autônomas de organização social negra e na expansão de uma ordem colonial baseada no trabalho compulsório, na hierarquia racial e na concentração fundiária.[2]

Genealogia

Bartolomeu Bueno do Prado foi casado com Isabel Bueno da Fonseca, filha de Francisco Bueno Luís da Fonseca e Maria Jorge Velho. Teve, entre outros, os seguintes filhos:

  • Maria Bueno do Prado, casada com Manuel de Paiva e Silva;
  • Alexandre de Gusmão Bueno;
  • Francisco Bueno do Prado;
  • Ana Gusmão Bueno.[3]

Ver também

Referências

Bibliografia

  • Furtado, Júnia Ferreira (2013). Chico Rei e o Campo Grande: quilombos, guerra e repressão em Minas Gerais. Belo Horizonte: UFMG 
  • Gomes, Flávio dos Santos (2005). Histórias de quilombolas. São Paulo: Companhia das Letras 
  • Holanda, Sérgio Buarque de (1994). Caminhos e fronteiras. São Paulo: Companhia das Letras 
  • Monteiro, John Manuel (1994). Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras 
  • Taques, Pedro (1772). Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica. [S.l.: s.n.] 

Ligações externas