Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias

Usina Hidrelétrica de Jupiá
Localização
Localização Castilho (São Paulo)/Três Lagoas (Mato Grosso do Sul)
Bacia hidrográfica Bacia do rio da Prata
Rio Rio Paraná
Coordenadas 20°46'45"S, 51°37'45"W
Dados gerais
Proprietário CTG Brasil
Período de construção primeira metade da década de 1960-1974
Características
Tipo barragem de aterro, usina hidrelétrica
Altura 48 m
Reservatório
Área alagada 330 km² km²
Capacidade de geração 1 551,2 megawatt

A Usina Hidrelétrica de Jupiá (Engenheiro Souza Dias)[nota 1] está situada sobre o Rio Paraná, na intersecção com o rio Sucuriú, no ponto chamado Jupiá, entre as cidades de Três Lagoas (Mato Grosso do Sul) e Castilho (São Paulo).[1][2]

Antecedentes Históricos

A Usina de Jupiá, do tipo fio d'água, integrou junto com a Usina Hidrelétrica Ilha Solteira, o Complexo Hidrelétrico Eng. Francisco Lima de Souza Dias, também denominado Complexo Hidrelétrico de Urubupungá que foi reaproveitado na década de 1950 por sua proximidade com a foz do rio Tietê e do rio Paraná.[3][4]

Para viabilização do projeto foi constituída a Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai (CIBPU), entidade dedicada a estudos de planejamento regional brasileiro, criada em 1951, e uniu sete estados (São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Goiás e Minas Gerais[5]) para desenvolver a bacia dos rios Paraná e Uruguai, atuando no segmento de transporte, energia e industrialização entre 1951-1972. Os estudos iniciais para a construção da Usina de Jupiá e Usina Hidrelétrica Ilha Solteira foram realizados pela e Edisombras S.A., com suporte de equipe italiana[6] e apresentados em 1957, sendo as obras iniciadas em 1960. Em 1966 a construção pasou para responsabilidade da Centrais Elétricas de São Paulo S.A. - CESP que em 1977 teve sua razão social alterada para Companhia Energética de São Paulo - CESP, [3]

A construção mobilizou recursos humanos, técnicos e financeiros volumes expressivos, refletindo o espírito de um Brasil que buscava consolidar sua autonomia energética em meio ao contexto da Guerra Fria e da corrida por desenvolvimento industrial [7]

A formação do reservatório da usina teve impactos significativos nas populações indígenas e nos ecossistemas de ilhas da região, devido ao alagamento de grandes áreas que determinou a realocação compulsória da cidade de Itapura[3], de comunidades ribeirinhas, de indígenas,[6] além de impactos na atividade pesqueira em um processo que, embora controverso, trouxe à tona debates sobre os impactos socioambientais de grandes empreendimentos, um tema que ganharia relevância em razão da violação dos direitos humanos e impactos socioambientais na vida da população afetada.[7][5]

Na área dos reservatórios das usinas Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), Engenheiro Souza Dias (Jupiá) e Ilha Solteira já foram identificadas cerca de 70 mil peças --algumas com datação de 7.000 anos de materiais arqueológicos de caçadores coletores pré-históricos e por povos indígenas.[8] Este fato é comprovado por fotos realizadas e documentadas pela expedição ocorrida em 1905 por ocasião da preparação do relatório sobre o Rio Paraná e Complexo Urubupungá pelo chefe da expedição [9]

Características

Usina hidroelétrica de Jupiá (1ª etapa do Conjunto Hidrelétrico Uburupungá), em 23 de dezembro de 1970.

A construção da Usina de Jupiá foi iniciada na primeira metade da década de 1960 pelo governador Ademar Pereira de Barros, e finalizada no ano de 1974, utilizando tecnologia inteiramente brasileira. A Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias é eficaz em termos da área alagada e da destruição ambiental causada e da eletricidade ali produzida. Entre as três maiores usinas hidrelétricas do Brasil, em termos de eficiência perde somente para a maior, a Usina hidrelétrica de Itaipu, e ultrapassa a Usina hidrelétrica de Ilha Solteira.

A usina possui 14 unidades geradoras (tipo Kaplan), que geram até 1.551,2 MW, a partir de um desnível de 21,3 m.[10][11] Tem, também, dois grupos turbina-gerador para serviço auxiliar, com potência instalada de 4.750 kW em cada grupo.

Sua barragem tem 5.495 m de comprimento e seu reservatório, que capta água de uma região de 470.000 km²., alaga uma área máxima de 330 km². Opera com o nível constante de 280 metros acima do nível do mar.[11]

É considerada uma usina hidrelétrica a fio d'água.[9]

Quando criou o seu reservatório em 1960 inundou totalmente o salto de Urubupungá e a antiga cidade de Itapura e o salto de Itapura e a usina hidrelétrica Eloy Chaves que fornecia energia para as cidades de Andradina, Castilho, Três Lagoas.

Além disso, a Usina hidrelétrica Engenheiro Souza Dias tem a seu dispôr uma eclusa que permite a navegação do Rio Paraná, além da integração hidroviária com o Rio Tietê.

A Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias encontra-se em conformidade com a Norma ISO 9001:2000.

Faz parte do Complexo de Urubupungá.

Em 2015, a CTG Brasil adquiriu duas usinas da Cesp (UHE de Ilha Solteira e UHE de Jupiá), na divisa dos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, em leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).[12]

Vila dos Operadores

Com a finalidade de acelerar as obras, surgiu o projeto Vila dos Operadores, como era chamada na época, que alojava os operários responsáveis pelas construções como também suas famílias.

O projeto residencial começou com a criação do Estatuto Formal, seguido de um contrato onde permitiam somente moradores que trabalhassem na CESP, tais como, engenheiros, mecânicos, eletricistas, técnicos e operadores da Usina. Foram construídas 227 casas divididas em 4 blocos. Por volta de 1964/65 deu-se início a algumas construções como: escola, pousada, pomar, supermercado, barbearia, correio, rodoviária, entre outras. A pousada alojava apenas os engenheiros estrangeiros (franceses e italianos).

Após 30 anos, a CESP em acordo com Mário Celso Lopes Empreendimentos, deu início ao projeto de privatização das casas da Vila dos Operadores. Passou-se a chamar Condomínio Jupiá Park e mais tarde, com a privatização das casas, Condomínio Residencial Encontro das Águas que conta com cerca de 133 famílias residentes.

Notas

Ver também

Referências

  1. «DECRETO N. 19.545, DE 17 DE SETEMBRO DE 1982». www.al.sp.gov.br. 17 de setembro de 1982. Consultado em 15 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2025 
  2. CTG BRASIL. UHE Jupiá. São Paulo: CTG Brasil, [2025]. Disponível em:https://www.ctgbr.com.br/unidade/uhe-jupia/ Acesso em: 15 ago. 2025
  3. a b c Memória da Heletricidade (6 de julho de 2022). «Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias». Memória da Eletricidade - Verbete. Consultado em 6 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2025 
  4. LIMA, Luiz Henrique Mateus (21 de agosto de 2013). «O COMPLEXO URUBUPUNGÁ E SUA INFLUÊNCIA NAS CIDADES DE ILHA SOLTEIRA, PEREIRA BARRETO E TRÊS LAGOAS» (PDF). Simpósio de Estudos Urbanos - SEURB: A dinâmica das Cidades e a produção dos espaços. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  5. a b Arquivo Público do Estado de São Paulo, BR SPAPESP (2019). «Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai». Consultado em 6 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2025 
  6. a b Rech, Hélvio (2010). «www.teses.usp.br/teses/disponiveis/86/86131/tde-29082011-103541/publico/TeseHelvio.pdf» (PDF). Universidade de São Paulo. Teses de Doutorado - Universidade de São `Paulo - Programa de Pós-Graduação em Energia - EP - FEA - IEE - IF. Consultado em 6 de novembro de 2025 
  7. a b Bolsa em Destaque. «A Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias (Jupiá): Um Marco na História do Desenvolvimento Energético Brasileiro». Bolsaoemdestaque. Consultado em 6 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2025 
  8. Oliveira, Elida (8 de junho de 2010). «Jornal Folha de São Paulo». Consultado em 6 de novembro de 2025 
  9. a b SILVA FILHO, Donato. Dimensionamento de Usinas Elétricas Através de Técnicas de Otimização Evolutiva. Tese de doutorado em engenharia elétrica na Universidade de São Paulo (Campus de São Carlos). Dezembro de 2003.
  10. «Usina Hidrelétrica Eng Souza Dias (Jupiá)». Consultado em 29 de junho de 2014. Arquivado do original em 6 de julho de 2014 
  11. a b «Dados Característicos - UHE Jupiá». Consultado em 29 de junho de 2014. Arquivado do original em 8 de agosto de 2014 
  12. «Estatal chinesa arremata usinas de Jupiá e Ilha Solteira – DW – 25/11/2015». dw.com. Consultado em 21 de abril de 2023