Banco Mauá

Banco Mauá, MacGregor & Cia
AtividadeBanco
Fundação1855
Fundador(es)Irineu Evangelista de Souza
Encerramento1875
SedeRio de Janeiro
Bilhete do Banco Mauá & Cia, emitido na Argentina, 1860s.
Carta do Banco Mauá endereçada a Inácio da Cunha Galvão comunicando a chegada de 35 italianos ao porto do Rio de Janeiro, em conformidade com o contrato estabelecido pelo governo imperial em 1874. Arquivo Nacional.

O Banco Mauá foi um banco fundado em 1855 por Irineu Evangelista de Sousa, que o presidiu na época. Foi criado com o intuito de propiciar capitais para o desenvolvimento do país, que então tinha sua economia baseada na agricultura e no uso de mão de obra escrava.[1]

Conhecido por seu pioneirismo, Irineu foi o Barão, e mais tarde Visconde de Mauá[2], além de banqueiro, industrial e comerciante no Brasil do Segundo Reinado.

O Banco Mauá operou em várias capitais brasileiras, e também no exterior, com filiais na Argentina, Uruguai, Londres, Paris e Nova Iorque. Na Argentina e no Uruguai, foi conhecido como "Banco Mauá y Cía", e teve um papel importante no financiamento de obras de infraestrutura, como ferrovias e portos.[3]

Antes da criação do Banco Mauá, o Banco do Brasil, fundado em 1808 pelo rei Dom João VI, foi a primeira instituição bancária do país. Seus objetivos já eram o de modernizar a economia do país, com a criação de indústrias manufatureiras, além da isenção de impostos para matérias-primas e de exportação de produtos industrializados. Com o retorno do rei para Portugal, no entanto, os cofres do banco estatal foram esvaziados, colocando a instituição em dificuldades.[4]

O objetivo do banco privado criado por Irineu Evangelista de Sousa também era o de modernizar a economia, principalmente através da disponibilização de capitais para investimentos produtivos em novos setores, tendo em conta a proibição do tráfico de escravos em 1850, cinco anos antes. Mas suas ideias não foram bem acolhidas pelas elites da época. A única forma de desenvolvimento aceita por elas era a agricultura, sempre baseada no uso de mão de obra escrava. Foi nesse ponto que Irineu encontrou um importante desafio: o Gabinete do Império do Brasil tomou medidas para estatizar o crédito no país e o Presidente do Conselho de Ministros (primeiro-ministro) afirmou publicamente que bancos privados não eram seguros.

O Banco Mauá encerrou suas atividades em 1875, com uma crise interna agravada pela Longa Depressão.[5]

Referências

  1. Martins, Gabriela (16 de dezembro de 2024). «A queda de um império: narrativas da falência do Banco Mauá & Cia na imprensa da Corte e no Senado (1874-1875)». Revista de Pesquisa Histórica CLIO - UFPE. Consultado em 25 de março de 2025 
  2. «Pioneiro da indústria brasileira, Mauá acabou falido». Terra. Consultado em 31 de dezembro de 2021 
  3. Enciclopédia Mirador Internacional, 1989, pp. 7346-7.
  4. Peixoto, Ranaellen Aparecida Queiroz., Mauá e a economia do Brasil império: um olhar a partir dos artigos do Jornal do Comércio e Correio Mercantil (1855-1884) - 2018
  5. GUIMARÃES, Carlos Gabriel. Bancos, Economia e Poder no Segundo Reinado: o caso da Sociedade Bancária Mauá, MacGregor & Cia (1854-1866). São Paulo, 1997