Banco Global de Sementes de Svalbard

Svalbard Global Seed Vault

O Banco Global de Sementes de Svalbard (em inglês: Svalbard Global Seed Vault), também conhecido como o Cofre do Fim do Mundo, é uma instalação localizada em uma montanha na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. Foi criado com o objetivo de funcionar como um repositório global para preservar a diversidade genética das culturas alimentares do planeta, servindo como reserva de segurança caso bancos de sementes locais sejam perdidos por catástrofes naturais, guerras ou mudanças climáticas extremas.[1]

História

O projeto foi idealizado na década de 2000 como uma medida preventiva para proteger a biodiversidade agrícola global. A construção começou em 2006 e o banco foi oficialmente inaugurado em 26 de fevereiro de 2008. O governo da Noruega financiou o projeto, em parceria com a organização internacional Crop Trust e o Nordic Genetic Resource Center (NordGen), responsável pela operação técnica.

Localização e estrutura

O banco está localizado a cerca de 1.300 quilômetros do Polo Norte, dentro de uma montanha de arenito a 120 metros de profundidade. A região foi escolhida por sua estabilidade geológica, baixa atividade sísmica, clima frio e remoto, além da presença de permafrost, que ajuda a manter as sementes congeladas naturalmente.

A temperatura dentro do cofre é mantida a -18 °C, considerada ideal para a conservação de sementes por longo prazo. A instalação é projetada para resistir a desastres naturais e ações humanas, como guerras ou sabotagem.

Funcionamento

O Banco de Sementes de Svalbard não é um banco genético ativo. Ele não distribui sementes, mas funciona como uma espécie de "backup". Os países e instituições que enviam sementes continuam sendo seus proprietários e podem recuperá-las quando necessário.

As sementes são armazenadas em pacotes herméticos dentro de caixas metálicas, organizadas em estantes. Cada amostra é uma duplicata de coleções existentes em bancos genéticos nacionais e internacionais.

Importância

O cofre tem como função proteger a biodiversidade das plantas cultivadas pela humanidade. Essa diversidade é essencial para o desenvolvimento de cultivares resistentes a pragas, doenças, mudanças climáticas e outros desafios agrícolas. O cofre é também uma medida preventiva contra a perda de espécies vegetais que poderiam ser cruciais para a segurança alimentar do futuro.

Casos notáveis

Em 2015, foi feita a primeira retirada de sementes do cofre. Pesquisadores sírios solicitaram amostras que haviam sido depositadas antes da guerra civil, para restaurar uma coleção perdida no banco de Aleppo.[2]

Dados atuais

Até 2025, o banco já armazenava mais de 1,2 milhão de amostras de sementes, representando milhares de espécies de plantas de mais de 100 países. Sua capacidade máxima é de cerca de 4,5 milhões de amostras.

Curiosidades

  • O banco é apelidado de "Cofre do Juízo Final" por seu papel estratégico em cenários extremos.
  • A entrada da instalação é decorada com uma obra de arte chamada *Perpetual Repercussion*, que reflete luz solar e auroras boreais.
  • O local já inspirou documentários, reportagens e obras de ficção científica.

Ver também

Referências

  1. «Svalbard Global Seed Vault» (em inglês). Crop Trust. Consultado em 12 de julho de 2025 
  2. The Guardian (22 de setembro de 2015). «First withdrawal from Svalbard 'doomsday vault'». Consultado em 12 de julho de 2025 

Ligações externas