Banco Comind
| Banco Comind | |
|---|---|
![]() Antiga sede do Comind no centro de São Paulo. Desde 1985 é a sede da Bolsa de Valores de São Paulo | |
| Razão social | Banco do Commércio e Indústria de São Paulo S.A |
| Atividade | Serviços financeiros |
| Fundação | 28 de outubro de 1889 (136 anos) 19 de novembro de 1985 (40 anos) |
| Fundador(es) | Antônio da Silva Prado |
| Encerramento | 19 de novembro de 1985 |
| Sede | |
| Área(s) servida(s) | |
| Produtos | Serviços bancários |
O Banco do Commércio e Indústria de São Paulo S.A. foi um banco brasileiro fundado em 1889 por grandes lavradores e capitalistas da elite cafeeira paulista, tendo como principais acionistas Teodoro Quartim Barbosa, Antônio da Silva Prado, J.J. Abdalla e Elói Chaves.
Em 1982, expandiu suas operações com a aquisição do Banco Residência S.A., com sede no Rio de Janeiro.
Em 1985, ocupava a 5ª posição no ranking nacional de bancos, possuía dezessete mil funcionários e trezentas agências quando, em 19 de novembro, sofreu uma intervenção federal, juntamente com os Bancos Auxiliar e Maisonave. Suas agências foram leiloadas e distribuídas pelo Banco Central entre diversos outros bancos, que absorveram instalações e funcionários.[1]
História
Antecedentes
No final do Império a economia brasileira era predominantemente rural, com a maior parte de sua produção exportada. Um dos maiores entusiastas pela troca da mão-de-obra escrava pela imigrante era o Ministro da Agricultura Antônio da Silva Prado. O Conselheiro Prado, no entanto, afastou-se do ministério durante a aprovação da Lei Áurea. A aprovação da Lei Áurea pressionou os produtores rurais a buscar trabalhadores remunerados, principalmente imigrantes e a pagar a hipoteca de suas terras (que até então eram garantidas pela posse dos escravos).[2] Pressionados pelas perdas econômicas, os produtores exigiram crédito do Império. Assim o Imperador Pedro II promoveu uma reforma do sistema bancário vigente através do Decreto nº 3.403, de 24 de novembro de 1888. Esse decreto permitiu que o Império concedesse empréstimos sem juros para as instituições bancárias recebendo um prazo entre sete a vinte e dois anos para devolverem o crédito ao estado. Em troca, as instituições bancárias eram obrigadas a emprestar para os produtores rurais o dobro do valor recebido do Império. Os produtores receberam prazo de um a quinze anos para quitar os empréstimos, cotados a juros de seis por cento ao ano. A reforma foi chamada jocosamente de “Política de Salvação da Lavoura”. Assim os grandes produtores rurais passaram a procurar as casas bancárias existentes para conseguir empréstimos enquanto outros grupos de capitalistas e produtores se associavam para formar suas próprias casas bancárias e receber os empréstimos altamente vantajosos do Império.[3] Posteriormente o neo governo republicano ampliou a política de crédito e através do Decreto 165 de 17 de janeiro de 1890 permitiu aos bancos a emitir dinheiro lastreado com apólices da Dívida Pública e através de um fundo que recolhia dez por cento do lucro bruto dos bancos.[4]
Fundação

Um grupo formado por alguns dos maiores produtores rurais da província de São Paulo foi liderado pelo Conselheiro Antônio Prado e se reuniu para fundar uma instituição de crédito para financiar suas atividades e aproveitar a política vigente de crédito facilitado pelo Império. Em 28 de outubro de 1889 foi criado o Banco do Commercio e Industria de São Paulo[5][6], tendo como fundadores cento e vinte dois acionistas dos quais se destacam:
- Antônio da Silva Prado (senador de São Paulo e ex-ministro da Agricultura e das Relações Exteriores do Império do Brasil)
- Joaquim Egídio de Sousa Aranha (Marquês de Três Rios)
- Francisco da Cunha Bueno (Visconde de Cunha Bueno)
- Rafael Tobias de Aguiar Pais de Barros (2º Barão de Piracicaba)
- Francisco Antônio de Sousa Queirós (Barão de Sousa Queirós)
- Carlos Phelippe Nielsen (proprietário da Casa Bancária Nielsen e Cia.)
- Joaquim Ferreira de Camargo Andrade (Barão de Ibitinga)
- Francisco de Paula Vicente de Azevedo (Barão da Bocaina)
- Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra (Barão de Jaguara)
- João Álvares Rubião Júnior (deputado provincial por São Paulo)
- João Baptista de Melo Oliveira (dirigente do PRP e futuro senador estadual por São Paulo)
- Elias Fausto Pacheco Jordão
- Martinho Prado Júnior
- Elias Antônio Pacheco e Chaves
- Julio Conceição (vereador e presidente da Câmara Municipal de São Paulo
A nova instituição bancária incorporou a Casa Bancária Nielsen e Cia. (aberta em 1885) e teve subescrito o capital inicial de 10 mil contos de réis, com perspectiva desse capital ser dobrado. Sua primeira sede foi instalada na Rua Quinze de Novembro.[5] No mesmo período foi criado o Banco de São Paulo (incorporado ao Banco do Estado de São Paulo em 1973).[7]
Em pouco tempo o Banco do Commercio e Industria de São Paulo se beneficiou da política de crédito do Império. Com a ampliação do crédito promovida pelo governo republicano, através do Decreto 165 de 17 de janeiro de 1890, três bancos tiveram permissão para emitir dinheiro lastreado com títulos da Dívida Pública: Banco Nacional do Brasil (de Francisco de Figueiredo, Visconde de Figueiredo), Banco de São Paulo e o Banco do Comércio (do Conselheiro Francisco de Paula Mayrink). Após protestos dos demais bancos, o governo republicano ampliou a medida para mais instituições. Enquanto outras instituições se lançaram a uma emissão descontrolada de dinheiro e faliram, como consequência da Crise do encilhamento, o banco dirigido pelo Conselheiro Prado sobreviveu e, mais tarde, acabou auxiliando o Banco Auxiliar do Comércio de São Paulo que se encontrava com problemas de liquidez.[8][9]
A condução ortodoxa do Conselheiro Prado fez com que o banco abrisse sua primeira filial apenas em 1910, em Ribeirão Preto. Por sua atuação política como conselheiro e Ministro do Império, Prado se tornou senador e primeiro prefeito de São Paulo. Ao mesmo tempo, o Banco do Commercio e Industria de São Paulo passou a auxiliar o estado na obtenção de crédito. O governo do estado de São Paulo abriu em 1909 o Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo, tendo como sócio o Banco do Commercio e Industria. Mais tarde essa instituição bancária do estado foi transformada no Banespa.[10]
Referências
- ↑ Saneamento do sistema financeiro - a experiência brasileira dos últimos 25 anos
- ↑ Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (5 de maio de 2011). «História - Encilhamento: crise financeira e República». Desafios do Desenvolvimento, Ano 8, Edição 65. Consultado em 30 de novembro de 2025
- ↑ Império do Brasil (24 de novembro de 1888). «Decreto 3403 de 24/11/1888». Câmara dos Deputados do Brasil. Consultado em 30 de novembro de 2025
- ↑ Estados Unidos do Brasil (17 de janeiro de 1890). «Decreto nº 165, de 17 de Janeiro de 1890». Câmara dos Deputados do Brasil. Consultado em 30 de novembro de 2025
- ↑ a b «Banco do Commércio e Indústria de S.Paulo». Snetinella da Monarchia, edição 104, página 3. 30 de outubro de 1889
- ↑ «Local News». The Rio News, edição 44, página 3. 4 de novembro de 1889. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Banespa assume controle do Banco de São Paulo e negociará financeiras». Jornal do Brasil, ano LXXXIII, edição 115, página 21. 01/12/2025. 1 de agosto de 1973
- ↑ Ian Coelho de Souza Almeida e Marcus Antônio Croce (2016). «Abolição, encilhamento e mercado financeiro: uma análise da primeira crise financeira republicana» (PDF). Revista Econômica do Centro-Oeste, Goiânia, v.2, n.2, páginas 19-36. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ Banco Auxiliar do Comércio de São Paulo (19 de maio de 1891). «Srs. acionistas do Banco Auxiliar do Comércio de São Paulo» (PDF). Diário Oficial do Estado de São Paulo, Caderno Diário Oficial, página 108. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Decreto 1747 de 17 de junho de 1909» (PDF). Diário Oficial do Estado de São Paulo, Caderno Diário Oficial, página 1940. 24 de junho de 1909. Consultado em 1 de dezembro de 2025
