Bagadates
| Bagadates | |
|---|---|
![]() Busto de Bagadates em um de seus dracmas cunhados em Persépolis | |
| Frataraca de Pérsis | |
| Reinado | 164 – 146 a.C. |
| Antecessor(a) | Oborzos |
| Sucessor(a) | Autofradates I |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Incerto |
| Morte | 146 a.C. |
| Pai | Incerto |
| Religião | Zoroastrismo |
Bagadates (em persa médio: 𐭡𐭢𐭣𐭠𐭲𐭩; romaniz.: bgdt / bgdʾty, "Baydād") foi uma dinasta (frataraca) de Pérsis de 164 a 146 a.C.. Desde o final do III ou início do século II a.C., Pérsis era governada por dinastas locais sujeitos ao Império Selêucida, portadores do antigo título persa de frataraca. Esses governantes ressaltavam sua ligação com os xainxás aquemênidas e provavelmente tinham sua corte em Persépolis, onde financiaram construções no antigo planalto. A cronologia tradicional (Bagadates, Artaxerxes I, Oborzos, Autofradates I, Autofradates II) foi revista a partir de novas moedas, propondo-se: Artaxerxes I, Oborzos, Autofradates I, Bagadates e Autofradates II, com governo estimado entre 164 e 146 a.C.. A cunhagem mostra Bagadates no anverso com cocar satrapal e diadema helenístico; no reverso, aparece entronizado ou diante de um altar de fogo zoroastrista. As moedas seguem o padrão ático, sobretudo o tetradracma, e trazem inscrições em aramaico com o nome do governante.
Nome
Bagadates (Βαγαδάτης, Bagadátēs) e Magadates (Μαγαδάτες, Magadátes) são as formas grega e latina[1] do proto-iraniano *Bagadata (*Bágadaʰtah), que equivale ao persa antigo *Bagadata (Bagadātah, "criado por deus"), de bagaʰ, "deus", e dātaʰ, "dado, criado". Ocorre em babilônico tardio como Baguedatu (𒁀𒀝𒁕𒌈, Bagdatu), Bagadata (𒁀𒂵𒀪𒁕𒀀𒋫 e variantes, Bagaʾda/āta), Bagadati (𒁀𒂵𒀪𒁕𒀀𒋾, Bagaʾdāti), Bagadatu (𒁀𒂵𒀪𒁕𒀀𒌅 e variantes, Bagaʾdātu), Bagadadu (𒁀𒂵𒁕𒁺, Bagadadu) e Baguedada (𒄷𒁕𒁕, Bagdada), em elamita aquemênida como Baquedada (𒁀𒀝𒆪𒀜𒆪, Bakdada), Baquedauda (𒁀𒀝𒆪𒌓𒆪, Bakdauda), Baiquedauda (𒁀𒅅𒆪𒌓𒆪, Baikdauda), Bacadade (𒁀𒋡𒆪𒀜, Bakadad), Bacadada (𒁀𒋡𒆪𒀜𒆪, Bakadada) e Bacadauda (𒁀𒋡𒆪𒌓𒆪, Bakadauda), em aramaico (𐡁𐡂𐡃𐡕, bgdt),[2] persa médio (𐭡𐭢𐭣𐭠𐭲𐭩, bgdʾty, Baydād) e persa novo (بغداد, Baġdâd) como Baguedade,[1] em egípcio demótico como Peguetete (pgtt), em lício como Magabata,[3] em georgiano como Bagrate (ბაგრატ, Bagrat), em árabe como Bucrate (بُقْرَاط, Buqrāṭ) e em armênio como Bagrate (Բագրատ, Bagrat), Bagarate (Բագարատ, Bagarat) e Bagadia (Բագադիա).[4]
Antecedentes
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Desde o final do III ou início do século II a.C., Pérsis tinha sido governada por dinastas locais sujeitas ao Império Selêucida.[5] Detinham o antigo título persa de frataraca ("líder, governador, precursor"), que também é atestado no Império Aquemênida. O Império Aquemênida, que um século antes governava a maior parte do Oriente Próximo, originou-se da região. Os próprios frataracas enfatizaram sua estreita afiliação com o proeminente xainxás aquemênidas, e sua corte provavelmente estava na antiga capital de Persépolis, onde financiaram projetos de construção no planalto aquemênida e perto dele. Os frataracas eram tradicionalmente considerados como dinastas sacerdotais ou defensores da oposição religiosa (e política) ao helenismo, no entanto, isso não é mais considerado o caso.[6]
Governo

Originalmente, a cronologia proposta dos frataracas era a seguinte: Bagadates, Artaxerxes I, Oborzos, Autofradates I e Autofradates II. No entanto, descobertas recentes de moedas de Pérsis levaram a uma cronologia mais provável: Artaxerxes I, Oborzos, Autofradates I , Bagadates e Autofradates II.[7][8] Estima-se que tenha governado entre 164 a 146 a.C..[9][10] No verso de suas moedas, Bagadates é retratado em pé na frente de um altar de fogo zoroastrista, ou sentado em majestade segurando um bastão de autoridade e possivelmente uma romã na mão esquerda (ilustração, à esquerda). Em sua cunhagem, tem seu retrato no anverso, usando o cocar satrapal e o diadema helenístico. No reverso, é mostrado entronizado ou fazendo suas devoções a um templo de fogo. O padrão de peso das moedas é o padrão ático, e o tetradracma é o tamanho normal da moeda, como era o caso usual no Império Selêucida. As moedas estão inscritas em aramaico com o nome do governante.[11]
Referências
- ↑ a b Justi 1895, p. 57a.
- ↑ Tavernier 2007, p. 132.
- ↑ Hinz 1975, p. 54.
- ↑ Ačaṙyan 1942–1962, p. 355.
- ↑ Wiesehöfer 2009.
- ↑ Wiesehöfer 2000, p. 195.
- ↑ Shayegan 2011, p. 168 (nota #521).
- ↑ Wiesehöfer 2013, p. 722.
- ↑ Shayegan 2011, p. 168.
- ↑ Wiesehöfer 2013, p. 723.
- ↑ Bilde 1990, p. 129.
Bibliografia
- Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Բագարատ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians] (in Armenian). Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã
- Bilde, Per (1990). Religion and Religious Practice in the Seleucid Kingdom. Aarhus: Imprensa da Universidade de Aarhus
- Hinz, Walther (1975). Altiranisches Sprachgut der Neben Überlieferungen (PDF). 3. Viesbade: Otto Harrassowitz
- Justi, Ferdinand (1895). «Bagadāta». Iranisches Namenbuch. Marburgo: N. G. Elwertsche Verlagsbuchhandlung
- Shayegan, M. Rahim (2011). Arsacids and Sasanians: Political Ideology in Post-Hellenistic and Late Antique Persia. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. pp. 1–539. ISBN 9780521766418
- Tavernier, Jan (2007). «*Tigra-». Iranica in the Achaemenid Period (ca. 550–330 B.C.): Lexicon of Old Iranian Proper Names and Loanwords, Attested in Non-Iranian Texts. Lovaina e Paris: Peeters Publishers
- Wiesehöfer, Joseph (2000). «Frataraka». Enciclopédia Irânica, Vol. X, Fasc. 2. Nova Iorque: Imprensada Universidade de Colúmbia
- Wiesehöfer, Joseph (2009). «Persis, Kings of». Enciclopédia Irânica. Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Colúmbia
- Wiesehöfer, Josef (2013). «Fratarakā and Seleucids». In: Potts, Daniel T. The Oxford Handbook of Ancient Iran. Oxônia: Imprensa da Universidade de Oxônia. pp. 728–751. ISBN 9780190668662
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