Bacia oceânica

Mapa de bacias oceânicas. Note que a Bacia do Mar Báltico (3) não é uma bacia oceânica, mas sim uma bacia oceânica epicontinental.

Bacias oceânicas são áreas extensas e profundas com relevo relativamente plano. São regiões lateralmente dispostas as dorsais médio-oceânicas que apresentam relevo relativamente plano. Estendem-se das dorsais mesoceânicas às margens continentais e mostram profundidades médias de 4 km. Podem ser subdivididas em montes abissais, que são pequenas elevações de até 900m acima do fundo oceânico circundante. Estes montes cobrem de 80 a 85% do fundo do Oceano Pacífico e são as formas fisiográficas mais abudantes da Terra. Próximo as margens continentais, os sedimentos originados dos continentes cobrem completamente os montes abissais formando planícies abissais.

Iniciam-se a partir da base da margem continental e não incluem as grandes cordilheiras e as fossas marinhas.

Formação e evolução geológica

A formação das bacias oceânicas está relacionada à dinâmica da tectônica de placas. Esses ambientes se desenvolvem, em geral, a partir do rifteamento continental, quando forças distensivas provocam o afinamento e a ruptura da litosfera continental. Esse processo permite a ascensão de material do manto e marca o início da formação da crosta oceânica.

Após a separação dos continentes, formam-se centros de espalhamento oceânico, geralmente associados às dorsais meso-oceânicas. Nessas regiões, o magma basáltico sobe, solidifica-se e origina nova crosta oceânica, que se afasta gradualmente do eixo da dorsal, contribuindo para o crescimento da bacia oceânica.

Ao longo do tempo geológico, as bacias oceânicas passam por diferentes estágios, que incluem a abertura, o desenvolvimento e, em alguns casos, o fechamento dos oceanos. O fechamento ocorre quando a crosta oceânica é consumida em zonas de subducção, podendo resultar em colisões continentais e na formação de cadeias montanhosas.

Classificação das bacias oceânicas

Bacias oceânicas abertas

  • As bacias oceânicas abertas correspondem às grandes áreas centrais dos oceanos atuais, como o Atlântico, o Pacífico e o Índico. São caracterizadas pela presença de dorsais meso-oceânicas ativas e por extensas planícies abissais formadas à medida que a crosta oceânica se afasta das dorsais.

Bacias marginais

  • As bacias marginais localizam-se próximas aos continentes e estão associadas a margens continentais ativas ou passivas. Podem se formar por rifteamento, subsidência térmica ou em ambientes tectônicos mais complexos, como zonas de subducção, incluindo mares marginais parcialmente isolados do oceano aberto.

Bacias de retroarco

  • As bacias de retroarco desenvolvem-se atrás de arcos vulcânicos relacionados a zonas de subducção. Sua formação está associada à extensão da litosfera na placa superior, sendo comuns altas taxas de subsidência e grande variabilidade estrutural.

Bacias oceânicas interiores

  • As bacias oceânicas interiores são corpos oceânicos parcial ou totalmente cercados por continentes. Representam estágios intermediários da abertura e fechamento dos oceanos, podendo indicar oceanos em processo de fechamento ou remanescentes de antigos oceanos mais extensos.

Principais bacias oceânicas do mundo

Bacia do Oceano Pacífico

  • A Bacia do Oceano Pacífico é a maior e mais profunda do planeta. É caracterizada por margens continentais predominantemente ativas, associadas a zonas de subducção, intensa atividade sísmica e vulcânica, conhecidas como o Círculo de Fogo do Pacífico. Sua crosta oceânica é, em média, mais antiga que a dos demais oceanos.

Bacia do Oceano Atlântico

  • A Bacia do Oceano Atlântico apresenta margens continentais majoritariamente passivas e uma dorsal oceânica central, a Dorsal Mesoatlântica, onde ocorre a formação contínua de nova crosta oceânica. Trata-se de um oceano geologicamente mais jovem e ainda em expansão.

Bacia do Oceano Índico

  • A Bacia do Oceano Índico possui uma história tectônica complexa, associada à separação dos continentes do hemisfério sul e à colisão da Placa Indiana com a Placa Euroasiática. Apresenta um sistema de dorsais oceânicas bem desenvolvido e combina margens passivas e ativas.

Bacia do Oceano Ártico

  • A Bacia do Oceano Ártico é a menor e mais rasa entre as principais bacias oceânicas. Está parcialmente isolada por continentes e extensas plataformas continentais, possuindo crosta oceânica relativamente jovem e menor atividade tectônica.

Bacia do Oceano Antártico

  • A Bacia do Oceano Antártico, ou Oceano Austral, circunda o continente Antártico e desempenha papel fundamental na circulação oceânica global. A presença da Corrente Circumpolar Antártica influencia o clima e a troca de massas de água entre os oceanos.

História

Referências antigas (e.g., Littlehales 1930) consideram as bacias oceânicas como o complemento do continente, com erosão dominando o último, e os sedimento assim derivados nas bacias oceânicas. Para fontes mais modernas (por exemplo, Floyd, 1991) as bacias oceânicas são mais do que as planícies de basalto, do que como depósitos sedimentares, uma vez que a maior parte da sedimentação ocorre nas plataformas continentais e não nas bacias oceânicas geologicamente definidas.

A Terra é o único planeta do sistema solar onde hipsografia é caracterizada por diferentes tipos de crosta, crosta oceânica e crosta continental.

Ver também

Referências

  1. KEAREY, Philip; KLEPEIS, Keith; VINE, Frederick J. Global tectonics. 3. ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2009.
  2. PRESS, Frank; SIEVER, Raymond; GROTZINGER, John; JORDAN, Thomas H. Understanding Earth. 5. ed. New York: W. H. Freeman and Company, 2011.
  3. Littlehales, G. W. (1930) The configuration of the oceanic basins Graficas Reunidas, Madrid, Spain, OCLC 8506548
  4. Floyd, P. A. (1991) Oceanic basalts Blackie, Glasgow, Scotland, ISBN 978-0-216-92697-4
  5. Biju-Duval, Bernard (2002) Sedimentary geology: sedimentary basins, depositional environments, petroleum formation Editions Technip, Paris, ISBN 978-2-7108-0802-2
  6. Ebeling, Werner and Feistel, Rainer (2002) Physics of Self-Organization and Evolution Wiley-VCH, Weinheim, Germany, page 141, ISBN 978-3-527-40963-1