Bacúrio de Arzanena
| Bacúrio | |
|---|---|
| Etnia | Armênio |
| Ocupação | Vitaxa |
Bacúrio (em latim: Bacurius; em grego: Βακούριος; romaniz.: Bakoúrios; em georgiano: Բակուր; romaniz.: Bakur) foi um nobre armênio (nacarar) do século IV, ativo durante o reinado do rei Cosroes III (r. 330–339). Serviu como vitaxa de Arzanena e supostamente descendia da dinastia orôntida.
Nome
Pácoro (Pacorus; Πάκορος, Πακώρος, Παχορος, Pákoros, Pakṓros, Pachoros),[1] Pacores (Πακορης, Pakorēs),[2] Pácuro (Πάκουρος, Pákouros), Pacúrio (Pacurius; Πακούριος, Pakoúrios) ou Bacúrio (Bacurius; Βακούριος, Bakoúrios)[3] são as formas latina e grega do iraniano médio Pacur (Pakur), derivado do iraniano antigo Baguepur (bag-puhr), "filho de um deus".[4] Foi registrado em armênio (Բակուր) e georgiano (ბაკური) como Bacur (Bakur),[5][3] em siríaco como Pacor (ܦܩܘܪ, Paqor),[6] em gandari como Pacura (𐨤𐨐𐨂𐨪)[2] e em aramaico como Pacur (𐡐𐡊𐡅𐡓𐡉, pkwry).[7]
Vida
Bacúrio alegadamente pertencia a uma linhagem aparentada com a antiga dinastia orôntida e nasceu no século IV.[8] Sabe-se que era pai de Hexai e de uma filha de nome desconhecido. Em data incerta, assumiu a posição de vitaxa (vice-rei) de Arzanena, uma das quatro regiões fronteiriças do Reino da Armênia. Desde 298, em decorrência dos termos da Paz de Nísibis, Arzanena esteve sob influência do Império Romano. Durante o reinado de Cosroes III (r. 330–339), Bacúrio liderou uma revolta independentista contra os romanos e o rei armênio, que nominalmente era vassalo imperial, visando tornar-se vassalo do Império Sassânida.[9] O xainxá Sapor II (r. 309–379) enviou tropas para auxiliar Bacúrio,[10] forçando Cosroes III e o católico Vertanes I, o Parta (r. 327/33–341/2) a se refugiarem em Terua.[11]
De acordo com Moisés de Corene, Bacúrio aproveitou a invasão de Sanatruces, rei dos mascutes, para iniciar sua revolta. O autor afirmou que Cosroes III enviou Mar de Grande Sofena e Dátis Caminacano para Constantinopla com uma carta para pedir tropas do imperador Constantino I (r. 306–337),[12] que respondeu enviando muitas tropas sob liderança de Antíoco. O general romano ajudou a lidar com a invasão de Sanatruces, o que permitiu aos generais armênios lidarem com a ameaça de Bacúrio.[13] Moisés atribuiu a Manachir Restúnio a destruição do exército iraniano que auxiliou o rebelde e sua execução, bem como alegou que seu filho Hexai foi capturado e levado para Cosroes.[14]
Fausto, o Bizantino forneceu um relato muito diferente, que não menciona qualquer intervenção romana. Segundo ele, Cosroes III enviou um grande número de tropas contra o rebelde lideradas pelos nobres João de Corduena, Mar de Grande Sofena, Narses de Pequena Sofena, Valinaces I Siuni, Dátis Caminacano e Manaque de Bassiana. Eles marcharam contra as tropas iranianas, as chacinaram e depois mataram Bacúrio e seus irmãos e filhos. No rescaldo da luta, a cabeça do rebelde e sua filha foram levadas perante o rei, que casou a jovem com Valinaces e lhe concedeu a posição de vitaxa de Arzanena e as posses de Bacúrio. Hexai, filho do conspirador, sobreviveu ao conflito ao se abrigar junto de Vache I e anos depois reivindicaria sua herança.[15][9]
Referências
- ↑ Gignoux 1986, p. 144.
- ↑ a b Gardner 1886, p. 110.
- ↑ a b Rapp 2014, p. 334.
- ↑ Marciak 2017, p. 224.
- ↑ Ačaṙyan 1942–1962, p. 367-368.
- ↑ Michelson 2016.
- ↑ Baums & Glass 2024.
- ↑ Toumanoff 1963, p. 539.
- ↑ a b Toumanoff 1963, p. 180.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 76-77 (III.ix), 304.
- ↑ Grousset 1973, p. 130.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 254.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 254-255.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 255-256.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 304.
Bibliografia
- Baums, Stefan; Glass, Andrew. «Pakura». A Dictionary of Gāndhārī
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard
- Gardner, Percy (1886). The Coins of the Greek and Scythic Kings of Bactria and India in the British Museum. Londres: Museu Britânico
- Gignoux, Philippe (1986). «Faszikel 2: Noms propres sassanides en moyen-perse épigraphique». In: Schmitt, Rudiger; Mayrhofer, Manfred. Iranisches Personennamenbuch. Iranische namen in nebenüberlieferungen indogermanischer sprachen. Viena: Academia Austríaca de Ciências
- Grousset, René (1973) [1947]. Histoire de l'Arménie: des origines à 1071. Paris: Payot
- Marciak, Michał (2017). Sophene, Gordyene, and Adiabene: Three Regna Minora of Northern Mesopotamia Between East and West. Leida: BRILL. ISBN 9789004350724
- Michelson, David A. (2016). «Paqor — ܦܩܘܪ». Dicionário Biográfico Siríaco
- Moisés de Corene (1978). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachussetes; Londres: Harvard University Press
- Rapp, Stephen H. (2014). The Sasanian World through Georgian Eyes: Caucasia and the Iranian Commonwealth in Late Antique Georgian Literature. Farnham: Ashgate Publishing, Ltd. ISBN 978-1472425522
- Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Georgetown University Press