Aurora Jardim

Aurora Jardim
Nome completoAurora Jardim Correia do Vale
Pseudónimo(s)Fanfreluche
Nascimento
25 de setembro de 1898

São Tomé e Príncipe
Morte
31 de agosto de 1988

Porto
NacionalidadePortuguesa
OcupaçãoJornalista, tradutora e escritora

Aurora Jardim Correia do Vale (São Tomé e Príncipe, 1898 - Porto, 1988) foi uma jornalista, escritora e tradutora. Foi redatora do Jornal de Notícias, tornando-se a primeira mulher em Portugal a pertencer à redação de um jornal.[1]

Biografia

Aurora Jardim nasceu a 25 de setembro de 1898 na Ilha de São Tomé e Príncipe, ilha que abandonou aos 3 meses de idade, rumando para Lisboa com a sua mãe. Descendente de uma família tradicional, é filha de Ana Mark Jardim e Cipriano Leite Pereira Jardim - general, 2º Visconde de Monte-São, par do Reino e governador da província de São Tomé e Príncipe. Frequentou o Liceu Passos de Manuel. Passou quase toda a sua vida na cidade do Porto, onde iniciou a sua carreira e se casou com os dois maridos que teve em vida. O primeiro, que era oficial da Marinha, acabou por falecer. Foi mãe de dois filhos e avó de seis netos. Viveu em casa de Ernesto Maia, diretor do Conservatório de Música do Porto, padrinho de um dos seus casamentos. Faleceu no Porto, cidade onde viveu a maior parte da vida, a 31 de agosto de 1988. [2]

Carreira

A autora frequentou o Liceu Passos de Manuel e daí foi para a redação do Jornal de Notícias. Em 1925 tornou-se um membro oficial do Jornal de Notícias, tornando-se a primeira mulher em Portugal a adentrar num jornal e a terceira a sindicalizar-se.[3]

O início

A sua carreira no mundo literário iniciou-se a partir de uma conversa com seu cunhado João Grave, escritor e diretor da Biblioteca do Porto, que lhe atribuiu artigos para traduzir e a apresentou ao diretor do Jornal de Notícias.[3]

Em conversa com o diretor expôs os primeiros artigos que escreveu e teve um deles publicados, dando assim inicio à sua carreira como jornalista.[3]

Consolidação da carreira

Já estando introduzida no mundo do jornalismo, Aurora continuou a trabalhar de forma ativa no Jornal de Notícias onde escrevia semanalmente uma rubrica que abordava diversos assuntos, sendo mais presente a temática relativa à mulher. Começou também a fazer, no jornal, relatos sobre as festas de caridade e rapidamente conquistou um papel na direção.[3]

Além de assumir o papel de jornalista, A.Jardim ao longo da sua vida explorou outras formas de literatura, incluindo também no seu portfólio poesias, crónicas, criticas de livros, 3 livros de culinária e muito mais.[3]

Obras

Das obras que Aurora Jardim publicou destacam-se:[1][2]

Romances

  • Cristal Embaciado (1937)
  • Uma Vida de Mulher (1939)
  • Dezoito Dias nas Termas (1941)
  • Frémito (Romance de Amor) (1944)
  • Rés-do-Chão e Três Andares (s/d)

Poesia

  • Ressaca (1943)
  • No Mar do Mundo (1956)

Traduções

Adaptou os Contos de Grimm (1942), assim como traduziu alguns romances, como:

  • O Preto Que Tinha a Alma Branca[4], Insúa, A. (1926), Porto: Imprensa Civilização
  • Por Trás da Máscara, o Tesouro Sagrado, Delly, M. (1940), Porto: Livraria Progredior
  • Onde Estará o meu Marido?, Cominges, L. de. (1946), Porto: Livraria Figueirinhas

Outros géneros

  • Tudo Isto e Mais Também (Para a Mulher) (1947)
  • Prendendo a Vida (1950)
  • Modelo de Alma Cristã-D. Sofia Maria do Carmo Pacheco (1951)
  • Etiqueta Moderna (1961)
  • Para os Pequeninos (Contos Infantis) (s/d)

Sob o pseudónimo Fanfreluche

  • Como Deve Escrever as Suas Cartas - Correspondência e Civilidade (1936)

Prémios

Em 1958, Aurora Jardim recebeu um prémio no I Festival da Canção Portuguesa da Emissora Nacional. [1]

Referências

  1. a b c Almeida, Teresa de Sousa (2019). «Mulheres escritoras». Consultado em 27 de outubro de 2025 
  2. a b dos Arquivos e das Bibliotecas, Direção-Geral do Livro (2016). «Aurora Jardim - Biografia». Consultado em 27 de outubro de 2025 
  3. a b c d e Arquivos, RTP (8 de março de 1988). «trinta minutos com...Aurora Jardim». Consultado em 22 de outubro de 2025 
  4. RIBLT, Rede Intermunicipal de Bibliotecas da Lezíria do Tejo. «O preto que tinha a alma branca». Consultado em 17 de novembro de 2025