Augusto Duarte Rozeira de Mariz
| Augusto Duarte Rozeira de Mariz | |
|---|---|
| Nascimento | 20 de agosto de 1946 (79 anos) Porto |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Parentesco | filho de Arnaldo Rozeira, primo de Luís Roseira e parente de Maria de Belém Roseira |
| Alma mater | Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Instituto de Estudos Políticos de Paris |
| Ocupação | economista, escritor e político |
Augusto Duarte Rozeira de Mariz (Porto, 20 de agosto de 1946) é um economista, escritor e político português. Opositor do «Estado Novo» e contra a guerra colonial, em 1969, enquanto aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e presidente da direção do Centro Académico de Democracia Cristã, teve participação ativa nas «Crises académicas do Estado Novo», e, em 1971, exilou-se em França, tornou-se membro da ASP (Acção Socialista Portuguesa), sendo, em 1973, membro fundador do Partido Socialista.
Biografia
Formação
Aluno dos Jesuítas, estudou no colégio das Caldinhas, na Área Metropolitana do Porto, onde fez o ensino primário e liceal[1].
Licenciou-se em Filologia românica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. E, em França, formou-se em Economia e finanças no Institut d'Études Politiques de Paris (Instituto de Estudos Políticos de Paris, mais conhecido como Sciences Po Paris)[1].
Atividade política
A sua influência política resultou do envolvimento com a Doutrina Social da Igreja e os princípios do Concílio Vaticano II, bem como dos princípios do socialismo democrático[1].
Em 1969, enquanto aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, teve participação ativa na «Greve estudantil» (protestos de estudantes universitários em oposição à repressão política do «Estado Novo português»)[1].
Foi vice-presidente e, em 1969, presidente da direção do Centro Académico de Democracia Cristã (CADC), na fase de adaptação aos princípios do Concílio Vaticano II e na altura em que este era vítima de perseguição por parte da direita conservadora, continuando a ser sócio do CADC[1][2][3].
Em virtude da sua oposição à guerra colonial portuguesa, em 1971, exilou-se em França, saindo de Portugal, com a desculpa, perante as autoridades policiais de fronteira, de que ia passar o fim-de-semana em Vigo[1][4].
Em Paris, através do seu professor António Coimbra Martins, conheceu Mário Soares, também exilado na capital francesa desde 1970, «ao lado de quem viveu momentos cruciais de luta contra a ditadura portuguesa«, tornando-se «fiéis companheiros», e aderindo à ASP (Acção Socialista Portuguesa)[1][4].
Como membro da Acção Socialista Portuguesa, participou nas eleições dos delegados que, a 19 de abril de 1973, se reuniram na cidade alemã de “Bad Münstereifel”, onde teve lugar a última Assembleia Geral desse movimento, que funcionou como Congresso, e onde foi votada a sua reconversão em Partido Socialista na clandestinidade, sendo seu fundador[1][5][6][7].
Em setembro de 1973, com Dino Monteiro e outros, foi fundador e colaborador benévolo da “Livraria Portuguesa”, sita na rua Gay-Lussac, em Paris, onde se juntava «a elite da oposição democrática»[1][8][4].
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, optou por permanecer em França, onde partidariamente desempenhou várias funções, quer na qualidade de dirigente local do Partido Socialista, quer como sindicalista[1].
Em setembro de 1974, foi consultor da delegação portuguesa, chefiada pelo então ministro da educação Vitorino de Magalhães Godinho e localmente (França) por António Coimbra Martins, à Conferência da Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em que Portugal foi readmitido na instituição, a que havia aderido a 11 de março de 1965, mas retirado em 1972[1][9].
Atividade profissional
Iniciou a sua vida profissional em Portugal, onde foi professor do Ciclo preparatório do ensino secundário (atual 2º ciclo do ensino básico). Mais tarde, aquando do seu exílio em Paris, França, foi bancário, durante três décadas, em dois bancos portugueses, ligado aos contactos França-Portugal, tanto de particulares, como de empresas[1][4].
Obra publicada
Entre os seus escritos publicados, merecem destaque os seguintes:
- Portugal amaldiçoado: do ciclo de Kondratieff ao ciclo secular de Mariz Lusitano; [S.l.]; Ulmeiro, 2023 - ISBN 978-972-706-492-2[10]
- Para o ano em Portugal - O 24 de Abril na varanda da Europa; São Mamede de Infesta [S.l.]; Ulmeiro, 2014, [11]
- Fernando Pessoa e a economia: retrato de artista em português; Lisboa; Ulmeiro, 2012. - ISBN 978-972-706-470-0[12]
- A freguesia de Antanhol: memórias de um passado; Antanhol; Junta de freguesia de Antanhol, 2004 - ISBN 972-9044-41-4[13]
- Colaborou na obra «Fernando Pessoa: Uma quase autobiografia» de José Paulo Cavalcanti Filho; Rio de Janeiro; Record; 2023- ISBN 9786555877175[14]
Vida pessoal
Nasceu no Bonfim, Porto, em 20 de agosto de 1946, sendo o quinto filho de Maria Irene de Mariz Teixeira (1911-1996) e Arnaldo Deodato da Fonseca Rozeira (1912-1984), que foi um botânico, professor universitário, diretor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto[15] e diretor do Jardim Botânico do Porto[16], vice-reitor e reitor da Universidade de Luanda, ao tempo designada de Estudos Gerais Universitários de Angola[1][17][18]
Teve nove irmãos: Arnaldo Eduardo, Maria Irene, António José, Maria do Céu, Nuno Manuel, João Luís, Armando Jorge, Maria da Graça e Paulo Maria de Mariz Roseira.
Tem três filhos, todos profissionalmente ligados à área da economia e a trabalharem fora de Portugal.
É neto de Francisco Lopes Roseira (1825-1905), fundador em 1859 do Colégio de Lamego, e parente da política portuguesa Maria de Belém Roseira.
É primo de Luís Roseira, médico, ativista contra o regime do «Estado Novo» e também fundador do Partido Socialista[1]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n GAMA, Maria José (2016). Caminhos da liberdade - biografias. Albufeira: Arandis. p. 415-419. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ «Coimbra 1969, Para uma análise critica. Estudos, Revista de universitários católicos». AbeBooks. 2013. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ «Sócios do CADC». Centro Académico de Democracia Cristã. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ a b c d «« Rozeira de Mariz "Camarada Duarte" recorda tempos do exílio de Mário Soares em Paris», por Carina Branco, da Lusa (agência de notícias)» 🔗 (PDF). Luso jornal. 11 de janeiro de 2017. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ [1] Arquivado em 24 de setembro de 2015, no Wayback Machine. Fundadores do Partido Socialista
- ↑ Casa Comum (1973). «Acta da fundação do Partido Socialista». casacomum.org. Consultado em 6 de setembro de 2025
- ↑ «Socialistas vizelenses presentes nas comemorações dos 50 anos do PS». Digital de Vizela. 20 de abril de 2023. Consultado em 5 de setembro de 2025
- ↑ «Dino Monteiro, In Memoriam». Luso jornal. 24 de fevereiro de 2020. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ «Portugal na UNESCO». Ministério dos Negócios Estrangeiros. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ MARIZ, Augusto Rozeira (2023). Portugal amaldiçoado: do ciclo de Kondratieff ao ciclo secular de Mariz Lusitano. [S.l.]: Ulmeiro. ISBN 978-972-706-492-2. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ MARIZ, Augusto Rozeira (2014). Para o ano em Portugal - O 24 de Abril na varanda da Europa. São Mamede de Infesta: Ulmeiro. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ MARIZ, Augusto Rozeira (2012). Fernando Pessoa e a economia: retrato de artista em português. [S.l.]: Ulmeiro. ISBN 978-972-706-470-0. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ MARIZ, Augusto Rozeira [et.al.] (20 d.C.). A freguesia de Antanhol: memórias de um passado. Antanhol: Junta de freguesia de Antanhol. ISBN 972-9044-41-4. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ FILHO, José Paulo Cavalcanti (2023). Fernando Pessoa: Uma quase autobiografia. Rio de Janeiro: Record. ISBN 9786555877175. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Directores da FCUP
- ↑ Jardim Botânico do Porto]
- ↑ ««A Universidade de Luanda – apontamento histórico» por António Martins Mendes in Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, vol. 101» (PDF). Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias. 2006. p. 155. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ MORAIS, Cristiano (2006). Por terras de Ansiães. Carrazeda de Ansiães: Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães. ISBN 972-95129-6-5. Consultado em 7 de setembro de 2025