Astyanax novae

Astyanax novae
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Characiformes
Família: Acestrorhamphidae
Subfamília: Acestrorhamphinae
Gênero: Astyanax
Espécie: A. novae
Nome binomial
Astyanax novae
Eigenmann, 1911
Sinónimos[1]
  • Astyanax bimaculatus novae (Eigenmann, 1911)

Astyanax novae, popularmente conhecida como lambari, é uma pequena espécie de peixe de água doce da família dos caracídeos (Characidae). Trata-se de uma espécie pouco estudada, cuja biologia é sobremaneira desconhecida. É endêmico do Brasil, onde ocorre em alguns estados.

Nome

O nome popular lambari, segundo o Dicionário Histórico das Palavras Portuguesas de Origem Tupi (DHPT), tem origem controversa. Provavelmente originou-se do tupi arawe'ri, o nome dado a vários peixes da família dos caracídeos, através araberi > *arambari > *alambari > lambari. Foi registrado em 1749 como lambare, em 1914 como lambarys e 1928 como lambarí.[2]

Taxonomia e sistemática

Astyanax novae foi descrita por Carl H. Eigenmann em 1911.[3] Faz parte do gênero Astyanax, que até recentemente pertencia à família dos caracídeos (Characidae), subfamília dos estetaprioníneos (Stethaprioninae),[1] e agora foi reclassificado na família dos acestrorranfídeos (Acestrorhamphidae), subfamília dos acestrorranfíneos (Acestrorhamphinae). [4][5] Astyanax novae foi originalmente descrito como variedade de Astyanax bimaculatus, mas em publicações mais recentes foi reconhecido como espécie distinta. Sugere-se que exista material de A. novae incorretamente identificado como A. bimaculatus e A. lacustris.[1][6]

Descrição

Astyanax novae é uma espécie de porte diminuto, alcançando até 3,3 centímetros de comprimento-padrão. Apresenta corpo comprimido lateralmente, escamas prateadas com possível reflexo dourado e faixa lateral prateada distinta.[3]

Distribuição e habitat

Astyanax novae habita riachos de águas claras e correntes moderadas e vive em zonas bentopelágicas de água doce em áreas tropicais, nos biomas da Amazônia e Cerrado.[3] É uma espécie endêmica do Brasil e distribuiu na bacia do rio Preto, no noroeste do estado da Bahia, e na bacia do rio Tocantins, na região do Jalapão e Estreito, nos estados de Goiás, Tocantins e Maranhão. Sua presença em ambas as bacias está associada à existência de intercomunicação entre as águas do rio Sapão, pertencente à bacia do São Francisco, e dos rios Galheiros e Novo, pertencentes à bacia do Tocantins. De acordo com a Coleção Ictiológica do Museu Nacional (MNRJ 34250, 34251, 34252, 34253, 34354, 37923), a espécie foi registrada na bacia do rio Xingu.[1] Outras bacias onde a espécie ocorre são a do Araguaia e Alto Parnaíba, em Mato Grosso e Pará.[6]

Biologia e ecologia

Astyanax novae é uma espécie pouco estudada. Presume‐se que apresenta ecologia semelhante a outros tetras de pequena porte, alimentando‐se de pequenos invertebrados aquáticos e matéria vegetal em suspensão.[7]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Astyanax novae como uma espécie pouco preocupante (LC), em decorrência de sua ampla distribuição e abundância em seus habitats. Pode ser eventualmente afetado pela presença da Usina Hidrelétrica de Estreito, mas ameaças diretas à sua conservação não são conhecidas.[1][6] Em 2018, foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[8] Em sua área de distribuição, ocorre em algumas áreas de conservação: a Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins (ESEC Serra Geral do Tocantins), a Área de Proteção Ambiental do Rio Preto (APA Rio Preto), a Área de Proteção Ambiental do Jalapão (APA Jalapão), a Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto (APA Pouso Alto), o Parque Estadual do Jalapão (PE Jalapão) e a Terra Indígena Avá-Canoeiro (TI Avá-Canoeiro).[6]

Referências

  1. a b c d e f Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) (2012). «Lambari, Astyanax novae». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2022: e.T134692238A134692278. doi:10.2305/IUCN.UK.2022-1.RLTS.T134692238A134692278.enAcessível livremente. Consultado em 14 de maio de 2025 
  2. Grande Dicionário Houaiss, verbete lambari
  3. a b c «Astyanax novae Eigenmann, 1911». FishBase. Consultado em 14 de maio de 2025. Cópia arquivada em 23 de outubro de 2015 
  4. «Astyanax». National Center for Biotechnology Information (NCBI). Consultado em 5 de maio de 2025. Cópia arquivada em 14 de maio de 2025 
  5. «Astyanax». Eschmeyer's Catalog of Fishes. Academia de Ciências da Califórnia. Consultado em 14 de maio de 2025. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2024 
  6. a b c d Pavanelli, C. S.; Vieira, F.; Cardoso, P. C. A.; Reis, R. C. (2023). «Astyanax novae Eigenmann, 1911». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.15171.2. Consultado em 26 de maio de 2025. Cópia arquivada em 5 de maio de 2025 
  7. Pastana, Marlon R. M.; Lucinda, Paulo H. F.; Lucena, Carlos Alberto Santos de (2014). «Redescription of Astyanax novae Eigenmann, 1911 (Characidae), with comments on species limits in the bimaculatus group» (PDF). Ichthyological Exploration of Freshwaters. 24 (4): 307–318. doi:10.1080/08997659.2014.934497 
  8. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018