Assimilação dos talixes

A assimilação dos talixes é um processo sociocultural na República do Azerbaijão (e na sua antecessora, a República Socialista Soviética do Azerbaijão da União Soviética) em que os talixes deixam de se identificar como parte das comunidades étnica e cultural talixe. A assimilação envolve identificação com cultura, religião, ideais nacionais, políticas do ambiente de assimilação ou mediante casamentos mistos.

Assimilação

A influência dos processos étnicos, principalmente o processo de assimilação natural, na evolução da composição étnica da população foi ainda maior do que no período anterior. A assimilação pelos azeris dos grupos xadagues, tates, talixes e outros, contribuiu para o aumento do número absoluto de azeris e da sua participação na população total da república.[1] Assim, no censo de 1959 e nos censos subsequentes, os talixes nomearam o azeri como a sua língua materna, juntamente com os próprios azeris. No entanto, alguns talixes continuaram a considerá-lo a sua língua materna.[2] Conforme o censo de 1897, viviam 35.219 talixes no Império Russo,[3] e segundo o censo de 1926, existiam 77.039 talixes na RSS do Azerbaijão. De 1959 a 1989, os talixes não foram incluídos em nenhum censo como um grupo étnico separado, mas foram considerados parte dos turcos azeris, embora os talixes falem persa. Em 1999, o governo do Azerbaijão declarou existirem somente 76.800 talixes na República do Azerbaijão, mas este número é considerado inferior ao número real, devido a problemas com o registo como talixes. Alguns afirmam que o número de talixes que habitam as regiões do sul do Azerbaijão é de 500.000.[4]

Organizações internacionais como o Washington Profile,[5] Unrepresented Nations and Peoples Organisation e a Radio Free Europe/Radio Liberty[6] manifestaram preocupação com a detenção de Novruzali Mammadov, presidente do Talysh Cultural Center e editor do jornal “Tolyshi Sado”. Foi preso e condenado a 10 anos por alta traição depois de o seu jornal ter publicado artigos alegando que o poeta Nizami Ganjavi e o líder da revolta antiárabe Pabeco, o Curramita eram talixes (não azeris, como oficialmente considerados no Azerbaijão).[7] O relatório da Comissão Européia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) observa que, no contexto do cultivo de sentimentos antiarmênios no Azerbaijão, são também expressas sérias preocupações sobre a incitação ao ódio contra a minoria talixe. A ECRI observa com preocupação os casos de abuso da lei contra membros de minorias. Por exemplo, o antigo editor do único jornal em Língua talixe, Tolyshi Sado, e o ativista dos direitos humanos Hilal Mammadov, foram detidos e acusados de posse de droga. Durante a sua detenção, foi espancado e sujeito a insultos étnicos. Hilal Mammadov foi detido após ter publicado um vídeo sobre a cultura talixe na internet, que foi visualizado mais de 20 milhões de vezes. Leyla Yunus descreveu a sua detenção como um exemplo de pressão sobre os representantes das minorias nacionais. Anteriormente, o antigo editor do mesmo jornal em língua talixe, Novruzalli Mammadov, foi preso e pereceu na prisão.[8]

Referências

  1. Minahan, James (30 de mayo de 2002). Encyclopedia of the Stateless Nations: Ethnic and National Groups Around the World A-Z [4 Volumes] (em inglês). ABC-CLIO. ISBN 978-0-313-07696-1.
  2. ETNOGRAFÍA SOVIÉTICA • N° 5-1982 / Sobol N. S. - Moscú: Nauka, 1982. - P. 67-68. — 178 pág. // СОВЕТСКАЯ ЭТНОГРАФИЯ • №5-1982 / Соболь Н. С.. — Москва: Наука, 1982. — С. 67—68. — 178 с.
  3. Brockhaus-Efron y la Gran Enciclopedia Soviética
  4. Islamic and Ethnic Identities in Azerbaijan: Emerging Trends and Tensions
  5. Allegation of Minority Rights Violations in Azerbaijan
  6. AZERBAIJANI AUTHORITIES ACCUSED OF DISCRIMINATING AGAINST ETHNIC MINORITIES
  7. Lornejad, Siavash; Doostzadeh, Ali (2012). ON THE MODERN POLITICIZATION OF THE PERSIAN POET NEZAMI GANJAVI (en inglés). CCIS. ISBN 978-99930-69-74-4.
  8. "ECRI REPORT ON AZERBAIJAN(fifth monitoring cycle)"