Artace
Artace é um gênero de mariposas da família Lasiocampidae, estabelecido em 1855 pelo entomólogo britânico Francis Walker.[1] O grupo engloba mais de duas dezenas de espécies, distribuídas principalmente na América do Sul e, em menor número, na América do Norte.[2] A notoriedade popular do gênero aumentou a partir de 2012, quando foi sugerido que a «mariposa‑poodle» venezuelana — uma mariposa ainda não identificada, conhecida apenas por uma fotografia — pudesse pertencer a Artace.[3][4]
Classificação
Artace pertence à ordem Lepidoptera e à família Lasiocampidae.[1] Francis Walker delimitou o gênero em 1855 com base em caracteres morfológicos, como a forma das antenas e a venação das asas.[1] Os adultos exibem corpo robusto, densamente recoberto por escamas, antenas bipectinadas (em forma de pente) em ambos os sexos e asas relativamente largas, combinação que distingue Artace de outros gêneros da subfamília Poecilocampinae.[2]
Descrição e morfologia
As mariposas de Artace são de porte médio, com envergadura geralmente entre 2,5 e 5,8 cm.[2] O corpo é densamente peludo, conferindo aspecto aveludado; as asas variam de branco puro a tons de cinza ou marrom e podem apresentar linhas ou pontos escuros. Nas espécies norte‑americanas, como a mariposa dot‑lined (*Artace cribrarius*), os machos possuem antenas de coloração alaranjada ou amarelada e asas brancas com linhas pontilhadas negras; as fêmeas têm antenas menos vistosas e corpo mais rechonchudo.[5] As antenas bipectinadas, características marcantes dos lasiocampídeos, funcionam como órgãos sensoriais para detectar feromônios durante o acasalamento.[2]
Distribuição e habitat
A maioria das espécies de Artace ocorre na região Neotropical, com registros desde o sul da Venezuela e a Amazônia até áreas temperadas da Argentina.[2] A distribuição na América do Norte é restrita: espécies como A. cribrarius e A. colaria são encontradas do sudeste dos Estados Unidos ao México.[5] Os habitats típicos incluem florestas tropicais e subtropicais, além de áreas de savana arborizada, onde as larvas encontram suas plantas‑hospedeiras.[2]
Ecologia
As larvas de Artace são herbívoras generalistas; no caso de A. cribrarius, alimentam‑se de folhas de carvalho (*Quercus*), cerejeira (*Prunus*) e roseira (*Rosa*).[5] Em outras espécies, as plantas‑hospedeiras variam conforme a região, mas normalmente incluem árvores nativas das florestas sul‑americanas.[2] O ciclo de vida segue as etapas de ovo, lagarta, pupa e adulto; dependendo da espécie e das condições ambientais, pode haver uma ou várias gerações por ano.[2] Os adultos geralmente não se alimentam e vivem apenas algumas semanas, dedicando‑se à reprodução. Predadores naturais incluem aves insetívoras e morcegos.[2]
Espécies
Segundo o Global Biodiversity Information Facility e o World Species, Artace reúne mais de 20 espécies descritas.[1][6] Entre as espécies reconhecidas estão:
- Artace aemula Walker, 1855;
- Artace albicans Walker, 1855;
- Artace araucaria H. Edwards, 1886;
- Artace argyrophanes Collenette, 1964;
- Artace aspera (Walker, 1855);
- Artace colaria (Grote, 1865);
- Artace cribaria Walker, 1862 – sugerida por alguns especialistas como o grupo ao qual a «mariposa‑poodle» possa pertencer;[3]
- Artace cribrarius (Walker, 1855) – conhecida em inglês como «dot‑lined white»; a espécie apresenta asas brancas com linhas pontilhadas negras;[5]
- Artace quadrans Walker, 1855;
- Artace punctistriga (Walker, 1855);
- Artace rastiae Schaus, 1896.
Relação com a mariposa‑poodle
A chamada «mariposa‑poodle venezuelana» ganhou notoriedade após a publicação, em 2012, de uma fotografia tirada pelo zoólogo Arthur Anker em 2009 no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela.[4] Especialistas em Lepidoptera, como John E. Rawlins (Carnegie Museum of Natural History), sugeriram que a mariposa pode pertencer a Artace, possivelmente relacionada a Artace cribaria, com base na forma das antenas e na aparência geral.[3][4] Entretanto, Rawlins ressalta que a identificação permanece conjectural: sem exemplares coletados não é possível confirmar a espécie nem descrever formalmente o táxon.[3] Até 2025 não existe estudo taxonômico revisado descrevendo essa mariposa, e sua possível filiação a Artace continua incerta.[4]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d «Artace». Wikipedia (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i «Poecilocampinae». Bugs With Mike. Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d Karl Shuker (22 de agosto de 2012). «Mystery of the Venezuelan Poodle Moth – Have You Seen This Insect?». ShukerNature. Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d Jeremy Hance (29 de agosto de 2012). «Unidentified poodle moth takes Internet by storm». Mongabay. Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d «Dot-Lined White (Artace cribrarius)». Insect Identification. Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ «Artace (World Species)». World Species. Consultado em 8 de dezembro de 2025