Archachatina marginata
| Archachatina marginata | |
|---|---|
| |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Mollusca |
| Classe: | Gastropoda |
| Ordem: | Stylommatophora |
| Família: | Achatinidae |
| Gênero: | Archachatina |
| Espécies: | A. marginata
|
| Nome binomial | |
| Archachatina marginata (Swainson, 1821)
| |
O caracol-gigante-da-áfrica-ocidental, caramujo-gigante-da-áfrica-ocidental, caracol-raspa-banana ou caramujo-raspa-banana (Archachatina marginata) é uma espécie de gastrópode terrestre tropical da família Achatinidae. Pode atingir até 20 centímetros de comprimento e ter uma expectativa de vida de 10 anos ou mais.
Distribuição

Esta espécie está presente na África Ocidental (do Camarões até a República Democrática do Congo) e também no Caribe, especificamente na Martinica.[1] Não se sabe ao certo como ela chegou à Martinica, mas há a possibilidade de ter sido introduzida de forma intencional como "animal de estimação" ou trazida por trabalhadores que retornavam da África Ocidental.[2]
A propagação natural desse molusco é bastante lenta; entretanto, sua disseminação não intencional por pessoas que o utilizam para alimentação ou como medicina popular é bastante frequente.[3] O USDA realiza verificações rotineiras para identificar a presença da espécie na bagagem de viajantes provenientes da África Ocidental, especialmente de países como Nigéria, Gana e Camarões.
Embora essa espécie ainda não tenha se estabelecido nos Estados Unidos, ela é vista como uma ameaça potencialmente séria enquanto praga, sendo uma espécie invasora capaz de impactar negativamente a agricultura, os ecossistemas naturais, a saúde humana ou o comércio. Por esse motivo, a espécie pode ser classificada com a mais alta prioridade de quarentena nacional nos Estados Unidos.[4]

Características

Este gastrópode apresenta uma protoconcha bulbosa, ampla e grande, com columela, parede parietal e lábio externo de coloração branca ou branco-azulada. A concha do caracol pode atingir até 21 cm de altura e 13 cm de diâmetro. Quando observada de perto, a concha revela uma textura que lembra a de um tecido.
Como espécie invasora
Sua alimentação inclui uma ampla variedade de plantas, entre elas culturas de grande importância econômica, como bananas, alface, amendoim e ervilhas. Há também potenciais implicações para a saúde pública relacionadas à disseminação desse caracol como espécie invasora: ele atua como vetor do verme pulmonar parasita do rato (Angiostrongylus cantonensis), responsável pela angiostrongilíase, que, por sua vez, é a causa mais frequente de meningite eosinofílica ou meningoencefalite eosinofílica. Se o caracol continuar a se espalhar, poderá representar um problema para a saúde das populações da América do Norte, desde Cuba até os Estados Unidos.[5][6] No entanto, sua proliferação na América do Norte permanece limitada às latitudes mais ao sul, onde o clima é mais favorável ao animal.
Por essas razões, manter achatinídeos como animais de estimação na América do Norte é um tema controverso, somando-se ainda à preocupação com a disseminação de outras espécies invasoras nos Estados Unidos. Consequentemente, até mesmo o Canadá impõe restrições à importação e ao manejo dessa espécie, ainda que não exista risco de expansão invasiva, já que o clima seria letal para quaisquer indivíduos que escapassem.

Subespécies
São reconhecidas 10 subespécies:
- A. m. ovum
- A. m. suturalis
- A. m. egregia
- A. m. eduardi
- A. m. candefacta
- A. m. grevillei
- A. m. icterica
- A. m. marginata
- A. m. egregiella
- A. m. clenchi
Ecologia
Os achatinídeos são animais de hábitos noturnos e típicos de áreas florestais, embora consigam se adaptar a habitats que tenham sido perturbados. Preferem locais mais escondidos e, em situações de superpopulação, podem acabar colonizando ambientes mais abertos. Durante períodos de elevada umidade, tornam-se mais ativos, mas a observação de indivíduos durante o dia provavelmente está relacionada à alta densidade populacional.

Os ovos dos achatinídeos geralmente são depositados no solo, embora também possam ser encontrados sob folhas ou pedras. Produzem até 40 ovos, de coloração amarela com manchas escuras, e o período de incubação é de aproximadamente 40 dias.
Alimentação
Os caracóis se alimentam durante o dia, embora tenham preferência por comer à noite. Indivíduos selvagens são conhecidos por consumir mais de 500 espécies de plantas. Já os indivíduos domesticados tendem a ingerir alimentos ricos em proteína e pobres em gordura. Estudos realizados com caracóis domesticados demonstraram que excrementos de aves são o alimento mais eficaz para promover tanto o crescimento quanto o ganho de peso.[7] Exemplares mantidos em cativeiro podem ser facilmente alimentados com uma variedade de frutas e vegetais, incluindo tomate, alface e pepino (mesmo que estes apresentem pouco valor nutricional), além de feijões, abóbora, banana e outros. Esses indivíduos também precisam ser suplementados com uma fonte de cálcio e outras vitaminas (como ossos de siba, tenébrios desidratados, entre outros).[8]
Sistema nervoso
No sistema nervoso desse organismo, existem dois tipos principais de nervos: os paliais e os viscerais. Os nervos paliais constituem o foco da maioria das pesquisas científicas. Já os nervos viscerais dividem-se em nervo visceral principal e nervo visceral retal. O nervo visceral principal situa-se na região dorsal do caracol e conecta-se a um grande agrupamento de células nervosas, permitindo a transmissão de informações pelo corpo. O nervo visceral retal, por sua vez, inicia-se mais abaixo, sob o nervo visceral principal, estendendo-se por um curto trajeto antes de se ramificar próximo ao reto.[9]
O calor pode desencadear reações no caracol-gigante-da-áfrica-ocidental devido ao seu sistema nervoso. Quando a temperatura ultrapassa 25 °C, os nervos produzem fibras sensíveis ao calor, enquanto temperaturas abaixo de 19 °C fazem com que produzam fibras sensíveis ao frio. A faixa de temperatura ideal para essa espécie situa-se entre 13 e 32 °C.[10]
Veja também
Caramujo-gigante-africano - molusco gastrópode terrestre introduzido no Brasil
Referências
- ↑ USDA/APHIS (ed.). «Archachatina marginata (Swainson, 1821)» (PDF). United States Department of Agriculture (em inglês). Consultado em 29 de outubro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 22 de julho de 2021
- ↑ Robinson, David G. USDA APHIS National Malacology Laboratory and The Academy of Natural Sciences, ed. «The Giant African snail (Lissachatina fulica); its history and reported biology» (PDF) (em inglês). Consultado em 29 de outubro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 4 de março de 2016
- ↑ Let Them Eat Snail: Nutritional Giant Snails Could Address Malnutrition. ScienceDaily (20 de novembro de 2009)
- ↑ Cowie R. H., Dillon R. T., Robinson D. G. & Smith J. W. (2009). «Alien non-marine snails and slugs of priority quarantine importance in the United States: A preliminary risk assessment» (PDF). American Malacological Bulletin (em inglês). 27 (1–2): 113–132. doi:10.4003/006.027.0210. Cópia arquivada (PDF) em 16 de junho de 2016
- ↑ Vázquez, Antonio A.; Sánchez, Jorge (3 de abril de 2015). «First record of the invasive land snail Achatina (Lissachatina) fulica (Bowdich, 1822) (Gastropoda: Achatinidae), vector of Angiostrongylus cantonensis (Nematoda: Angiostrongylidae), in Havana, Cuba». Molluscan Research (em inglês). 35 (2): 139–142. doi:10.1080/13235818.2014.977837
- ↑ White-McLean, J.A. (2 de setembro de 2011). «Archachatina marginata». Terrestrial Mollusc Tool (em inglês). USDA/APHIS/PPQ Center for Plant Health Science and Technology and the University of Florida. Consultado em 29 de outubro de 2015
- ↑ Ademolu, K. O.; Idowu, A. B.; Mafiana, C. F.; Osinowo, O. A. (2004). «Performance, proximate and mineral analyses of African giant land snail (Archachatina marginata) fed different nitrogen sources». African Journal of Biotechnology (em inglês) (8): 412–417. ISSN 1684-5315. doi:10.4314/ajb.v3i8.14989. Consultado em 13 de setembro de 2022
- ↑ «Diet». Giant African Land Snails (em inglês). Consultado em 13 de setembro de 2022
- ↑ Nisbet, R. H. (1961). «Some Aspects of the Structure and Function of the Nervous System of Archachatina (Calachatina) marginata (Swainson)». Proceedings of the Royal Society of London B: Biological Sciences (em inglês). 154 (955): 267–288. Bibcode:1961RSPSB.154..267N. doi:10.1098/rspb.1961.0032
- ↑ Voss, M.; Schmidt, H. (2001). «Electrophysiological responses to thermal stimuli in peripheral nerves of the African giant snail, Archachatina marginata S.». Journal of Thermal Biology (em inglês). 26 (1): 21–27. PMID 11070341. doi:10.1016/S0306-4565(00)00021-8
