Língua aramaica de Hatra
| Aramaico de Hatra | ||
|---|---|---|
| Falado(a) em: | Iraque | |
| Região: | Hatra e Assur | |
| Total de falantes: | Extinta | |
| Família: | Afro-asiática Semítica Semíticas ocidentais Semítica central Semítica do noroeste Aramaico de Hatra | |
| Escrita: | Alfabeto de Hatra | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | --
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| ISO 639-2: | ---
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O aramaico de Hatra, também designado como assuriano ou aramaico mesopotâmico oriental, é um dialeto do aramaico médio que era usado na região de Hatra e Assur, no nordeste da Mesopotâmia (atual Iraque), aproximadamente do século III a.C. ao III d.C.. A maior parte das evidências da língua provém de inscrições dentro das cidades, datando entre 100 a.C. e meados do III d.C., coincidindo com a destruição de Hatra por Sapor I (r. 240–270) em 241 e de Assur em 257. Tendo conquistado as cidades-Estado arameias a oeste, o Império Neoassírio (911–605 a.C.) adotou o aramaico antigo como língua oficial ao lado do acádio assírio. Com o subsequente Império Aquemênida adotando também o aramaico antigo, este se elevou ao status de língua franca do Irã, da Mesopotâmia e do Levante.
Desenvolvimento

O aramaico de Hatra desenvolveu-se por meio de desvios dialetais, além de produzir sua própria escrita. Vários dialetos do aramaico se desenvolveram ao redor de grandes cidades ou regiões, incluindo o dialeto irmão siríaco (cidade de Edessa), o mandeu (região em torno da cabeceira do golfo Pérsico), o nabateu (do Negueve à margem leste do rio Jordão e à península do Sinai), o aramaico babilônico judaico (Babilônia), o palmireno (Palmira) e vários subdialetos palestinos (Palestina). O siríaco, o mandeu e o aramaico palestino cristão também desenvolveram suas próprias variantes do sistema de escrita original, que ainda é empregado hoje pelos falantes de neoaramaico ocidental.[1] O aramaico de Hatra e o siríaco foram influenciados pelo acádio, em parte devido à proximidade com o coração da região, bem como pelo fato de os assírios nativos terem adotado esses dois dialetos. Muitos substantivos de uso comum, como nomes de meses, foram tomados emprestados do acádio, além de terem sido influenciados fonológica, morfológica e sintaticamente.[2]
História

Tendo conquistado as cidades-Estado arameias a oeste, o Império Neoassírio (911–605 a.C.) adotou o aramaico antigo como língua oficial ao lado do acádio assírio. Com o subsequente Império Aquemênida adotando também o aramaico antigo, este se elevou ao status de língua franca do Irã, da Mesopotâmia e do Levante.[3] O aramaico de Hatra era um dialeto do aramaico médio que utilizado na região de Hatra e Assur, no nordeste da Mesopotâmia (atual Iraque), aproximadamente do século III a.C. ao III d.C..[4][5] A maior parte das evidências da língua provém de inscrições dentro das cidades, datando entre 100 a.C. e meados do III d.C., coincidindo com a destruição de Hatra por Sapor I (r. 240–270) em 241 e de Assur em 257.[6][7]
A cidade de Nísibis foi sitiada várias vezes durante as guerras romano-persas. Contudo, em 363, os romanos foram forçados a entregar a cidade aos persas e assistir passivamente à expulsão da população cristã.[8] Efrém, o Sírio foi um desses refugiados e acabou se estabelecendo em Edessa. A cidade prosperava com pagãos, exatamente o oposto de Nísibis, que havia sido um bastião de cristãos de língua siríaca.[9] À medida que a demografia de Edessa mudou para uma maioria cristã que utilizava o siríaco como língua litúrgica, a língua ascendeu ao status de nova língua franca regional. Bem mais de 70 importantes escritores siríacos são conhecidos da idade de ouro do siríaco (séculos V–IX), estendendo-se do Levante e do Sinai até os contrafortes da cordilheira de Zagros e Catar.[10]
Evidência e atestação
Com Hatra desfrutando de grande prosperidade durante o período da língua, a cidade possui de longe o maior número de inscrições, com a cidade de Assur também contendo numerosas inscrições. O restante das evidências está espalhado de forma esparsa por Dura-Europos, Gadala, Ticrite, Cabre Abu Naife, Abrate Assaguira e Saadia.[6] O corpus sobrevivente, que foi publicado, transliterado e traduzido, consiste em inscrições comemorativas e votivas, semelhantes às encontradas em Edessa, Palmira e entre as inscrições nabateias. Esse método geralmente inclui a data de conclusão da escrita, o local, a pessoa que encomendou a inscrição ou estátua, bem como os próprios dados do escriba em algumas ocasiões. Diferentemente dos escribas neoassírios, neobabilônicos e siríacos do Império Sassânida, o ano régio não é incluído.[11] Tanto deuses assírio-babilônicos quanto árabes são mencionados nas inscrições, incluindo Assur, Alate, Bel, Gade (Tique), Nabu, Nácer (Apolo), Xamaxe e Sim. Enquanto ambas as cidades também atestam nomes pessoais de cidadãos abastados, os governantes de Hatra com nomes distintamente partas são atestados apenas em Hatra.[12]
Alfabeto
O alfabeto de Hatra é o sistema de escrita usado para registrar o aramaico hatrano, e muitas inscrições desse alfabeto foram encontradas em Hatra, uma cidade antiga no norte do Iraque construída pelo Império Selêucida e também usada pelo Império Arsácida, mas posteriormente destruída pelo Império Sassânida em 241 a.C.. Assur também possui várias inscrições, que chegaram ao fim após sua destruição pelos sassânidas em 257, enquanto o restante das inscrições está espalhado de forma esparsa por Dura-Europos, Gadala, Tur Abdim, Ticrite, Saadia e Cabre Abu Naife.[6]
O sistema de escrita é grafado da direita para a esquerda, como é típico dos sistemas aramaicos e da maioria dos abjades. Os numerais também são escritos da direita para a esquerda (com o valor posicional mais alto à direita), e há dois sinais de pontuação conhecidos. Existem também algumas ligaduras comuns, que não parecem ser necessárias, sendo antes formas abreviadas de escrita. Cerca de 600 textos são conhecidos. O alfabeto consiste nas letras listadas na tabela a seguir. Ligaduras foram usadas em certas inscrições, embora aparentem ser opcionais.[13]
Referências
- ↑ Editores da Britânica 1998.
- ↑ Kaufman 1974.
- ↑ Folmer 2015, p. 6.
- ↑ Beyer 1986, p. 32.
- ↑ Gzella 2015, p. 273.
- ↑ a b c Beyer 1998, p. 155.
- ↑ Hann 2015, p. 246.
- ↑ Curran 1998, p. 79.
- ↑ Myers 2010, p. 38.
- ↑ Beth Mardutho 2018.
- ↑ Brock 2015.
- ↑ Beyer 1998, pp. 155–185.
- ↑ Unicode.
Bibliografia
- «Origins of Syriac». Beth Mardutho. 2018. Consultado em 3 de junho de 2016. Cópia arquivada em 28 de junho de 2018
- Beyer, Klaus (1986). The Aramaic Language: Its Distribution and Subdivisions. Gotinga: Vandenhoeck & Ruprecht. ISBN 9783525535738
- Beyer, Klaus (1998). Die aramäischen Inschriften aus Assur, Hatra und dem übrigen Ostmesopotamien. Gotinga: Vandenhoeck & Ruprecht. ISBN 9783525536452
- Brock, Sebastian P. (2015). «Fashion in early Syriac colophons» (PDF). Hugoye: Journal of Syriac Studies. 18.2: 361-377
- Curran, John (1998). «From Jovian to Theodosius». In: Cameron, Averil; Garnsey, Peter. The Cambridge Ancient History: The Late Empire, A.D. 337-425. XIII (2nd ed.). Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. pp. 78–110. ISBN 0 521 30200 5
- Editores da Britânica (1998). «Aramaic language». Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica, Inc.
- Folmer, M. (2015). The Aramaic Language in the Achaemenid Period: A Study in Linguistic Variation. Lovaina: Peeters Publishers. ISBN 978-9068317404
- Gzella, Holger (2012). «Late Imperial Aramaic». The Semitic Languages: An International Handbook. Berlim e Boston: Walter de Gruyter. pp. 574–586. ISBN 9783110251586
- Gzella, Holger (2015). A Cultural History of Aramaic: From the Beginnings to the Advent of Islam. Leida e Boston: Brill. ISBN 9789004285101
- Hann, Geoff (2015). Iraq: The ancient sites and Iraqi Kurdistan. Chesham: Bradt Travel Guides. ISBN 9781841624884
- Kaufman, Setephen A. (1974). The Akkadian Influences on Aramaic (PDF). Chicago: Instituto Oriental da Universidade de Chicago
- Myers, Susan E. (2010). Spirit Epicleses in the Acts of Thomas. Tubinga: Mohr Siebeck. ISBN 9783161494727
- Everson, Michael (24 de setembro de 2012). «N4324: Preliminary proposal for encoding the Hatran script in the SMP of the UCS» (PDF). International Organization for Standardization. Consultado em 20 de agosto de 2016