Arabidopsis lyrata

Arabidopsis lyrata

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Tracheophyta
Clado: Angiospermae
Clado: Eudicotyledoneae
Clado: Rosídeas
Ordem: Brassicales
Família: Brassicaceae
Género: Arabidopsis
Espécie: A. lyrata
Nome binomial
Arabidopsis lyrata
(L.) O'Kane & Al-Shehbaz
Sinónimos
Arabis lyrata L.

Arabidopsis lyrata,[1] conhecida em inglês como lyrate rockcress, é uma espécie de angiosperma da família Brassicaceae, intimamente relacionada com o organismo-modelo Arabidopsis thaliana.

Descrição

Ilustração botânica de Arabidopsis lyrata (1913)

Arabidopsis lyrata é uma planta diploide com um ciclo de vida perene (dois ou mais anos). Caracteriza-se por possuir pequenas flores brancas e folhas basais muito distintas, atingindo uma altura entre 10 e 40 cm.[1] As folhas do caule apresentam uma disposição alternada, com margens lineares, levemente curvas e lisas, terminando em uma base afilada.[1] Para se proteger contra insetos herbívoros e outras ameaças externas, como incêndios ou atividade humana, a planta desenvolveu mecanismos de defesa baseados em glucosinolatos e tricomas.[1]

As flores desta espécie são minúsculas, medindo entre 3 e 8 mm. Apresentam quatro lóbulos de cor branca pura e são sustentadas por pedicelos ascendentes que variam de 7 a 12 mm de comprimento.[1] A espécie depende da polinização por insetos, florescendo geralmente entre os meses de maio e junho, com a produção de frutos ocorrendo no início de agosto.[1] O fruto é alongado, de textura papirácea, medindo entre 2 e 4,5 mm de comprimento, contendo sementes de, aproximadamente, 1 mm dispostas em fileira.[1]

Habitat e distribuição

Arabidopsis lyrata é encontrada principalmente em ambientes subárticos ou subalpinos com solos rasos, como falésias, eskers, taludes ou zonas costeiras expostas.[1] Os indivíduos podem formar rosetas solitárias ou reproduzir-se assexuadamente por colônias clonais.[1] A espécie não sobrevive em ecossistemas agrícolas onde as ervas daninhas são predominantes, ela se desenvolve melhor em condições de baixa competição. Por isso, seu ciclo de vida depende da germinação, crescimento e produção de sementes em um intervalo de tempo muito curto, antes que outras espécies de plantas bloqueiem o acesso à luz.[2]

A espécie possui uma distribuição circumpolar, ocorrendo no norte e centro da Europa, Ásia e América do Norte.[3] No estado da Virgínia (EUA), cresce em florestas rochosas e fendas de afloramentos de diversas rochas máficas e félsicas, como calcário e dolomita.[4] No leste dos Estados Unidos, sua presença costuma ser limitada a bancos de areia.[5] Na Europa, é encontrada no sul da Alemanha e em áreas restritas da Suécia.[5]

Conservação

Embora Arabidopsis lyrata possua uma ampla distribuição geográfica, a espécie frequentemente ocorre em populações pequenas e isoladas, o que faz com que seu estado de conservação varie conforme a região.[6] No Reino Unido, é considerada escassa, mas não ameaçada, com distribuição dispersa na Escócia e populações únicas no País de Gales e Shetland.[6] Nos Estados Unidos, a espécie é listada como ameaçada ou em perigo em estados como Ohio, Vermont e Massachusetts.[6] Apesar disso, Arabidopsis lyrata não consta na Lista Vermelha da IUCN.[5]

Fisiologia

Estudos demonstraram que populações de Arabidopsis lyrata ssp. petraea isoladas geograficamente na Europa apresentam diferenças metabólicas entre si.[7][8] Essas populações também exibem fenótipos metabólicos distintos quando expostas a temperaturas baixas em condições experimentais.[9]

Reprodução

As populações norte-americanas de Arabidopsis lyrata ssp. lyrata costumam realizar polinização cruzada no centro de sua área de distribuição, mas exibem uma transição para a autofecundação nas margens de sua zona de ocorrência.[10]

Importância para os seres humanos

As espécies do gênero Arabidopsis permitem investigar questões sobre especiação devido ao seu ciclo reprodutivo relativamente curto e facilidade de cultivo. Além disso, Arabidopsis lyrata apresenta grande variabilidade em termos de preferência de habitat, adaptação local, estratégias de ciclo de vida, estrutura genômica e número de cromossomos.[11] A espécie é fundamental para compreender como as populações divergem e como surgem as barreiras reprodutivas.[11] Historicamente, a planta também foi utilizada como alimento por povos nativos do Alasca, que consumiam as folhas cozidas como vegetal ou cruas em saladas.[12]

Importância para o ecossistema

Entre as espécies que costumam dividir o habitat com Arabidopsis lyrata estão Packera obovata [en], Viburnum rafinesqueanum [en], Micranthes virginiensis [en], Asplenium platyneuron, Campanula rotundifolia [en], espécies de Carya, Woodsia ilvensis [en] e Aquilegia canadensis [en].[13] A planta serve de alimento para diversos herbívoros, incluindo a borboleta Pieris brassicae.[14] Além disso, é uma hospedeira conhecida do fungo patogênico Phoma herbarum [en].[15]

Referências

  1. a b c d e f g h i Massachusetts Department of Wildlife (junho de 2008). «Lyre-leaved Rock-cress Arabidopsis lyrata (L.) O'Kane & Al-Shehbaz» (PDF). Natural Heritage Endangered Species Program (em inglês). Consultado em 5 de outubro de 2011. Arquivado do original (PDF) em 7 de fevereiro de 2010 
  2. C. Neal Stewart Jr. (2009). Weedy and Invasive Plants Genomics (em inglês). [S.l.]: John Wiley and Sons. ISBN 978-0-8138-2288-4 
  3. Jeffrey Ross-Ibarra; Stephen I. Wright; John Paul Foxe; Akira Kawabe; Leah DeRose-Wilson; Gesseca Gos; Deborah Charlesworth; Brandon S. Gaut (2008). «Patterns of polymorphism and demographic history in natural populations of Arabidopsis lyrata». PLoS ONE (em inglês). 3 (6). Bibcode:2008PLoSO...3.2411R. PMC 2408968Acessível livremente. PMID 18545707. doi:10.1371/journal.pone.0002411Acessível livremente 
  4. «Digital Atlas of the Virginia Flora» (em inglês) 
  5. a b c D. A. Ratcliffe (1994). «Arabis petraea». In: A. Stewart; D. A. Pearman; C. D. Preston. Scarce Plants of the British Isles (em inglês). Peterborough: JNCC 
  6. a b c K. M. G. Anderson (2011). «Arabis lyrata L. lyrate rockcress» (em inglês). United States Department of Agriculture. Consultado em 5 de outubro de 2011. Arquivado do original em 25 de outubro de 2011 
  7. Davey MP, Burrell MM, Woodward FI, Quick WP (2008). «Population specific metabolic phenotypes of Arabidopsis lyrata ssp. petraea». New Phytologist (em inglês). 177 (2): 380–388. PMID 18028292 
  8. Kunin WE, Vergeer P, Kenta T, Davey MP, Burke T, Woodward FI, Quick WP, Manerelli ME, Watson-Haigh NS, Butlin R (2009). «Variation at range margins across multiple spatial scales: environmental temperature, population genetics and metabolomic phenotype». Proceedings of the Royal Society B (em inglês). 276 (1661): 1495–1506. PMC 2677219Acessível livremente. PMID 19324821. doi:10.1098/rspb.2008.1767 
  9. Davey MP, Woodward FI, Quick WP (2009). «Intraspecific variation in cold-temperature metabolic phenotypes of Arabidopsis lyrata ssp. petraea» (PDF). Metabolomics (em inglês). 5: 138–149. doi:10.1007/s11306-008-0127-1 
  10. Griffin, P; Willi, Y (2014). «Evolutionary shifts to self-fertilisation restricted to geographic range margins in North American Arabidopsis lyrata». Ecology Letters (em inglês). 17 (4): 484–490. PMID 24428521. doi:10.1111/ele.12248 
  11. a b Ben Hunter; Kirsten Bomblies (2010). «Progress and promise in using Arabidopsis to study adaptation, divergence, and speciation». The Arabidopsis Book. The Arabidopsis Book (em inglês). 8. [S.l.: s.n.] PMC 3244966Acessível livremente. PMID 22303263. doi:10.1199/tab.0138Acessível livremente 
  12. Ellen Elliott Weatherbee (2006). Guide to Great Lakes Coastal Plants (em inglês). Ann Arbor: University of Michigan Press. p. 180. ISBN 978-0-472-03015-6 
  13. Philippine Vergeer; William E. Kunin (2011). «Life history variation in Arabidopsis lyrata across its range: effects of climate, population size and herbivory». Oikos (em inglês). 120 (7): 979–990. doi:10.1111/j.1600-0706.2010.18944.x 
  14. Maria J. Clauss; Sylke Dietel; Grit Schubert; Thomas Mitchell-Olds (2006). «Glucosinolate and trichome defenses in a natural Arabidopsis lyrata population». Journal of Chemical Ecology (em inglês). 32 (11): 2351–2373. PMID 17089185. doi:10.1007/s10886-006-9150-8 
  15. Hallgrímsson, Helgi; Eyjólfsdóttir, Guðríður Gyða (2004). Íslenskt sveppatal: Checklist of Icelandic fungi. Smásveppir. Microfungi (PDF) (em islandês). [S.l.]: Náttúrufræðistofnun Íslands. ISSN 1027-832X. Consultado em 29 de dezembro de 2025 

Ligações externas