Aquílio Sátyro e Souza

Aquílio Sátyro e Souza (c. 1783 — 1849, Pombal, Paraíba) foi um proprietário rural, médico e juiz ordinário estabelecido na então vila de Pombal, na Paraíba, após migrar do continente europeu para o Brasil no início do século XIX.

Origem e formação

Aquílio Sátyro e Souza nasceu por volta de 1783, em localidade não precisamente identificada do continente europeu, sendo frequentemente apontado como possivelmente originário de Portugal.[nota 1] Era filho de Caetano Pedro e Souza e Mônica de Castro Nobre Montenegro e Sena.[nota 2] [1] Migrou para o Brasil provavelmente na primeira década do século XIX, fixando residência em Pombal, na então capitania da Paraíba, onde passou a desenvolver suas atividades profissionais e econômicas.[nota 3]

Casamento e descendência

Casou-se com Mônica Rodrigues de Santo Agostinho, com quem teve dois filhos: Miguel Sátyro e Souza e Caetano Pedro e Souza.[2] [1] A família residia no sítio Santa Ana, possuindo também propriedades rurais no sítio São Joaquim, ambos localizados no território de Pombal.[3] [1]

Vida profissional

Aquílio Sátyro e Souza exerceu o cargo de juiz ordinário em 1819, função vinculada à administração da justiça local no período.[3] Paralelamente, era conhecido na região pela prática da medicina.[2] [3] Sua principal atividade econômica, contudo, esteve associada à propriedade e exploração de terras rurais, característica predominante entre as elites agrárias da época.

Relação com a escravidão

Inserido em um contexto econômico marcado pelo sistema escravista, Aquílio Sátyro e Souza foi proprietário de pessoas escravizadas, conforme indicam documentos históricos. Registros existentes apontam a posse de pelo menos seis indivíduos escravizados.[3]

Morte

Aquílio Sátyro e Souza faleceu em 1849, na vila de Pombal, Paraíba. Nos últimos anos de vida, apresentou declínio em seu estado de saúde, passando a depender de cuidados prestados por um escravizado pertencente a seu filho Caetano Pedro. De acordo com relatos documentais, esse indivíduo teria assassinado Aquílio, fugindo em seguida. O responsável foi capturado apenas oito anos depois, fato noticiado em edição de 1857 do periódico Diário de Pernambuco.[4]

Notas

  1. Apenas um breve documento datado de 1828, de um processo no qual esteve envolvido como testemunha, menciona que ele era europeu, sem qualquer especificação do país. O mesmo documento também revela a idade que ele tinha na época, situando a data do seu nascimento em 1783. Ver: British Library, EAP853/3/2/1, Imagem 219.
  2. Apesar da escassez de dados documentais, as fontes historiográficas que registram a ascendência de Aquílio Sátyro e Souza descrevem seus progenitores como pertencentes à nobreza portuguesa. Tais registros destacam que seu pai, Caetano Pedro de Sousa, detinha o título de cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis.
  3. Embora existam interpretações baseadas em registros iconográficos sugerindo que Aquílio teria imigrado acompanhado de seus pais, tal hipótese carece de documentação historiográfica que a comprove formalmente.

Referências

  1. a b c SOUSA 2022, p. 211
  2. a b FERNANDES 2018, p. 23
  3. a b c d ARAÚJO 2020, p. 37
  4. DIÁRIO DE PERNAMBUCO (1850), p. 2

Bibliografia

  • SOUSA, Thiago Aécio de (2022). A família Sousa do sertão paraibano: Origens e principais ramos familiares 5 ed. João Pessoa: Edição do autor. ISBN 978-65-00-34002-0 
  • ARAÚJO, Jerdivan Nóbrega de (2020). Escravizados e escravizadores da vila de Pombal da Parahyba do Norte: Batistérios, óbitos, inventários e alforrias 1 ed. Itabuna - Bahia: Mondrongo. ISBN 978-65-86124-23-1 
  • FERNANDES, Flávio Sátiro (2018). Ernani Sátyro, Amigo Velho: uma biografia. 1 1 ed. João Pessoa: A União Editora. ISBN 978-85-8237-163-3