Antonio Samorè

Antonio Samorè
Cardeal da Santa Igreja Romana
Arquivista dos Arquivos Secretos do Vaticano
Info/Prelado da Igreja Católica
Saudação do Cardeal Antonio Samorè, ao chegar à Argentina em dezembro de 1978.
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de Roma
Nomeação 25 de janeiro de 1974
Predecessor Eugène-Gabriel-Gervais-Laurent Tisserant
Sucessor Alfons Maria Stickler, S.D.B.
Mandato 1974 - 1983
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 10 de junho de 1928
por Ersilio Menzani
Nomeação episcopal 30 de janeiro de 1950
Ordenação episcopal 16 de abril de 1950
por Clemente Micara
Nomeado arcebispo 30 de janeiro de 1950
Cardinalato
Criação 26 de junho de 1967
por Papa Paulo VI
Ordem Cardeal-presbítero (1967-1974)
Cardeal-Bispo (1974-1983)
Título Santa Maria sobre Minerva (1967-1974)
Sabina-Poggio Mirteto (1974-1983)
Brasão
Lema AUXILIUM A DOMINO
Dados pessoais
Nascimento Bardi
4 de dezembro de 1905
Morte Roma
3 de fevereiro de 1983 (77 anos)
Nacionalidade italiano
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Antonio Samorè (Bardi, 4 de dezembro de 1905Roma, 3 de fevereiro de 1983) foi um cardeal italiano, enviado pelo Papa João Paulo II como seu representante no Conflito de Beagle, diante do agravamento da situação naquele conflito e a iminência de uma guerra entre Argentina e Chile, no final de 1978.

Biografia

Bardi estudou no seminário de Piacenza e na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Foi ordenado sacerdote em 10 de junho de 1928. Trabalhou como capelão em Piacenza durante quatro anos. Em 1932, foi designado secretário da nunciatura apostólica na Lituânia. Em 1935, tornou-se camareiro papal. De 1938 a 1947, serviu como secretário na nunciatura na Suíça. De 1947 a 1950, foi conselheiro na delegação apostólica da Santa Sé nos Estados Unidos.

Em 1950, o Papa Pio XII nomeou Samorè arcebispo titular de Ternobus e núncio na Colômbia. Em 1953, retornou a Roma, onde se tornou secretário da Congregação para os Assuntos Extraordinários da Igreja. Samorè participou do Concílio Vaticano II. Após o concílio, tornou-se presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina. Nessa função, foi incumbido pelo Papa Paulo VI de combater a ascensão da chamada teologia da libertação. O Papa Paulo VI o nomeou cardeal no consistório de 26 de junho de 1967. Santa Maria sopra Minerva tornou-se sua igreja titular. Um ano depois, foi nomeado prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Em 1969, ele parecia o principal candidato a suceder o falecido Patriarca Giovanni Urbani em Veneza, mas o Papa Paulo VI acabou nomeando Albino Luciani, o futuro Papa João Paulo I. Entre 1978 e 1983, Samorè atuou como enviado especial do Papa João Paulo II nas crescentes tensões territoriais entre Argentina e Chile sobre o Canal de Beagle. Isso lhe rendeu tanta gratidão de ambos os lados da fronteira que uma passagem nos Andes do sul, entre os dois países, foi nomeada em sua homenagem.

Em 22 de dezembro de 1978, em discurso aos cardeais para cumprimentos de boas festas, o Papa João Paulo II se referiu a esta missão de Samorè:[1]

Depois, no dia de ontem, diante das notícias cada vez mais alarmantes que chegavam sobre o agravamento, e sobre o possível, e mesmo temido por não poucos como iminente, precipitar-se da situação, dei conhecimento às Partes da minha disposição — mais até, desejo — de enviar às duas Capitais um representante meu especial, para conseguir mais imediatas e concretas informações sobre as respectivas posições e para se examinarem e procurarem em conjunto as possibilidades duma honrosa composição pacífica do litígio.
 
Papa João Paulo II - Discurso aos Cardeais - 22/12/1978.
Homenagens diante do monumento ao Cardeal Antonio Samorè, em Santiago do Chile.

A missão teve sucesso, com os dois países chegando a um acordo. A solução definitiva seria em 29 de novembro de 1984, quase seis anos após o início das negociações, com a assinatura pelos dois países, do Tratado de Paz e Amizade diante do Papa, no Vaticano. O Cardeal Samorè, porém, não chegou a testemunhar este desfecho final do conflito.[2]

O nosso coração sofre por esta repentina morte, que nos priva da presença material e do convívio deste distinto Purpurado, ao qual muitos de nós, e em primeiro lugar quem vos fala, estavam ligados por profundos vínculos de estima e de afecto.Em Dezembro de 1978, num momento delicado das relações entre a Argentina e o Chile, escolhi o Cardeal Samoré como meu Enviado Especial junto dos dois Governos.(...) A esta delicadíssima tarefa ele aplicou-se até ao fim com a habitual sabedoria, ponderação e fervor.

Faço votos por que, com a ajuda do Senhor, a paciente obra realizada pelo Cardeal Samoré possa ser coroada, o mais breve possível, do bom sucesso que todos desejamos.

 
Homilia do Papa João Paulo II - Exéquias do Cardeal Antonio Samorè - 5/2/1983.

Referências

  1. «Discurso do Papa João Paulo II aos cardeais». Santa Sé. 22 de dezembro de 1978. Consultado em 7 de dezembro de 2013 
  2. «Exéquias do Cardeal Antonio Samorè_Homilia do papa João Paulo II». Santa Sé. 5 de fevereiro de 1983. Consultado em 7 de dezembro de 2013 

Ligações externas