Antigos celeiros da EPAC de Mértola

Antigos celeiros da EPAC de Mértola
Fotografia aérea dos celeiros em 2024, quando estavam já a ser convertidos na Estação Biológica.
Informações gerais
Nomes alternativosEstação Biológica de Mértola
Construção1956
Património de Portugal
SIPA16748
Geografia
PaísPortugal Portugal
LocalizaçãoMértola
RegiãoAlentejo
Coordenadas🌍
Localização em mapa dinâmico

Os Antigos celeiros da EPAC de Mértola consistem num complexo agrícola e industrial encerrado, situado perto da vila de Mértola, na região do Alentejo, em Portugal. Na década de 2020, o edifício foi convertido num centro de investigação do ambiente, a Estação Biológica de Mértola.[1]

Fachada Sudoeste do complexo em 2010, antes de se iniciarem as obras de transformação num observatório do ambiente.

Descrição e história

O antigo complexo da EPAC está situado na margem esquerda do Rio Guadiana, no lado oposto de Mértola.[2] Devido à sua localização, tem um grande impacto visual para quem observa a margem oposta a partir do centro histórico da vila.[3] Era formado por celeiros, silos e uma fábrica de moagem.[4]

Foi construído entre 1938 e 1956, como parte dos programas estatais de fomento à agricultura no Alentejo, tendo chegado a ser a maior fonte de rendimento para a vila.[4] funcionou até 1961, tendo depois sido integrado na EPAC - Empresa Pública de Abastecimento de Cereais, que por seu turno foi extinta em 1999, deixando a unidade de Mértola ao abandono.[4]

Pelo menos desde os inícios da década de 2010 que o município de Mértola procurou adquirir o imóvel ao governo central para promover a sua requalificação, mas o processo arrastou-se devido a vários problemas.[5] Segundo o presidente da Câmara Municipal, Jorge Rosa, o imóvel deveria ter sido desde logo cedido à autarquia, de acordo com a legislação em vigor, mas acabou por ser posto em hasta pública, tendo sido então comprado pelo município.[5]

Em 2021, a autarquia de Mértola anunciou que nesse ano iria converter o antigo complexo dos celeiros numa estação biológica, intervenção que iria custar cerca de 4,5 milhões de Euros.[1] José Rosa explicou que a estação biológica iria funcionar em colaboração com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto, prevendo-se que fossem ali trabalhar cerca de trinta a quarenta investigadores, nas áreas da diversidade ambiental e da natureza.[1] Em Junho de 2021 foi criada a Estação Biológica,[6] que foi provisoriamente instalada na Casa dos Azulejos.[7] Em Outubro de 2022 já se tinham iniciado as obras de conversão dos antigos celeiros.[8] Esta intervenção foi concebida de forma a preservar os antigos edifícios da EPAC, devido ao seu valor como símbolo do passado recente da região, quando foi um grande centro de produção de cereais durante o Estado Novo.[2]

Previa-se que a estação biológica iria ser composta por laboratórios, alojamentos e um auditório, entre outros espaço.[8] Dentro do complexo dos antigos celeiros iria ser igualmente instalada a Galeria da Biodiversidade de Mértola – Centro de Interpretação da Biodiversidade do Vale do Guadiana, além de áreas destinadas aos arquivos e museu municipais, intervenção que iria aumentar em cerca de 1,7 milhões de Euros o investimento total.[8] De acordo com a autarquia, a Galeria da Biodiversidade iria ser «um espaço de interpretação da paisagem e biodiversidade em presença no território que se constitui como valência turística de relevância para a salvaguarda do património natural e para a afirmação de Mértola e do Alentejo como destinos de excelência para o turismo de natureza».[8]

Ver também

Referências

  1. a b c «Mértola: Antigos celeiros da EPAC vão transformar-se numa Estação Biológica». Rádio Pax. 27 de Janeiro de 2021. Consultado em 25 de Outubro de 2025 
  2. a b FERREIRA, Nicolau (24 de Setembro de 2023). «Um antigo celeiro em Mértola está a transformar-se numa estação biológica internacional». Público. Consultado em 26 de Outubro de 2025 
  3. AZEVEDO, Virgílo (14 de Fevereiro de 2020). «Mértola. Como transformar um celeiro num centro de investigação pioneiro a nível mundial». Expresso. Consultado em 26 de Outubro de 2025 
  4. a b c «Instalações». Estação Biológica de Mértola. Consultado em 25 de Outubro de 2025 
  5. a b RODRIGUES, Elisabete (14 de Dezembro de 2019). «Mértola: «mamarracho» transforma-se na Estação Biológica de «nível internacional»». Sul Informação. Consultado em 26 de Outubro de 2025 
  6. «Professor Paulo Célio Alves dirige a Estação Biológica de Mértola». Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. 29 de Setembro de 2023. Consultado em 26 de Outubro de 2025 
  7. «"Em Mértola fazemos a nossa parte para tentar fixar e renovar a população"». Correio Alentejo. 23 de Maio de 2022. Consultado em 26 de Outubro de 2025 
  8. a b c d «Estação Biológica de Mértola é projeto "exemplar"». Diário do Alentejo. 2 de Outubro de 2022. Consultado em 26 de Outubro de 2025 

Ligações externas